• Sobre
  • Apoie
  • Política de Privacidade
  • Contato
Escotilha
Sem Resultados
Veja Todos Resultados
  • Reportagem
  • Política
  • Cinema
  • Televisão
  • Literatura
  • Música
  • Teatro
  • Artes Visuais
  • Reportagem
  • Política
  • Cinema
  • Televisão
  • Literatura
  • Música
  • Teatro
  • Artes Visuais
Escotilha
Home Literatura

Marcia Tiburi defende poder para as mulheres

'Feminismo em comum', de Marcia Tiburi, é um manifesto didático sobre a luta das mulheres.

porMarilia Kubota
27 de março de 2018
em Literatura
A A
Marcia Tiburi defende poder para as mulheres

Imagem: Reprodução.

Envie pelo WhatsAppCompartilhe no LinkedInCompartilhe no FacebookCompartilhe no Twitter

Feminismo em comum – para todas, todes e todos (Rosa dos Tempos, 2018), de Marcia Tiburi, é um manifesto a favor da luta feminista. O subtítulo inclui na comunidade feminista “todas, todes e todos”. A autora tem o sentido visionário de que não apenas as mulheres, mas os corpos e mentes femininos devem estar juntos na luta pela libertação da sociedade patriarcal.

A filósofa usa uma linguagem didática, povoada por experiências do dia-a-dia, para explicar conceitos do pensamento feminista. Para exemplificar a histórica servidão feminina:

“É mais do que curioso analisar onde, como e quando as mulheres trabalham. Desde que nasce, não é um exagero dizer, uma menina está condenada a um tipo de trabalho que se parece muito com a servidão que, em tudo, é diferente do trabalho remunerado ou do trabalho que pode escolher dependendo da classe social à qual se pertence. Em muitos contextos, lugares, países e culturas, meninas e jovens, adultas e idosas trabalharão para seu pai, os irmãos, para o marido, para os filhos. Serão, apenas por serrem mulheres, condenadas ao trabalho braçal dentro de casa, a serviço de outros que não podem ou não querem trabalhar como elas.” (Página 14)

A filósofa denuncia as armadilhas da sociedade patriarcal, que cria categorias para diferenciar o feminino e as feministas.

A injusta divisão está no centro das discussões feministas, devido à dupla e tripla jornadas quando a mulher trabalha fora. O machismo impera além da sobrecarga àquela que é considerada função feminina, o serviço doméstico. Num exemplo prático, Marcia relata o caso de trabalhadoras de uma usina de reciclagem em Porto Alegre. Diz que às mulheres era destinado os serviço mais “fácil”, o de triagem. O dos homens era braçal. Mas enquanto eles descansavam, na hora do almoço, elas os substituíam. Aí, caiu por terra a ideia de fragilidade determinada pelo gênero. E as mulheres, que ganhavam menos, percebiam o embuste do “sexo frágil”.

A filósofa denuncia as armadilhas da sociedade patriarcal, que cria categorias para diferenciar o feminino e as feministas. O feminino seria o que é apropriado às mulheres. Ou seja, o delicado, o servil, a fragilidade. Enquanto as feministas são demonizadas, ameaçadas por violências simbólicas e físicas, como aconteceu com a intelectual Judith Butler, em sua vinda ao Brasil, em novembro do ano passado.

Um conceito central é sobre o lugar de fala, disseminado por feministas e pelo movimento negro. Marcia Tiburi convoca a poeta e feminista negra Audre Lorde para ajudar nesta compreensão:

“Audre Lorde alerta que não podemos lutar levando adiante a armadilha de uma hierarquia de opressão, como se o sofrimento fosse um capital – mas não podemos nos esquecer das marcas acumuladas, das dores vividas pelas pessoas. Ao mesmo tempo, é preciso lutar pela fala, é preciso permitir a solidariedade entre os discursos que exigem direitos. A solidariedade não deve ser descartada, ao contrário, em certos contextos ela deve até mesmo ser exigida. Ora, o lugar de fala constrói um contextos dialógico. Se luta é um conceito que implica oposição, implica necessariamente o diálogo. A conquista, a defesa de direitos e a ocupação dos lugares de fala não se sustentam fora disso.” (Página 55)

Audre Lorde, como Angela Davis, evoca o interseccionismo das lutas de classe, raça e gênero. A luta das mulheres, dos negros, dos índios, das pessoas transsexuais, dos trabalhadores, estão implicadas umas nas outras: “Quando lutamos por um lugar de fala lutamos pelo lugar de todos”. Já que vivemos em uma sociedade hierárquica, em gênero, classe e raça, o lugar de fala pertence a quem está no topo, ou seja, o homem branco. Por “homem branco” se entende o sujeito da elite econômica que detém todos os privilégios.

Por fim, há várias asserções que relacionam o feminino a situações de violência doméstica e abuso. Este, talvez seja o maior tabu de nossa sociedade, ao qual as feministas lutam para escancarar. Incestos, estupros, assédios de acordo com a filósofa, só cessarão quando as mulheres desenvolverem todas as suas potencialidades intelectuais e espirituais e conquistarem lugares de poder.

FEMINISMO EM COMUM | Marcia Tiburi

Editora: Rosa dos Tempos;
Tamanho: 126 págs.;
Lançamento: Janeiro, 2018.

COMPRE O LIVRO E AJUDE A ESCOTILHA

Tags: Angela DavisAudre LordeBook ReviewCrítica LiteráriaFeminismoFeminismo em comuminterseccionalidadeJudith ButlerLiteraturaLiteratura Feministalugar de falaMarcia TiburipatriarcalpoderResenhaReviewRosa dos Tempos

VEJA TAMBÉM

A escritora estadunidense Jen Beagin. Imagem: Divulgação.
Literatura

‘A Suíça’ é um mergulho bem-humorado na obsessão e no trauma

6 de agosto de 2026
A jornalista inglesa Sophie Gilbert. Imagem: Urszula Soltys / Divulgação.
Literatura

‘Garota sobre Garota’ mostra como a cultura pop traiu as mulheres nos anos 2000

18 de junho de 2026
Please login to join discussion

FIQUE POR DENTRO

'Margô Está em Apuros' conta com um elenco cativante. Imagem: A24 / Divulgação.

‘Margô Está em Apuros’ traz uma visão terna e triste sobre a maternidade solo

11 de agosto de 2026
Greta Lee e Wagner Moura comandam a produção de Louis Leterrier para a Netflix. Imagem: 3 Arts Entertainment / Divulgação.

‘A Última Casa’ transforma o lar em prisão e o isolamento em ameaça

10 de agosto de 2026
A escritora estadunidense Jen Beagin. Imagem: Divulgação.

‘A Suíça’ é um mergulho bem-humorado na obsessão e no trauma

6 de agosto de 2026
Tatiana Maslany brilha em 'Prazer Máximo Garantido'. Imagem: Apple Studios / Divulgação.

‘Prazer Máximo Garantido’ é um thriller que cumpre o que promete

6 de agosto de 2026
Instagram Twitter Facebook YouTube TikTok
Escotilha

  • Sobre
  • Apoie
  • Política de Privacidade
  • Contato
  • Agenda
  • Artes Visuais
  • Colunas
  • Cinema
  • Entrevistas
  • Literatura
  • Crônicas
  • Música
  • Teatro
  • Política
  • Reportagem
  • Televisão

© 2015-2023 Escotilha - Cultura, diálogo e informação.

Sem Resultados
Veja Todos Resultados
  • Reportagem
  • Política
  • Cinema
  • Televisão
  • Literatura
  • Música
  • Teatro
  • Artes Visuais
  • Sobre a Escotilha
  • Contato

© 2015-2023 Escotilha - Cultura, diálogo e informação.