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Home Literatura

Patrick Modiano e o mergulho na história pessoal

Inédito no Brasil, 'Encre sympathique', de Patrick Modiano, é uma peça-chave para entender a literatura do Nobel e os caminhos que levam à banalidade do mal.

porJonatan Silva
22 de maio de 2020
em Literatura
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Patrick Modiano durante os anos 1960, em Paris. Foto: Reprodução.

Patrick Modiano durante os anos 1960, em Paris. Foto: Reprodução.

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O escritor francês Patrick Modiano costuma dizer que escreve a vida toda o mesmo livro. É comum que suas histórias se cruzem, que personagens reapareçam com outros nomes ou que o mesmo personagem ressurja completamente diferente. A exemplo de gigantes, como Auster e Roth, Modiano investiga o mesmo universo, se debruça sobre as mesmas obsessões ao longo dos anos.

A novela Encre sympathique, obra mais recente e ainda inédita no Brasil, é – como a maioria dos livros de Patrick Modiano – um romance policial travestido de livro de memórias. Modiano, vencedor do Nobel de Literatura em 2014, passeia pelos seus caminhos favoritos: a Paris pós-ocupação nazista, a mulher misteriosa que desaparece e os personagens obscuros que ora ajudavam no processo de busca e ora levam o narrador e o leitor para uma direção completamente distinta.

Modiano constrói um texto em espiral cujo eixo central é Jean Eyben, ex-detetive encarregado de encontrar Noëlle Lefebvre – la femme desparue de Encre sympathique. Passadas três décadas, Eyben reencontra o dossiê – praticamente vazio – com o caso que não conseguiu solucionar e retoma a procura. Aparentemente simples, o livro é um dos melhores e mais intrincados de Modiano. Se por um lado existem as duas cores pessoais, por outro o escritor encontra outros caminhos dentro do mesmo itinerário.

Lefebvre é a peça que falta no quebra-cabeça pessoal de Eyben. Muito mais encontrá-la, o ex-detetive busca as suas próprias histórias que ficaram perdidas no tempo. Todo o percurso de busca é, antes de tudo, uma forma de o narrador reviver a sua juventude e os anos romântico de sua vida. É como se ele próprio estivesse perdido no tempo, em busca de uma coisa que não sabe exatamente o que é. (Algo bastante comum na literatura de Modiano.)

É interessante pensar que o mais importante dentro da literatura de Patrick Modiano é a busca como metáfora e a literatura como lugar de encontro.

Tinta invisível

Por encre sympathique podemos entender algo como tinta invisível – aquela que revela mensagens secretas em cartas. E essa talvez seja a chave para entender a relação do conto de Modiano e com a banalidade do mal. Nas inúmeras camadas que dão forma ao livro, podemos compreender a gênese do desejo e as suas tantas interpretações possíveis.

Por isso, como em Para você não se perder no seu bairro ou em Dora Bruder, Encre sympathique brinca com a ideia de tempo e de memória. Essa estratégia narrativa faz com as histórias estejam sempre envolvidas em uma espécie de névoa, uma neblina que sobre as percepções e os pensamentos dos seus personagens ou como se fossem cegos ao presente, conseguindo enxergar somente as lembranças selecionadas de um passado cada vez mais remoto.

É interessante pensar que o mais importante dentro da literatura de Patrick Modiano é a busca como metáfora e a literatura como lugar de encontro. Longe de ter encontrado um terreno confortável, o autor de Flores da ruína ainda exima fatos que precisam de luz, como se mexesse nos velhos baús da História para que não deixe dormir os absurdos da guerra e do extremismo.

ENCRE SYMPATHIQUE | Patrick Modiano

Editora: Gallimard;
Tamanho: 144 págs.;
Lançamento: Outubro, 2019 (na França).

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Tags: Book ReviewEncre sympathiqueLiteraturaLiteratura FrancesaNobel de LiteraturaParispatrick modianoPaul AusterPhilip RothPós-guerraResenha

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