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Quase fomos árabes

porYuri Al'Hanati
5 de fevereiro de 2018
em Yuri Al'Hanati
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Quase fomos árabes

Ilustração: Hassan Manasrah/Reprodução.

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Os últimos anos do século 20 representaram o derradeiro suspiro da cultura pop islâmica. Um fenômeno sem precedentes que, no entanto, só percebemos se juntarmos sob o signo de um mesmo conjunto todas as manifestações culturais árabes, persas, curdas e turcas esparsadas daquele período. É claro que tudo isso pode ser rastreado até o disco É o Tchan do Brasil, de 1997, em que a faixa de abertura, intitulada “Ralando o Tchan”, fez a mistura do Brasil com o Egito e deixou a todos súbita e estranhamente interessados na dança do ventre, mas foi mais perto dos anos 2000 que nos assoberbamos com a profusão musical de inspiração árabe. Tarkan jogava beijos estalados no refrão de “Şımarık”, enquanto Shakira Isabel Mebarak Ripoli ainda nos lembrava de suas raízes libanesas no clipe de “Ojos Así”, o quinto single de seu triunfal ¿Donde Están los Ladrones?, de 1998. Em alguma frequência de easy radio, Khaled revelava ao mundo o lounge argelino de “El Arbi” e arriscava batidas mais ocidentais com “Didi”. Todos balançavam o esqueleto ao som de sétimas melódicas, segundas menores e modos frígios explorados à exaustão.

Os últimos anos do século 20 representaram o derradeiro suspiro da cultura pop islâmica. Um fenômeno sem precedentes que, no entanto, só percebemos se juntarmos sob o signo de um mesmo conjunto todas as manifestações culturais árabes, persas, curdas e turcas esparsadas daquele período.

No cinema, o filme A Múmia, do tenebroso Stephen Sommers, dava ao público leigo a inclusão trash necessária para a exploração do oriente como nascente de mistérios e dramas pelos quais os intelectuais se derretiam com o boom do cinema iraniano. Os sensíveis Filhos do Paraíso, de Majid Majidi, e Gabbeh, de Mohsen Makhmalbaf vieram a engrossar as fileiras da excelência cinematográfica de Abbas Kiarostami, deslocando por um breve momento o eixo eurocêntrico do cinema de arte; em algum quarto de hotel, Salman Rushdie se enchia de esperanças com o fim da fatwa de 20 anos que o aiatolá Khomeini havia declarado contra ele, após o escritor lançar o livro Os Versos Satânicos, de 1979, e Alberto Saraiva sentiu que era o momento para lançar a bem-sucedida rede de fast-food árabe brasileira Habib’s, em 1998.

Não é preciso dizer que o 11 de Setembro solapou o projeto de popularizar o universo islâmico da mesma maneira como o ocasionalismo de Algazali encerrou, no século 12, o período de 300 anos que foi batizado na historiografia mundial como A Idade de Ouro do Islã. Se os avanços que colocaram Badgá como a capital mundial do conhecimento passaram a ser interpretados como obra do diabo na visão do teólogo sufista que revolucionou a fé muçulmana, a guerra ao Iraque promovida por George W. Bush, da mesma forma, abarcou todas essas manifestações em um grande redemoinho de tabus mal-explicados. A partir daí, as coisas voltaram à ordem mundial, e a música indie e os filmes de Guy Ritchie deslocaram o epicentro da cultura ocidental de volta para a Inglaterra. A novela O Clone, da Rede Globo, de outubro de 2001, deu ainda seu último incentivo ao Egito e ao Oriente Médio, reafirmando a suspensão do ceticismo que a vida na urbe nos impede, mas não foi o bastante. A tentativa de islamizar nossa cultura de maneira pacífica, sem califados e degolas de sabre, terminou para sempre com o encontro de dois aviões e duas torres.

Tags: A Múmiaabbas kiarostamiárabeCrônicaÉ o Tchanfilhos do paraísohabib'smundo islãonze de setembroshakira

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