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Home Crônicas Alejandro Mercado

Caminhão de mudança

porAlejandro Mercado
30 de junho de 2016
em Alejandro Mercado
A A
"Caminhão de mudança", crônica de Alejandro Mercado.

Imagem: Reprodução.

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Mudar é morrer um pouco. Cheguei a esta constatação através do empirismo. Foram muitas mudanças ao longo da vida. Casas, cidades, estados. Com o passar dos anos esquecemos a quilometragem. Acredito que a afirmação com a qual inicio este texto seja verdadeira, pois dela surge outra lógica: mudar é recomeçar. Talvez tudo se trate apenas de perspectiva, meio naquela do “copo meio cheio/meio vazio”.

Não tenho sérios problemas com a mudança, mas confesso que o processo não me é aprazível. Quando você decide mudar – seja de casa, cidade, estado ou país – sem que nada tenha levado a isso a não ser sua própria vontade de experimentar um novo recomeço, se vê frente a frente com um esvaziamento sentimental, uma espécie de luto.

Começamos negando a necessidade. Aceitamos o aumento de aluguel; entendemos que aquela chamada de capital da administradora do condomínio para um novo hall de entrada é extremamente necessária; fazemos vista grossa para cada novo débito apresentado na reunião de condomínio. Naquele instante, parece impossível aceitar que o momento final tenha chegado. Tornamo-nos incapazes de acreditar que sim, precisamos deixar o belo apê bem localizado.

Vamos recordando os incontáveis momentos vividos naqueles metros quadrados, relembramos todas as ideias não concretizadas, os amigos que nunca nos visitaram, os fondues nunca feitos aos sábados de inverno.

Insistimos um pouco, não nos damos por vencidos. Partimos para a barganha. Negociamos. Diante da hipótese da mudança, invocamos a Deus e o mundo para encontrar uma solução, afinal, não queremos que o caminhão de mudança estacionado à frente do prédio seja uma realidade. Fazemos promessas e até sugerimos sacrifícios. “Pilates? Uma ida ao bar no fim de semana? Bobagem, corto tudo para arcar com o novo aluguel”.

Eis que sentimos a depressão. Começamos a nos dar conta que a mudança é inevitável, que o aumento dos gastos tornou-se incontornável. Não há mais como escapar à mudança. Começamos a sentir um certo vazio, um espaço que não consegue mais ser preenchido por nada – ou ninguém. Vamos recordando os incontáveis momentos vividos naqueles metros quadrados, relembramos todas as ideias não concretizadas, os amigos que nunca nos visitaram, os fondues nunca feitos aos sábados de inverno. Vemos sonhos e projetos irem embora, e outras lembranças associadas ao imóvel passam a ganhar um novo valor.

Até que aceitamos o fato de que não há mais meios para continuar no mesmo lugar. Aceitamos com paz e serenidade, sem qualquer espécie de desespero ou negação, que lar é lar em qualquer lugar. De fato, ainda levamos um certo tempo. A nova casa, cidade, estado ou país tem seus defeitos mais visíveis; sentimos como se não nos encaixássemos ali, até que um dia nossa perspectiva muda, o copo se torna meio cheio e passamos a ressignificar aquele ambiente. Ao final, entendemos que a vida é curta demais para fincarmos raízes e optamos em ser sementes.

Tags: Crônicaestágios da mudançamudança

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