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Home Crônicas Yuri Al'Hanati

Tinha uma floricultura aqui

porYuri Al'Hanati
7 de novembro de 2016
em Yuri Al'Hanati
A A
floricultura

Foto: Reprodução.

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Parece que a floricultura da minha rua fechou. O fracasso de um comércio de bairro é como a morte de alguém muito velho: inevitável, próximo e doloroso mesmo assim. Eu sei, a comparação é desproporcional, e no fim das contas é só menos um lugar para praticar o moribundo ato de comprar flores, mas de todas as opções comerciais que a grande minúscula avenida do meu bairro tem para oferecer, de longe a que eu mais frequentei por motivos extra-convenientes foi a floricultura.

Porque gosto de comprar flores, mas mais do que isso, gostava de ver o arranjo sendo montado cuidadosamente. Tenho uma coisa com arranjos sendo feitos, uma pirotecnia de papel colorido, fitas e estampas para no fim ser selvaticamente desmontado, após uma leve taquicardia pela preparação do presente.

Porque gosto de comprar flores, mas mais do que isso, gostava de ver o arranjo sendo montado cuidadosamente. Tenho uma coisa com arranjos sendo feitos, uma pirotecnia de papel colorido, fitas e estampas para no fim ser selvaticamente desmontado, após uma leve taquicardia pela preparação do presente. Nunca soube o nome da atendente, minha cúmplice nas flores que comprava de presente, inclusive para mim. Ela era (é) extremamente habilidosa em amarrar pedúnculos, combinar cores, separar os exemplares com as melhores pétalas e usá-los para esconder algum defeito pequeno que outra flor possa ter, usar os mosquitinhos a favor da apresentação sem desrespeitar a hierarquia das plantas. Sabia dobrar pedaços de celofane, que num instante apareciam milimetricamente amassados e amarrados com uma fita rústica imperceptível. Mais do que isso, sabia fazer do processo um espetáculo digno de se assistir. Delicada e arcaica em seus gestos, ela fazia seu trabalho parecer algum tipo de tecelaria mística de outro milênio. Ao final, descia a rua orgulhoso com meu frondoso arranjo floral, e era difícil para os passantes não olhar na direção daquelas flores coloridas.

Da última vez que passei lá, a menina que fazia o arranjo não estava. Captei algo na loja sobre alguém na família estar doente e ela ter saído às pressas. Quem fez o arranjo de flores do campo que eu escolhi foi a contadora da loja. Ela parecia estar se desdobrando em muitas funções, e fez um arranjo satisfatório, mas nada que saltasse à vista. Uma semana depois, já não via mais a loja aberta. A porta pesada de metal ficou baixada para sempre e as paredes externas foram sujando perto do rodapé. O gramado na frente está descuidado. Várias florezinhas brotaram na frente. Brancas, amarelas e vermelhas.

Tags: arranjoatendentebuquêcomércioCrônicafloralfloresfloriculturapresente

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