• Sobre
  • Apoie
  • Política de Privacidade
  • Contato
Escotilha
Sem Resultados
Veja Todos Resultados
  • Reportagem
  • Política
  • Cinema
  • Televisão
  • Literatura
  • Música
  • Teatro
  • Artes Visuais
  • Reportagem
  • Política
  • Cinema
  • Televisão
  • Literatura
  • Música
  • Teatro
  • Artes Visuais
Escotilha
Home Literatura

O pós-realismo de Cezar Tridapalli em ‘Vertigem do chão’

Terceiro romance do escritor curitibano Cezar Tridapalli, 'Vertigem do chão' é uma elegia para um mundo polarizado, intolerante e negacionista.

porJonatan Silva
7 de fevereiro de 2020
em Literatura
A A
Cezar Tridapalli Vertigem do Chão

O escritor Cezar Tridapalli, autor de 'Vertigem do Chão'. Imagem: Ágata Schmitt.

Envie pelo WhatsAppCompartilhe no LinkedInCompartilhe no FacebookCompartilhe no Twitter

O homem revoltado é aquele que aprender a dizer não. Pelo menos, era assim para Albert Camus. Cezar Tridapalli, em Vertigem do chão, seu terceiro romance, esmerilha a revolta e o descontentamento, sentimentos tão próprios desse neo-obscurantismo pentecostal.

Por meio de paralelos que brincam com a ideia de tempo e espaço, o escritor curitibano – vencedor do Prêmio Minas Gerais com O Beijo de Schiller (2014), seu livro anterior – narra a histórias de dois homens à beira de um ataque de nervos – Stefan, um atleta holandês cujo namorado foi assassinado por um extremista, e Leonel, um dançarino brasileiro desiludido com a sua arte – que, sem saber, trocam de países e passam a habitar a geografia sentimental que, até pouco, pertencia ao outro.

Contrapondo as duas narrativas, Tridapalli constrói um caleidoscópio do absurdo, debatendo questões como xenofobia, corpo como território, homofobia, pertencimento e desterritorilização. Frente à fragmentação do mundo ao seu redor, os personagens de Vertigem do chão escancaram o hedonismo e a suspeição. São construções complexas e fortes, que colocam o leitor em xeque ao convidá-lo para compartilhar dos abismos pessoais.

Se Leonel encarna o descompasso de uma geração que sofre com a descrença na cultura, Stefan é o típico personagem kafkiano, solapado pela figura do pai, que aqui é importante ideólogo do pensamento conversador na Holanda. Emparelhando essas diferentes matizes, Tridapalli dá voz aos que estão calados e consegue conceber um romance plural e que, em alguma medida, sintetiza toda a sociedade.

Vertigem do chão é um livro corajoso e audacioso, com linhas narrativas pautadas pela ousadia e talento. Ao mesmo tempo, existe um toque sutil de humor, que estremece com elegância as bases da cultura negacionista que tem assolado o mundo.

Pós-realismo

Com Vertigem do chão, Tridapalli traz para a literatura brasileira a tradição pós-realista que tem tomado de assalto, principalmente, a Europa. Levantando debates tão potentes quanto Michel Houellebecq e Ian McEwan, o curitibano escrutina as fragilidades que estão evidenciando a derrocada do país. Se o francês avança sobre as hipocrisias – e hipocondrias emocionais – que criam amarras sociais, ao passo que o britânico analisa as vicissitudes que formam as convenções que enlaçam homens e mulheres, Tridapalli explora as noções de insegurança – pública e privada – e as fachadas que são montadas para dar cabo de vida que seja, meramente, aceitável.

É uma literatura cujo alicerce está, justamente, na ausência de possibilidades. Leonel e Stefan, cada qual à sua maneira, vive uma dança vazia, à procura de uma razão para estar vivo. Diante desse deserto, o próprio corpo é mapa, bússola e território – é, em suma, a única coisa que realmente lhes pertence.

Vertigem do chão é um livro corajoso e audacioso, com linhas narrativas pautadas pela ousadia e talento. Ao mesmo tempo, existe um toque sutil de humor, que estremece com elegância as bases da cultura negacionista que tem assolado o mundo.

VERTIGEM DO CHÃO | Cezar Tridapalli

Editora: Moinhos;
Tamanho: 301 págs.;
Lançamento: Dezembro, 2019.

Compre na Amazon

link para a página do facebook do portal de jornalismo cultural a escotilha

Tags: Cezar TridapalliCrítica LiteráriaEditora MoinhosLiteraturaO Beijo de SchillerResenhaVertigem do chão

VEJA TAMBÉM

O escritor Paulo Camargo. Imagem: Willian Zuclinski / Divulgação.
Literatura

‘Alguém que Vi de Passagem’: o primeiro amor em tempos de reabertura política

1 de setembro de 2026
O jornalista e escritor Paulo Camargo. Imagem: Willian Zuclinski.
Entrevistas

Paulo Camargo: “Na ficção, pude avançar por territórios aos quais talvez não chegasse de outra forma”

18 de agosto de 2026

FIQUE POR DENTRO

Nova série da Globoplay já foi renovada para uma segunda temporada. Imagem: Conspiração Filmes / Divulgação.

‘Emergência 53’ encontra nas ruas um retrato de um Brasil que precisa ser cuidado

4 de setembro de 2026
O escritor Paulo Camargo. Imagem: Willian Zuclinski / Divulgação.

‘Alguém que Vi de Passagem’: o primeiro amor em tempos de reabertura política

1 de setembro de 2026
Regina e Gabriela Duarte: duas atrizes postas à prova. Imagem: Reprodução.

A improvável entrevista de Regina e Gabriela Duarte

27 de agosto de 2026
Imagem: Globoplay / Divulgação.

Existir é um gesto político em ‘Meu Nome É Preta’

24 de agosto de 2026
Instagram Twitter Facebook YouTube TikTok
Escotilha

  • Sobre
  • Apoie
  • Política de Privacidade
  • Contato
  • Agenda
  • Artes Visuais
  • Colunas
  • Cinema
  • Entrevistas
  • Literatura
  • Crônicas
  • Música
  • Teatro
  • Política
  • Reportagem
  • Televisão

© 2015-2023 Escotilha - Cultura, diálogo e informação.

Sem Resultados
Veja Todos Resultados
  • Reportagem
  • Política
  • Cinema
  • Televisão
  • Literatura
  • Música
  • Teatro
  • Artes Visuais
  • Sobre a Escotilha
  • Contato

© 2015-2023 Escotilha - Cultura, diálogo e informação.