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Home Literatura

‘Viagens no scriptorium’: um diário para a quarentena

Em 'Viagens no scriptorium', Paul Auster faz de isolamento tema central de narrativa e propõe reflexão sobre a identidade.

porJonatan Silva
3 de abril de 2020
em Literatura
A A
'Viagens no scriptorium, de Paul Auster

Paul Auster faz de 'Viagens no scriptorium' um dos seus melhores livros. Imagem: Reprodução.

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Um homem sozinho em quarto sem janelas. Apenas uma porta. Vigilância vinte e quatro horas por dia. Em tempos de confinamento e isolamento social, Viagens no scriptorium (tradução de Beth Vieira – Companhia das Letras, 2007), de Paul Auster, parece um retrato do autoexílio que tomou o mundo em 2020. Por meio de uma narrativa misteriosa, o escritor norte-americano reflete sobre o conceito de solidão e identidade. Como em A Trilogia de Nova York ou Noites de oráculo, borra a realidade com incursões absurdistas e paranoias. É, quem sabe, uma herança direta do lamento e do vazio que Beckett evoca ao colocar no palco aquilo que antes estava escondido.

Blank – o homem confinado – é um sujeito sem passado, escondido em uma espécie de não-lugar que também não reconhece como seu. Auster cria um clima brumoso e em sintonia com Sinédoque, Nova York, o complexo longa-metragem de Charlie Kaufman. É um ardiloso jogo de obsessões, algo comum na literatura de Auster, mas tem algo de novo, em termos narrativos: a pulsão negativa como elemento de avanço.

Se à primeira vista parece contraditório, por outro lado, é nessa antítese que Viagens no scriptorium se destaca na obra de Paul Auster como se deslocasse – e descolasse – dos terrenos confortáveis pelos quais caminhou por anos e, de certa maneira, retornou mais tarde. Como Enrique Vila-Matas, escritor catalão cuja boa parte da produção se alicerça na busca pelo desaparecimento do autor, Auster se esquiva de oferecer respostas, mas entremeia seu texto com perguntas escondidas, com deliberações afetivas que colocam o leitor em alerta.

Sua mente está em outra parte, perdida em meio às fantasias que lhe passam pela cabeça, enquanto busca uma resposta para a pergunta que o atormenta.

É nesse vácuo – um lugar quase que inexistente – e, voltado à metáfora vila-matiana, é uma exploração de abismos, uma caminhada pela linha tênue da ausência e do mistério – como elemento cotidiano e divino. Se música é perfume, como dia Bethânia, literatura é sede, é a vontade de no e do personagem o catálogo de erros e aprendizagens.

Nesse perpétuo diálogo como o vazio, Blank tem contornos como nenhuma das outras criaturas de Auster: é denso e movido por um perpétuo desejo sexual, que parece contrastar de maneira contundente com os sujeitos quase assexuados que vagavam pelos seus livros.

Viagens no scriptorium, publicado nos Estados Unidos em 2006 e um ano mais tarde por aqui, coloca Paul Auster definitivamente entre os mais brilhantes escritores do século XX e mostra como é possível andar na corda bamba e sair inteiro.

VIAGENS NO SCRIPTORIUM | Paul Auster

Editora: Companhia das Letras;
Tradução: Beth Vieira;
Tamanho: 128 págs.;
Lançamento: Fevereiro, 2007.

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Tags: A Trilogia de Nova YorkBook ReviewCompanhia das LetrasCríticaCrítica LiteráriaEnrique Vila-MatasLiteraturaLiteratura Norte-AmericanaNoites de oráculoPaul AusterResenhaViagens no scriptorium

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