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‘Balé Ralé’, de Marcelino Freire, um ensaio para dizer algo

Livro de contos 'Balé Ralé' é trabalho de Marcelino Freire com mais poesia assumida, misturando erudito e popular com prosa ágil, influenciada pelo maracatu e pelo cordel.

porWalter Bach
3 de dezembro de 2015
em Literatura
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'Balé Ralé', de Marcelino Freire, um ensaio para dizer algo

Marcelino Freire. Imagem: Mario Miranda Filho/Agência Foto.

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“Minha dança é a da vida contra a morte”. Esta citação antecede os contos de Balé Ralé, de Marcelino Freire, e junto com a capa entrega uma leve pista do que encontramos neste livro. A capa é uma reprodução de “Os homens de Weerdinge”, que mostra dois corpos humanóides um pouco desfigurados, como se um pusesse o braço pelas costas do outro e o entrega sua mão, quase o tirando para dançar.

Quem dança são os personagens, cada um em busca do próximo passo: seja a busca de um par, uma discussão banal que podia ter sido evitada, um conflito interior que ganha espaço em um discurso auto depreciativo, a insistência nos relacionamentos sejam quais forem, reforçada por uma tentativa de um gesto afetuoso ou meia dúzia de segredos ensaiados, mas que nunca foram levados ao palco.

Algumas falas combinam melancolia e humor: “a vida é um suicídio” e “a esperança é a última que se fode”; e a maneira dos personagens se expressar cria espaço para mais temas além das inconfissões. “Filho, sua mãe é homossexual. Está amando outra mulher e sendo amada. Filho, entenda. Como dizer isso? Não passa de hoje, quando chegar em casa.” – diz a narradora de “Minha Flor”. Ela se defende mesmo sem ter sido atacada, diz que amou imensamente o pai do filho, que a deu tudo, mas ficou um buraco na vida desta mãe após o marido falecer, e não tardou para ela descobrir-se amada por outra. Só não descobriu como revelar isso ao filho e ensaia mentalmente como o fazer.

O jeito dessa mãe contrasta com o de outros personagens.

O jeito dessa mãe contrasta com o de outros personagens, como a união entre afeto e agressividade de “Mãe que é mãe”, a pose involuntariamente chocante de “Homo Erectus” e “Mulheres Trabalhando”, e o tema claríssimo de “Papai do Céu”, talvez o conto mais veloz devido a sua estrutura.

Todas as narrativas fluem rápido, não apenas pela brevidade – a mais longa dura apenas doze paginas -, mas graças ao ritmo de frases curtas e linguagem coloquial, às vezes imitando a fala. O homossexualismo é destacado na maioria delas, sem tom panfletário e nem como se fosse o único tema. Isso combina com o autor, que já se declarou “homossexual não praticante” e até zombou dessa questão em uma entrevista: “O cara que é viado sempre diz: ‘Vou contar para a minha mãe que eu sou viado’. Mas para que contar a mãe que é viado? Você foi dizer para a sua que é hétero?”. Se o autor não precisou ensaiar tal resposta, seus personagens dançam na direção contrária, contidos em si mesmos até que alguém os tire para um balé.

BALÉ RALÉ | Marcelino Freire

Editora: Ateliê Editorial;
Tamanho: 144 págs.;
Lançamento: Setembro, 2004.

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Tags: Ateliê EditorialBalé RalécontosCrítica LiteráriaLiteraturaMarcelino Freire

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