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‘O Quarto Secreto’ é anti-conto de fadas sustentado em suspense e ficção científica

Disponível na Netflix, ‘O Quarto Secreto’, dirigido e roteirizado por Sebastián Gutiérrez, mistura gêneros para deixar forte mensagem de empoderamento feminino.

porTiago Bubniak
7 de dezembro de 2021
em Cinema
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‘O Quarto Secreto’ é anti-conto de fadas sustentado em suspense e ficção científica

Henry (Ciarán Hinds) e Elizabeth (Abbey Lee): cárcere privado em uma mansão tecnológica e eletronicamente bem estruturada no meio do nada. Imagem: Divulgação.

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A primeira entre as primeiras imagens que surgem quando o filme O Quarto Secreto (2018) começa é um olho. Justamente aquele que é o sentido mais estimulado pela arte cinematográfica. Olhares mais atentos e sensíveis aos apelos e à linguagem do cinema, logo pensarão que aquela imagem escolhida para abrir um filme não deve estar ali à toa e, portanto, tem um significado muito grande. O transcorrer da história mostrará o quanto esse pensamento está certo.

O fato é que este suspense com direção e roteiro do venezuelano Sebastián Gutiérrez provoca uma “explosão” de perguntas na cabeça do espectador e um convite a suposições até quase a metade da projeção. Somente aos poucos é que as perguntas serão respondidas e as suposições poderão ou não ser confirmadas. Não sem antes, na verdade, novas alterações repentinas acontecerem.

O espectador acompanha a trajetória de Elizabeth (Abbey Lee), recém-casada com Henry (Ciarán Hinds) que, depois, descobre-se ser um médico de prestígio. Ela é mantida em cárcere privado em uma mansão tecnológica e eletronicamente bem estruturada no meio do nada, com biometria obrigatória para acesso a vários dos cômodos. O ingresso a um dos quartos, no entanto, é proibido. Claro que Elizabeth tenta entrar lá e essa ação dá origem a uma série de reviravoltas que exigem uma alta carga de dramaticidade por parte de Abbey Lee para dar vida à protagonista. Os empregados Claire (Carla Gugino) e Oliver (Matthew Beard) são os coadjuvantes.

A produção funciona como um “anti-conto de fadas”, com o “castelo” aparentemente confortável revelando-se um ambiente claustrofóbico, hostil e perigoso.

Enquanto explora de forma ficcional as possibilidades da ciência e discute o limite entre o brilhantismo e a insanidade de uma mente humana, O Quarto Secreto mistura ficção científica com suspense e uma forte mensagem de empoderamento feminino. Sobretudo em seus segundos finais, que mantêm fortíssima relação com os segundos iniciais, fechando um ciclo narrativo instigante e bem arquitetado.

A produção funciona como um “anti-conto de fadas”, com o “castelo” aparentemente confortável revelando-se um ambiente claustrofóbico, hostil e perigoso, os serviçais afundando cada vez mais no mistério, o “príncipe” mostrando-se altamente instável e a “princesa” passando por momentos extremamente desafiadores em termos físicos e psicológicos.

“Eu sonhei que encontraria um homem brilhante. Eu o deixaria sem fôlego e ele, por sua vez, me afastaria de tudo o que é feio em um mundo secreto próprio”. A fala inicial que remete a um casamento perfeito, de proteção da mulher de um mundo perigoso, complementada por tudo o que vem depois, dá a ideia de quão “anti-conto de fadas” O Quarto Secreto revela-se. É ficção científica com suspense e empoderamento feminino.

Tags: Abbey LeeCiarán HindsCinemaCríticaCrítica CinematográficaCrítica de CinemaNetflixO Quarto SecretoResenhaReviewSebastián Gutiérrez

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