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O autobiográfico ‘Nuovo Olimpo’ retrata a história de um amor interrompido

O melodrama italiano 'Nuovo Olimpo', do cineasta turco Ferzan Özpetek, acompanha as jornadas afetivas de dois homens através do tempo.

porPaulo Camargo
30 de novembro de 2023
em Cinema
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Atores Damiano Gavino Andrea Di Luigi.

Enea (Damiano Gavino) e Pietro (Andrea Di Luigi) são dois rapazes que se conhecem em 1978, no cinema Nuovo Olimpo em Roma. Imagem: Netflix/Divulgação.

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Em Nuovo Olimpo, recém-lançado pela plataforma de streaming Netflix, Enea (Damiano Gavino) e Pietro (Andrea Di Luigi) cruzam seus caminhos de forma casual em um cinema frequentado por homens gays na Roma de 1978. O amor que brota entre eles é apaixonado e arrebatador, mas reviravoltas políticas os separam abruptamente. Nos anos seguintes, ambos nutrem a esperança de um reencontro, tecendo, cada um à sua maneira, um vínculo que transcende tempo e circunstâncias. Grande parte da ação se passa em um mundo pré-internet, onde era possível, sim, perder o rastro de alguém.

A história de amor revelada no filme reflete, em muitos aspectos, as experiências e emoções do próprio diretor, o cineasta turco radicado na Itália Ferzan Özpetek (reconhecido por obras como Janela de Frente e O Primeiro a Dizer). Ele se inspira em memórias muito pessoais para criar uma narrativa íntima e universal. Por meio dos personagens Enea e Pietro, somos transportados para a juventude do cineasta e para os momentos de amor e paixão que o moldaram.

A nostalgia desempenha um papel crucial em Nuovo Olimpo.

A nostalgia desempenha um papel crucial em Nuovo Olimpo. À medida que a trama se desenrola ao longo das décadas, testemunhamos a evolução das vidas dos personagens e a presença persistente desse amor não concretizado, uma espécie de fantasma que nunca se dissipa por completo. Essa nostalgia não apenas permeia a história, mas também se reflete na minuciosa reconstrução de Roma nas décadas de 1970, 80, 90 e no novo milênio. A cidade, o cinema onde se conheceram, o apartamento onde fizeram amor pela primeira vez, são mais do que meros cenários para a trama. Constituem sua geografia.

O filme é construído como um melodrama LGBTQIAP+, lembrando, em certos momentos, as obras de Pedro Almodóvar, ainda que sem o requinte narrativo e formal do mestre espanhol. É, essencialmente, uma jornada temporal, destacando como experiências passadas influenciam o presente e o futuro, convidando à identificação inevitável. Gavino e Di Luigi, que vivem seus personagens da juventude à maturidade, conseguem dar conta do desafio de amadurecerem, e envelhecerem, diante das câmeras, ainda que o trabalho de maquiagem deixe um pouco a desejar.

Apesar de algumas inconsistências no roteiro e de certos excessos melodramáticos, compensados por um desfecho bastante realista, Nuovo Olimpo é uma história de amor entre dois homens que transcende as definições de homossexualidade, bissexualidade ou heterossexualidade. Mas o filme não deixa de enfrentá-las, desafiando essas definições enquanto explora um tema latente em toda a narrativa: o conservadorismo da sociedade italiana.

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Tags: Cinema QueerFerzan OzpetekNetflixNuovo Olimpo

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