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Home Literatura

‘Orgulho e Preconceito’: muito mais do que uma história de amor

Segundo romance de Jane Austen, 'Orgulho e Preconceito' transforma um relacionamento amoroso em retrato crítico da sociedade inglesa.

porTamlyn Ghannam
13 de agosto de 2017
em Literatura
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'Orgulho e Preconceito': muito mais do que uma história de amor

Imagem: Reprodução.

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Favorito de muitos leitores de Jane Austen, Orgulho e Preconceito (1813) traz como protagonista Elizabeth Bennet, a segunda entre cinco irmãs que vivem em Longbourn, na Inglaterra do final do século XVIII, provenientes de uma família provinciana sem muitos recursos. Enquanto a vida das outras moças da casa gira em torno da expectativa de um matrimônio promissor, única saída possível para qualquer mulher que não possuísse bens materiais, as preocupações de Elizabeth são outras. Seu pensamento é muito mais liberal, completamente hostil ao casamento por conveniência. Por essa razão, Lizzie é imensamente admirada pelo pai, também contra as bodas gananciosas, e a menos querida pela mãe, que tanto apoia a busca por maridos ricos.

Não só a sra. Bennet é contrariada pelos ideais da filha. A primeira frase do livro, uma das mais célebres da literatura, deixa evidente a propensão de todo o corpo social inglês daquela época: “É uma verdade universalmente reconhecida que um homem solteiro e muito rico deve precisar de uma esposa”. Essa espécie de provérbio torna mais que natural a disputa das jovens descompromissadas pelos ricos solteirões. Dessa competição, a heroína do romance mantém-se afastada. Elizabeth Bennet não é contra as núpcias, mas sim contra as relações em que prevalece o interesse material sobre o sentimento.

Nesse contexto, surgem duas personagens fundamentais para o desenrolar da história, Mark Darcy e Charles Bingley, cavalheiros ricos e solteiros, locatários de uma mansão em Netherfield Park, próxima à propriedade dos Bennet. As meninas de Longbourn ficam extasiadas com os novos vizinhos e, com a ajuda materna, não perdem a oportunidade de aproximação, dando início à verdadeira trama do romance.

Aliás, repleto de mulheres de caráter notório, a melhor qualidade do segundo romance de Jane Austen é justamente a impecável construção de cada uma delas.

O pai das garotas, sr. Benett, embora não apoie a postura da esposa casamenteira, assume confortavelmente uma maneira negligente, sem preocupar-se verdadeiramente com o destino das filhas, aceitando passivamente as ambições desenfreadas sustentadas pela sra. Bennet. Em determinado momento, toda a família sofrerá as consequências de tamanho comodismo do patriarca (praticamente dispensável no livro), o que só reforça a importância da iniciativa feminina como motor em Orgulho e Preconceito.

Elizabeth Bennet, sem dúvida a personagem mais forte da obra, é uma das mais marcantes protagonistas da literatura mundial pela sua ousada autossuficiência em uma época em que tal característica era incomum, especialmente nas mulheres. Aliás, repleto de mulheres de caráter notório, a melhor qualidade do segundo romance de Jane Austen é justamente a impecável construção de cada uma delas.

Colhendo em seu cotidiano características que imprimirá nas personagens, a autora baseia-se em pessoas reais da sociedade inglesa da qual fazia parte. Assim, seus personagens tão caricaturais, descritos com ironia e humor ácido, não só causaram impacto quando recém-conhecidos pelo público como ainda continuam a impressionar por sua verossimilhança. Recuperando traços de exemplos verídicos, Austen cria uma galeria de personagens atemporais, semelhantes a muitas personalidades sobreviventes até hoje.

Desse modo, Orgulho e Preconceito vai muito além de um mero romance romântico. Através dele, a autora demonstra que tanto o orgulho quanto o preconceito não são exclusivos de determinada classe social. Embora manifestem-se de modos diferentes e com intensidades distintas, a depender também da condição socioeconômica de quem os emprega, Austen nos convence de que qualquer um é passível de cultivar esses sentimentos. Ao contrapor as classes ricas (representadas por Mr. Darcy), às menos favorecidas (representadas por Lizzie), Jane Austen retrata os erros e virtudes de ambas. Por essa razão Orgulho e Preconceito é de grande – e ainda pertinente – valor entre as maiores obras literárias mundiais.

ORGULHO E PRECONCEITO | Jane Austen

Editora: Martin Claret;
Tradução: Roberto Leal Ferreira;
Tamanho: 382 págs.;
Lançamento: Setembro, 2013 (atual edição).

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Tags: análise literáriaClássicos da LiteraturaCrítica LiteráriaJane AustenLiteraTamyLiteraturaLiteratura ClássicaLiteratura InglesaMartin ClaretOrgulho e preconceitoResenha

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