• Sobre
  • Apoie
  • Política de Privacidade
  • Contato
Escotilha
Sem Resultados
Veja Todos Resultados
  • Reportagem
  • Política
  • Cinema
  • Televisão
  • Literatura
  • Música
  • Teatro
  • Artes Visuais
  • Reportagem
  • Política
  • Cinema
  • Televisão
  • Literatura
  • Música
  • Teatro
  • Artes Visuais
Escotilha
Home Música

C6 Fest – Desvendando o lineup: Pretenders

Formada no fim dos anos 1970 e liderada por Chrissie Hynde, Pretenders vem ao C6 Fest para destilar seus clássicos e estilo vocal marcante de sua frontwoman. Escotilha te apresenta a banda britânica. Esse artigo faz parte de uma série de textos em que desvendamos o lineup de um dos mais interessantes festivais do país.

porAlejandro Mercado
9 de maio de 2025
em Música
A A
Cantora trará sucessos e canções de seu 12º disco de estúdio. Imagem: Ki Price / Divulgação.

Cantora trará sucessos e canções de seu 12º disco de estúdio. Imagem: Ki Price / Divulgação.

Envie pelo WhatsAppCompartilhe no LinkedInCompartilhe no FacebookCompartilhe no Twitter

Em um cenário musical em que a autenticidade muitas vezes se perde em meio às tendências passageiras, os Pretenders permanecem como um bastião de integridade artística. Desde sua formação em 1978, a banda, liderada pela inconfundível Chrissie Hynde, tem trilhado um caminho singular, mesclando rock, punk e new wave com uma sensibilidade única. Agora, voltam ao Brasil para apresentar seus hits no próximo C6 Fest.

Hynde, natural de Akron, Ohio, mudou-se para Londres em 1973, imersa na efervescente cena punk britânica. Após experiências com bandas como Masters of the Backside e Moors Murderers, ela finalmente encontrou os parceiros ideais: o baixista Pete Farndon, o guitarrista James Honeyman-Scott e o baterista Martin Chambers. Assim nasceu o Pretenders, nome inspirado na canção “The Great Pretender” dos Platters.

Durante décadas, liderando o Pretenders com um misto de contenção elegante e fúria súbita, Chrissie Hynde parece ter habitado uma encruzilhada improvável: entre a ternura e a violência, o romantismo e o desencanto, o underground e o mainstream. Com tantos modismos passageiros por aí, sua música — e sua postura — sempre pareceram estranhamente fora do tempo. Ainda bem.

Cravada nas entranhas do punk

A história da banda é muitas vezes contada como um drama de sobrevivência, e com razão. Formado em Londres, em 1978, o Pretenders surgiu no calor da cena punk, com Chrissie orbitando as bandas mais perigosas e interessantes da cidade.

Ela trabalhou na Sex, loja de Vivienne Westwood e Malcolm McLaren, tentou entrar nos Sex Pistols, escreveu para a NME, e flertou com o colapso mais de uma vez antes de, finalmente, formar sua própria banda — com músicos britânicos escolhidos a dedo.

O que se ouve no primeiro álbum da banda, Pretenders (1980), é um tipo de urgência que parece até hoje impossível de reproduzir. “Precious”, faixa de abertura, é uma ameaça urbana travestida de canção pop. “Brass in Pocket” transformou Chrissie na primeira mulher a atingir o topo das paradas britânicas com uma composição própria. A imprensa a saudou como um antídoto para o cinismo do pós-punk: uma compositora de mão cheia, com presença e atitude suficientes para liderar qualquer palco, sem jamais se vender à caricatura da “mulher forte do rock” que a indústria tanto adora empacotar.

O luto como estética: uma metamorfose contínua

Mas o preço foi alto. Entre 1982 e 1983, Hynde perdeu dois membros fundadores da banda: Honeyman-Scott morreu de overdose aos 25 anos; Farndon foi demitido devido ao vício em heroína e morreu meses depois, afogado na banheira. Era o fim de uma formação que, por um breve instante, parecia imbatível. Era também o começo da longa travessia que marcaria os anos seguintes do Pretenders — uma banda que se tornaria, cada vez mais, a extensão emocional e estética de sua líder.

Desde então, os integrantes do grupo foram muitos — e todos orbitando Hynde. O som variou: do pop radiofônico de “Don’t Get Me Wrong” (Get Closer, 1986) ao rock confessional de Alone (2016), passando pelo inesperado tom político do subestimado Break Up the Concrete (2008).

Mas o fio condutor nunca se rompeu. O que se mantém, em cada disco, é a voz de Chrissie: uma voz que não suplica nem implora, apenas afirma — com orgulho ferido, cansaço elegante ou desprezo controlado — que o amor pode ser uma guerra justa, mas é sempre uma guerra.

O silêncio após o estrondo

Em Relentless (2023), lançado já com Hynde aos 72 anos, essa persistência atinge um novo nível. O título não é gratuito: a música do Pretenders soa mais serena, mas a fúria que a move nunca foi tão clara. Com colaboração do guitarrista James Walbourne (parceiro da fase mais recente da banda) e arranjos orquestrais de Jonny Greenwood, do Radiohead, o disco é ao mesmo tempo sóbrio e cortante.

Chrissie Hynde parece ter habitado uma encruzilhada improvável: entre a ternura e a violência, o romantismo e o desencanto, o underground e o mainstream.

“Let the Sun Come In”, faixa de abertura, mistura psicodelia tardia e pop sessentista com a melancolia de quem sabe que as respostas já não importam mais. Hynde soa mais livre do que nunca — talvez porque, enfim, não tenha mais nada a provar.

Hoje, os Pretenders não são uma banda nostálgica. São, antes, uma ideia: a de que o rock pode ser, ainda, um instrumento de expressão pessoal radical. Não no sentido do choque ou da novidade, mas da resistência íntima. Hynde canta como quem resiste a um mundo que queria torná-la caricatura, musa, mártir — e que, sem conseguir, se contentou em vê-la seguir adiante, disco após disco, contra todas as probabilidades. E é isso, afinal, o que torna os Pretenders tão únicos: a constatação de que viver, criar e continuar — apesar de tudo — é um gesto de insubordinação.

—

O C6 Fest de 2025 acontece entre os dias 22 e 25 de março, no Parque Ibirapuera. Com Air, The Pretenders e Wilco liderando o festival, nomes como Amaro Freitas, Nile Rodgers, Gossip e Mulatu Astatke também subirão aos palcos. A Escotilha estará na cobertura e, nos próximos dias, apresentará os artistas, dando um panorama do que o público brasileiro deve esperar dos shows.

ESCOTILHA PRECISA DE AJUDA

Que tal apoiar a Escotilha? Assine nosso financiamento coletivo. Você pode contribuir a partir de R$ 15,00 mensais. Se preferir, pode enviar uma contribuição avulsa por PIX. A chave é pix@escotilha.com.br. Toda contribuição, grande ou pequena, potencializa e ajuda a manter nosso jornalismo.

CLIQUE AQUI E APOIE

Tags: C6 FestChrissie HyndeThe Pretenders

VEJA TAMBÉM

Da esquerda para a direita: Cameron Winter, Max Bassin, Dominic DiGesu, Emily Green. Imagem: Jeremy Liebman / Reprodução.
Música

Geese transforma exaustão em movimento em ‘Getting Killed’

22 de dezembro de 2025
Imagem: Divulgação.
Música

‘Sharon Van Etten & The Attachment Theory’ abre uma nova fresta emocional em meio ao caos

15 de dezembro de 2025

FIQUE POR DENTRO

Timothée Chalamet está indicado ao Oscar de melhor ator por sua interpretação de Marty Mauser. Imagem: A24 / Divulgação.

‘Marty Supreme’ expõe o mito da autoconfiança americana

5 de fevereiro de 2026
'Guerreiras do K-Pop' desponta como favorito na categoria de melhor canção original no Oscar 2026. Imagem: Sony Pictures Animation / Divulgação.

O fenômeno ‘Guerreiras do K-Pop’

4 de fevereiro de 2026
Rhea Seehorn encarna Carol Sturka diante de um mundo em uma violenta transformação. Imagem: High Bridge Productions / Divulgação.

‘Pluribus’ faz da felicidade obrigatória uma forma de violência

3 de fevereiro de 2026
A escritora argentina Samanta Schweblin. Imagem: Alejandra Lopez / Divulgação.

Em ‘O Bom Mal’, Samanta Schweblin mostra que o horror mora ao lado

30 de janeiro de 2026
Instagram Twitter Facebook YouTube TikTok
Escotilha

  • Sobre
  • Apoie
  • Política de Privacidade
  • Contato
  • Agenda
  • Artes Visuais
  • Colunas
  • Cinema
  • Entrevistas
  • Literatura
  • Crônicas
  • Música
  • Teatro
  • Política
  • Reportagem
  • Televisão

© 2015-2023 Escotilha - Cultura, diálogo e informação.

Sem Resultados
Veja Todos Resultados
  • Reportagem
  • Política
  • Cinema
  • Televisão
  • Literatura
  • Música
  • Teatro
  • Artes Visuais
  • Sobre a Escotilha
  • Contato

© 2015-2023 Escotilha - Cultura, diálogo e informação.