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O pós-realismo de Cezar Tridapalli em ‘Vertigem do chão’

Terceiro romance do escritor curitibano Cezar Tridapalli, 'Vertigem do chão' é uma elegia para um mundo polarizado, intolerante e negacionista.

porJonatan Silva
7 de fevereiro de 2020
em Literatura
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Cezar Tridapalli Vertigem do Chão

O escritor Cezar Tridapalli, autor de 'Vertigem do Chão'. Imagem: Ágata Schmitt.

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O homem revoltado é aquele que aprender a dizer não. Pelo menos, era assim para Albert Camus. Cezar Tridapalli, em Vertigem do chão, seu terceiro romance, esmerilha a revolta e o descontentamento, sentimentos tão próprios desse neo-obscurantismo pentecostal.

Por meio de paralelos que brincam com a ideia de tempo e espaço, o escritor curitibano – vencedor do Prêmio Minas Gerais com O Beijo de Schiller (2014), seu livro anterior – narra a histórias de dois homens à beira de um ataque de nervos – Stefan, um atleta holandês cujo namorado foi assassinado por um extremista, e Leonel, um dançarino brasileiro desiludido com a sua arte – que, sem saber, trocam de países e passam a habitar a geografia sentimental que, até pouco, pertencia ao outro.

Contrapondo as duas narrativas, Tridapalli constrói um caleidoscópio do absurdo, debatendo questões como xenofobia, corpo como território, homofobia, pertencimento e desterritorilização. Frente à fragmentação do mundo ao seu redor, os personagens de Vertigem do chão escancaram o hedonismo e a suspeição. São construções complexas e fortes, que colocam o leitor em xeque ao convidá-lo para compartilhar dos abismos pessoais.

Se Leonel encarna o descompasso de uma geração que sofre com a descrença na cultura, Stefan é o típico personagem kafkiano, solapado pela figura do pai, que aqui é importante ideólogo do pensamento conversador na Holanda. Emparelhando essas diferentes matizes, Tridapalli dá voz aos que estão calados e consegue conceber um romance plural e que, em alguma medida, sintetiza toda a sociedade.

Vertigem do chão é um livro corajoso e audacioso, com linhas narrativas pautadas pela ousadia e talento. Ao mesmo tempo, existe um toque sutil de humor, que estremece com elegância as bases da cultura negacionista que tem assolado o mundo.

Pós-realismo

Com Vertigem do chão, Tridapalli traz para a literatura brasileira a tradição pós-realista que tem tomado de assalto, principalmente, a Europa. Levantando debates tão potentes quanto Michel Houellebecq e Ian McEwan, o curitibano escrutina as fragilidades que estão evidenciando a derrocada do país. Se o francês avança sobre as hipocrisias – e hipocondrias emocionais – que criam amarras sociais, ao passo que o britânico analisa as vicissitudes que formam as convenções que enlaçam homens e mulheres, Tridapalli explora as noções de insegurança – pública e privada – e as fachadas que são montadas para dar cabo de vida que seja, meramente, aceitável.

É uma literatura cujo alicerce está, justamente, na ausência de possibilidades. Leonel e Stefan, cada qual à sua maneira, vive uma dança vazia, à procura de uma razão para estar vivo. Diante desse deserto, o próprio corpo é mapa, bússola e território – é, em suma, a única coisa que realmente lhes pertence.

Vertigem do chão é um livro corajoso e audacioso, com linhas narrativas pautadas pela ousadia e talento. Ao mesmo tempo, existe um toque sutil de humor, que estremece com elegância as bases da cultura negacionista que tem assolado o mundo.

VERTIGEM DO CHÃO | Cezar Tridapalli

Editora: Moinhos;
Tamanho: 301 págs.;
Lançamento: Dezembro, 2019.

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Tags: Cezar TridapalliCrítica LiteráriaEditora MoinhosLiteraturaO Beijo de SchillerResenhaVertigem do chão

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