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‘Todas as Bandeiras’, de Maglore, é um disco certeiro para o nosso tempo

Quarto disco da Maglore, 'Todas as Bandeiras' consegue aliar o rock e o pop de forma certeira, dando espaço para composições que grudam na cabeça.

porRenan Guerra
11 de setembro de 2017
em Música
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‘Todas as Bandeiras’, de Maglore, é um disco certeiro para o nosso tempo

Lelo Brandão, Felipe Dieder, Teago Oliveira e Lucas Oliveira, o Maglore. Imagem: Duane Carvalho/Divulgação.

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OMaglore chega ao seu quarto disco com uma nova formação, em quarteto, diferente do trio que desenvolveu seu disco anterior, o III. Teago Oliveira (voz e guitarra), Lucas Oliveira (voz e baixo), Lelo Brandão (teclados, guitarra e voz) e Felipe Dieder (bateria) lançam agora Todas as Bandeiras, um discão de pop rock com todos os elementos certos para cativar o público.

Mesclando referências que passam por Beatles, The Smiths e a MPB dos anos 70, a banda baiana consegue construir um universo bem amplo, de identificação fácil, detalhando cenários bastante atuais: solidão, medo, desilusão, violência e coração partidos permeiam suas canções de refrões pegajosos.

Há em todo o disco certo sorriso em meio ao vendaval, como que tentando nos fazer crer em algo: é nesse universo que Todas as Bandeiras tem forças para funcionar como um antídoto para nos agarrarmos nesses tempos meio nebulosos.

Faixas como “Calma”, que diz “nada fica fora do lugar / por tanto tempo”, ou “Aquela força”, com seus versos “Conservar a força / Que faça crer que o futuro será nosso amigo” fazem muito sentido nesse mês, quando se discute o Setembro Amarelo, campanha de prevenção ao suicídio. O link entre as faixas do Maglore e esse tema surge pela sutileza poética da banda, que consegue dizer “não desista” sem qualquer ranço de autoajuda, mas sim com um olhar que diz “estamos todos nesse barco, bora aproveitar”.

“Me deixa legal”, por exemplo, é quase uma ode a uma fuga psicotrópica dessa loucura dos nossos dias, quando diz “A gente vive muita fantasia / Em casa no trabalho e na política / E dá vontade de ir embora / Usando um traje espacial”. “Clonazepam 2mg” também fala dessa fuga, dessa tentativa de se encaixar, aqui marcada pelo remédio ansiolítico que dá título a faixa.

É curioso que mesmo em meio a temas barra pesada, o saldo final do disco seja bastante solar, como uma injeção de ânimo, como um expurgo: cantando bem alto as canções limpamos nosso corpo de tanta coisa ruim que nos atormenta cotidianamente. E como eles entoam na faixa título: “E toda vez que a gente morre assim, renasce / A gente renasce!”

Mesmo em meio a temas barra pesada, o saldo final do disco seja bastante solar, como uma injeção de ânimo.

O interessante das canções é que elas abrem caminhos para diferentes interpretações, cabendo ao ouvinte inserir seu universo dentro desses versos e assim os entender à sua maneira.

Parte disso vem da produção de Rafael Ramos e Leonardo Marques, que consegue dar um tom coeso ao disco, que passeia entre seus momentos mais pop e aqueles mais psicodélicos, sem se perder, nos levando numa viagem realmente envolvente.

Lançado pela Deckdisc, este trabalho marca um caminho natural de evolução na carreira do Maglore, e por isso mesmo pode ser uma boa porta de entrada para quem ainda não é inteirado do universo da banda. Um discão de rock à brasileira que não tem qualquer medo de ser pop, Todas as Bandeiras é pra ser ouvido em volume alto!

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Tags: bandas brasileirasBeatlesCrítica MusicalDeckdiscMagloreMPBMúsicaPoppsicodeliaResenhaRockrock brasileiroThe SmithsTodas as bandeiras

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