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C6 Fest – Desvendando o lineup: English Teacher

Conhecidos por floreios instrumentais e letras impressionistas, britânicos da English Teacher vem ao Brasil para o C6 Fest. Escotilha te apresenta a banda britânica. Esse artigo faz parte de uma série de textos em que desvendamos o lineup de um dos mais interessantes festivais do país.

porAlejandro Mercado
20 de maio de 2025
em Música
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English Teacher chegam ao Brasil para mostrar uma nova cara do indie britânico. Imagem: Tatiana Pozuelo / Divulgação.

English Teacher chegam ao Brasil para mostrar uma nova cara do indie britânico. Imagem: Tatiana Pozuelo / Divulgação.

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Há algo de subversivamente elegante no modo como a English Teacher organiza o caos. Ao longo de seus primeiros lançamentos e, sobretudo, em This Could Be Texas (Island Records, 2024), seu álbum de estreia — aclamado pela crítica e vencedor do Mercury Prize de 2024 — a banda de Leeds, que vem ao C6 Fest deste ano, constrói uma narrativa fragmentária e ao mesmo tempo precisa sobre o estado de espírito de uma Grã-Bretanha em ruínas emocionais, políticas e sociais.

Formado por Lily Fontaine (vocais, guitarra rítmica), Lewis Whiting (guitarra solo), Douglas Frost (bateria) e Nicholas Eden (baixo), o grupo começou a se consolidar em 2020, mas as sementes foram plantadas dois anos antes, quando os quatro se conheceram no Leeds Conservatoire.

Eles atenderam pelo nome “Frank” em sua encarnação inicial — uma banda de dream pop que não resistiu à urgência de se reinventar. A guinada sonora e estética viria com a adoção do novo nome, um tanto cínico e autorreferente: Lily Fontaine, afinal, trabalhou como professora de inglês antes de viver da música.

Mais do que “apenas outra banda pós-punk”

Seria um erro tomar a English Teacher como apenas mais uma banda pós-punk a emergir da prolífica cena do norte da Inglaterra nos anos 2020. Ao contrário dos contemporâneos que se apoiam na rigidez das linhas de baixo ou na afetação vocal, o grupo opera com uma estética de inquietação constante.

Os shows são menos exercícios de virtuosismo e mais rituais de colapso emocional.

Suas músicas são feitas de recuos, silêncios inesperados, mudanças abruptas de andamento e letras que oscilam entre o existencialismo cotidiano e a crônica sociopolítica. A crítica do álbum publicada na Pitchfork não exagera ao sugerir que, a cada faixa, você é empurrado e puxado em múltiplas direções ao mesmo tempo — melodicamente, ritmicamente, emocionalmente.

É difícil não ver em This Could Be Texas uma obra de estreia que beira o manifesto. O título — que evoca ao mesmo tempo a vastidão e o absurdo — é uma piada interna que se transforma em metáfora geopolítica. Texas representa o que a Inglaterra poderia ser se levasse suas contradições sociais ao extremo, ideia compartilhada pelo jornalista John Harris em coluna no The Guardian.

As faixas do disco oscilam entre o surrealismo lírico de “Broken Biscuits”, o post-rock colapsado de “Mastermind Specialism” e a poesia ácida de “The World’s Biggest Paving Slab”, que resume bem o tom do álbum: uma mistura de banalidade e desespero elevado ao sublime.

Uma frontwoman em um universo predominantemente masculino

O que distingue a English Teacher, no entanto, é a presença carismática e cerebral de Lily Fontaine — uma frontwoman rara, que conjuga fragilidade e firmeza, engajamento político e lirismo impressionista. De ascendência britânica e nigeriana, Fontaine é uma das poucas mulheres não brancas a figurar com protagonismo na cena indie britânica atual, fato que ela não ignora. Em “R&B”, primeiro single da banda lançado em 2021, ela ironiza a expectativa de que seu som devesse soar mais “étnico” ou “urbano” por conta de sua aparência — um gesto de afirmação artística e crítica racial que já deixava claro o terreno que pisavam.

Ao vivo, a banda opera com uma intensidade desconcertante. Os shows são menos exercícios de virtuosismo e mais rituais de colapso emocional: há algo de deliberadamente desorganizado no modo como eles conduzem a tensão. No Glastonbury de 2024, a English Teacher não apenas se apresentou — consagrou-se, como as inúmeras críticas à apresentação do grupo que ecoam a euforia em torno deles.

Mas talvez o feito mais notável da banda tenha sido sobreviver — e florescer — em um contexto de sucateamento das artes no Reino Unido. Ao receber o Mercury Prize, Fontaine declarou: “Somos a prova de que o financiamento público à arte funciona”. Não se trata apenas de retórica. A trajetória do quarteto é atravessada por residências artísticas, bolsas de criação e espaços culturais locais que tornaram possível o desenvolvimento de uma linguagem musical própria, politizada e profundamente contemporânea. Agora é a vez do Brasil conferir isso de perto.

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O C6 Fest de 2025 acontece entre os dias 22 e 25 de março, no Parque Ibirapuera. Com Air, The Pretenders e Wilco liderando o festival, nomes como Amaro Freitas, Nile Rodgers e Gossip também subirão aos palcos. A Escotilha estará na cobertura e, nos próximos dias, apresentará os artistas, dando um panorama do que o público brasileiro deve esperar dos shows.

Tags: C6 FestEnglish TeacherMúsica

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