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O caráter contraditório de ‘Jogo do Dinheiro’

Dirigido por Jodie Foster, ‘Jogo do Dinheiro’ pode até ser mal visto, mas o ruim que dele emana é o ruim da sociedade que ele retrata.

porTiago Bubniak
20 de agosto de 2019
em Cinema
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Jogo do Dinheiro, dirigido por Jodie Foster, disponível na Netflix

Sintonia. O ridículo do filme é o ridículo da vida real. Imagem: Reprodução.

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O filme Jogo do Dinheiro (2016) tem um quê de ruim. É um filme que exala artificialidade, situações forçadas, excessos, espetacularização do início ao fim. Difícil notar a forma como a história transcorre sem pensar algo do gênero: “ah, mas isso tudo não soa natural, tudo isso não flui de modo harmonioso”. Chega a dar um desconforto.

Contraditoriamente, é a observação disso tudo que, mais ou menos na metade da exibição, pode conduzir o espectador a mudar a avaliação e considerar esse trabalho da diretora Jodie Foster sedutor. O motivo da possível reviravolta? O ruim que emana do filme é, também, o ruim da sociedade que ele retrata. Afinal, não há nada de natural, harmônico ou confortável naquilo que recebe os holofotes do roteiro.

Jogo do Dinheiro joga na cara do espectador um panorama nada natural, harmônico ou confortável. O que se vê é um autêntico circo de horrores, marcado por um festival de fracassados.

Lee Gates (George Clooney) é apresentador de um programa de TV nos Estados Unidos que dá dicas sobre o mercado financeiro de forma altamente popular, com direito a piadas e dançarinas. Certo dia, um espectador (Jack O’Connell), enfurecido por perder dinheiro após uma orientação de Lee considerada equivocada, invade o programa e, armado, obriga o apresentador a vestir um colete com explosivos. O desconhecido ameaça lançar tudo pelos ares caso não consiga passar seu recado para as multidões via televisão. Julia Roberts enriquece o elenco interpretando Patty Fenn, a produtora do programa, cuja audiência chega a níveis estratosféricos a partir do momento em que essa situação inusitada e tensa ganha as telas e os telões em diversos ambientes da metrópole. E do mundo.

As especulações do mercado financeiro. O jornalismo que deslizou para o entretenimento e transformou-se em algo híbrido que não chega a ser nem noticiário sério nem entretenimento puro e simples. A espetacularização da violência. Massas ávidas por sensacionalismo. Jogo do Dinheiro aborda todas essas situações, jogando na cara do espectador um panorama nada natural, harmônico ou confortável. O que se vê é um autêntico circo de horrores, marcado por um festival de fracassados.

Esse universo caótico, superficial, artificial e repleto de manipulações que o filme aborda causa um amargor por ser um retrato do que se vê no mundo real. É aí que Jogo do Dinheiro ganha o status contraditório de um bom filme que, sendo aparentemente ruim, tem suas razões de assim parecer por reforçar o caráter daquilo que quer denunciar.

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Tags: CinemaCríticaCrítica CinematográficaCrítica de CinemaFilm ReviewGeorge ClooneyJack O'ConnellJodie FosterJogo do DinheiroJulia RobertsMovie ReviewNetflixResenhaReview

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