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‘Paterson’ celebra a poesia e a simplicidade do cotidiano

Cineasta do minimalismo e dos silêncios, Jim Jarmusch lembra, em ‘Paterson’, que o fluir da vida não é marcado, na maior parte do tempo, por grandiosos fenômenos inesquecíveis, mas configura-se pela junção constante de pequenas coisas.

porTiago Bubniak
23 de junho de 2020
em Cinema
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Paterson, de Jim Jarmusch

Adam Driver interpreta o protagonista, motorista poeta que tem o mesmo nome do filme e da cidade onde a história acontece. Imagem: Reprodução.

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Paterson (Adam Driver) é um motorista de ônibus que, atento à realidade trivial que o cerca, vê poesia nas pequenas coisas do dia a dia e a materializa em versos escritos em um caderno. Laura (Golshifteh Farahani) é uma dona de casa interessada em decoração, em ganhar a vida com cupcakes ou como cantora country. É da relação desse casal que Jim Jarmusch constrói, como diretor e roteirista, Paterson (2017), filme que tem tanto o nome do protagonista quanto da cidade onde a história transcorre.

A câmera e o roteiro de Jarmusch (esse cineasta do minimalismo e dos silêncios, que já brindou o cinema, dentre tantas obras, com Flores Partidas e Amantes Eternos) potencializam o comum, o assustadoramente comum que forma a rotina dos personagens. Do acordar praticamente na mesma hora sem auxílio do despertador ao passeio noturno com o cachorro de estimação, passando pelo conserto da caixa de correspondências (que, todo santo dia, aparece torta), a rotina do onipresente Paterson é profundamente demarcada no decorrer da película. Essa demarcação é reforçada ainda mais pelo fato de os dias da semana serem escritos na tela, um atrás do outro.

‘Paterson’ é uma homenagem à simplicidade das pequenas coisas que compõem a existência e do quanto é importante dar valor a todas elas.

Os poemas do protagonista também surgem grafados enquanto são lidos pelo autor, um recurso que valoriza os versos, dignos de atenção. O resultado de todos os recursos narrativos elaborados e combinados pelo diretor/roteirista é uma celebração sutil da singeleza do fluir da vida que, combinemos, na maior parte do tempo não é marcada por grandes fenômenos inesquecíveis, mas vai se configurando constantemente pela junção de pequenas coisas.

Nesse sentido, Paterson lembra muito Boyhood – Da Infância à Juventude, de Richard Linklater, filme que mostra, pura e simplesmente, o cotidiano de alguns personagens deslizando pela tela no decorrer de doze anos. O objetivo é filmar o passar dos dias de uma família, a simplicidade da vida, o imenso conjunto de pequenos momentos que, reunidos, dão forma à trajetória de cada um.

Em certo momento, Paterson exibe a linda cena de um caderno em branco em frente a uma queda d’água. O impacto do lirismo embebendo a alma do espectador tende a ser considerável, frente à grande metáfora do recomeço.

Paterson, portanto, é assim: um apanhado de lirismo coletado na observação singela do cotidiano, na absorção atenta do fluir constante das horas que compõem a vida, da qual cada um é convidado a extrair beleza e motivação para prosseguir. Paterson é um poema visual, uma homenagem à simplicidade das pequenas coisas que compõem a existência e do quanto é importante dar valor a todas elas.

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Tags: Adam DriverCinemaCríticaCrítica CinematográficaCrítica de CinemaJim JarmuschPatersonResenha

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