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Crítica: ‘Prison System 4614’: homens enclausurados em suas insatisfações diárias – Olhar de Cinema

Em 'Prison System 4614', o diretor, roteirista e produtor Jan Soldat, faz um retrato documental, sobre uma prisão autoconstruída.

porAline Vaz
12 de junho de 2015
em Cinema
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'Prison System 4614': homens enclausurados em suas insatisfações diárias

Imagem: Divulgação.

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O que você faz quando quer se desligar? Alguns procuram um novo lugar para conhecer, férias no exterior, alguns preferem a praia, outros o campo. Em Prison System 4614 (Sistema Prisional 4614), o diretor, roteirista e produtor Jan Soldat, faz um retrato documental, sobre uma prisão autoconstruída, em que homens podem ser encarcerados e torturados voluntariamente. O homem submetido à tortura diz que uma vez por ano vai à prisão para esquecer a vida difícil. O chefe que tortura diz que esses homens passam por um período de férias da rotina diária.

Nenhum preso é obrigado a estar nesse local, é uma escolha, um fetiche. Os encarcerados sentem-se excitados quando apanham, são algemados e impostos a provas de dor e sacrifício. Após o gozo, tornam-se vulneráveis e logo pedem para deixar a prisão.

Para alguns um jogo, para outros uma punição. Para nós o choque de uma dita realidade que não impõe limites para a dor.

Exibido na 4ª edição do Festival Internacional de Curitiba – Olhar de Cinema, compondo a mostra Outros Olhares, o documentário expulsou alguns espectadores da sala de exibição e manteve a atenção de outros. Mas certamente, antes de encontrar a simples resposta, ‘é um fetiche’, é possível que muitos tenham indagado: afinal, quem são esses homens? Quando suas vidas tornaram-se mais dolorosas do que a tortura física? É preciso sentir tanta dor, colocar-se em posição de submissão, para sentir prazer na vida, que fora dessa prisão é tão difícil?

Para alguns um jogo, para outros uma punição. Para nós o choque de uma dita realidade que não impõe limites para a dor. E de qual dor falamos? Qual prazer buscamos?

Com uma câmera parada que não coloca o espectador como participante da mise en scène, mas como observador, que se coloca em posição de privilégio, apequenando o sujeito na tela como aquele de quem se fala e a quem se vê, o olhar dá a sentença: Prison System 4614 representa homens e seus prazeres, oprimidos pelas grades de uma sociedade que tortura indivíduos em suas rotinas diárias.

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Tags: CríticaCrítica de CinemaFestival Internacional de CuritibaJan SoldatOlhar de CinemaPrison System 4614

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