• Sobre
  • Apoie
  • Política de Privacidade
  • Contato
Escotilha
Sem Resultados
Veja Todos Resultados
  • Reportagem
  • Política
  • Cinema
  • Televisão
  • Literatura
  • Música
  • Teatro
  • Artes Visuais
  • Reportagem
  • Política
  • Cinema
  • Televisão
  • Literatura
  • Música
  • Teatro
  • Artes Visuais
Escotilha
Home Literatura

‘A Armadilha’: a crônica de uma morte anunciada

Um dos últimos romances escritos por Emmanuel Bove, 'A Armadilha' é uma obra visceral e, terrivelmente, atual.

porJonatan Silva
24 de setembro de 2021
em Literatura
A A
A Armadilha, de Emmanuel Bove

Hitler durante visita a Paris em junho de 1940. Imagem: Henrich Hoffmann/Reprodução.

Envie pelo WhatsAppCompartilhe no LinkedInCompartilhe no FacebookCompartilhe no Twitter

A ocupação nazista da França, durante a Segunda Guerra, nunca foi um assunto bem resolvido para o povo francês e ainda perdura como uma chaga para os cidadãos alemães. O Nobel Patrick Modiano foi um dos autores francófonos que melhor conseguiu explorar esse tema tão delicado e boa parte da sua obra se dedica a investigar os anos em que Hitler governou à distância o país vizinho.

De alguma maneira, a literatura de Modiano é devedora de Emmanuel Bove, conterrâneo que conseguiu resumir o sentimento de fracasso e revolta dos franceses em A Armadilha, um romance-denúncia do colaboracionismo e da inércia. O livro é o retrato da atmosfera sombria e opressora, do medo constante e da impossibilidade de diálogo diante do abismo do silêncio imposto à força pelo conflito. Tentando escapar desse ambiente de estranheza e solidão, o jornalista Joseph Bridet se prepara para fugir do país. Em vez de buscar opções escusas, Bove enreda seu personagem em uma teia de idealismo e confusão ao recorrer a amigos influentes e à farda da sua profissão.

A Armadilha é uma história brilhante, porém, assustadora. Bridet é um homem andando no vazio, caminhando sob a corda bamba e enganado por todos ao seu redor. Em um lance de dados do destino, se vê como um sujeito kafkiano, acossado e impedido de entrar nos castelos. Diante da lei, está nu como um indigente à mercê das vontades e desejos dos apoiadores do regime nazista. Quando revida os soldados colaboracionistas atávicos, é açoitado pelo poder esmagador da suástica.

Em A Armadilha, Bove consegue construir um tom labiríntico e sufocante, uma síntese do espírito de uma época que parece se repetir como uma matriosca histórica terrível.

Bove cria Bridet à sua própria imagem e semelhança. Como o jornalista, o escritor se mudou em 1940 para Londres e, dois anos mais tarde, foge para a Argélia, onde escreve A Armadilha, seu último trabalho. Após a libertação da França, Bove retorna a Paris e, com a saúde bastante debilitada, morre em julho de 1945.

Esses atravessamentos entre realidade e ficção transformam o romance em uma obra visceral e, terrivelmente, atual – ainda que talvez seja um vício tentar enxergar no passado o nosso presente tão desesperançoso. Bridet é como Marsault – a inerte, niilista e, ao mesmo tempo fascinante criatura de Camus –, um homem perdido em seu tempo. Se o protagonista d’O Estrangeiro é indiferente à vida – a sua e a dos outros –, Bridet só quer salvar a própria pele e não pensa duas vezes em deixar sua mulher, Yolande, para trás.

Colocado face a face ao enigma mais primário, o da sobrevivência, Joseph Bridet revela também seus tons mais animalescos. Enjaulado na falsa liberdade do seu país, não vê outra saída a não ser deixá-lo. E com isso abandonar tudo e todos. Em A Armadilha, Bove consegue construir um tom labiríntico e sufocante, uma síntese do espírito de uma época que parece se repetir como uma matrioska histórica terrível.

A ARMADILHA | Emmanuel Bove

Editora: Mundaréu;
Tradução: Paulo Serber F. de Mello;
Tamanho: 208 págs.;
Lançamento: Maio, 2019.

COMPRE O LIVRO E AJUDE A ESCOTILHA

Tags: A ArmadilhaBook ReviewCrítica LiteráriaEditora MundaréuEmmanuel BoveLiteraturapatrick modianoResenha

VEJA TAMBÉM

Autora conversou com exclusividade com nossa reportagem. Imagem: Sebastián Freire / Divulgação.
Entrevistas

Mariana Enriquez: “Minha primeira impressão do mundo foi sob um regime autoritário muito feroz”

25 de março de 2026
Bellotto venceu o Jabuti de 2025 pela obra, lançada no ano anterior. Imagem: Chico Cerchiaro / Divulgação.
Literatura

‘Vento em Setembro’ transita entre o mistério e as feridas do Brasil

24 de março de 2026
Please login to join discussion

FIQUE POR DENTRO

Jopa Moraes e Patrícia Selonk dividem o palco em 'Dias Felizes', encenado durante o Festival de Curitiba. Imagem: Lina Sumizono / Divulgação.

Crítica: ‘Dias Felizes’ e o desconforto (extremo?) de Beckett – Festival de Curitiba

7 de abril de 2026
Rafael Souza-Ribeiro em cena em 'Jonathan'. Imagem: Annelize Tozetto / Divulgação.

Crítica: ‘Jonathan’ ou o corpo que reescreve a História – Festival de Curitiba

6 de abril de 2026
Montagem de 'Reparação'. Imagem: Annelize Tozetto / Divulgação.

Crítica: ‘Reparação’ confronta a misoginia ao transformar a violência real em espetáculo incômodo – Festival de Curitiba

6 de abril de 2026
Líder do The National, Matt Berninger vem ao C6 Fest com sua carreira solo. Imagem: Chantal Anderson / Divulgação.

C6 Fest – Desvendando o lineup: Matt Berninger

2 de abril de 2026
Instagram Twitter Facebook YouTube TikTok
Escotilha

  • Sobre
  • Apoie
  • Política de Privacidade
  • Contato
  • Agenda
  • Artes Visuais
  • Colunas
  • Cinema
  • Entrevistas
  • Literatura
  • Crônicas
  • Música
  • Teatro
  • Política
  • Reportagem
  • Televisão

© 2015-2023 Escotilha - Cultura, diálogo e informação.

Sem Resultados
Veja Todos Resultados
  • Reportagem
  • Política
  • Cinema
  • Televisão
  • Literatura
  • Música
  • Teatro
  • Artes Visuais
  • Sobre a Escotilha
  • Contato

© 2015-2023 Escotilha - Cultura, diálogo e informação.