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Home Música

O esforço de Macklemore para ser o cara legal do rap

porLucas Paraizo
3 de março de 2016
em Música
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Macklemore é provavelmente a figura da música atual que mais se esforça para ser um cara legal. Ele parece um cara desajeitado que escreve textão no Facebook e até que tem uma ideia boa, mas se perde na execução. É como aquele seu amigo que faz um post criticando o Bolsonaro mas termina com um meme ou um piada sobre peido, ou como a rede social do Ministério do Trabalho que é comandada pelo social media engraçadão que ilustra com uma capivara o post sobre desemprego no Brasil. É como se o Faustão cantasse uma canção política do Criolo e terminasse falando “ô loco, meu!”. É mais ou menos assim que me sinto escutando o disco novo da dupla Macklemore & Ryan Lewis.

O rapper e seu companheiro produtor chegaram ao estrelato do dia para a noite em 2012 com The Heist, um disco superproduzido, cheio de hits e uma mistura de humor, músicas dançantes e discursos políticos. “Same Love” era o principal exemplo, a música sobre direitos homossexuais que virou uma espécie de hino da causa. The Heist era claramente feito por um cara normal que ganhou proporções maiores que esperava ao cantar até sobre consumismo. Mas, agora, a dupla vem com This Unruly Mess I’ve Made, um álbum em que Macklemore se esforça ainda mais para ser um cara legal, político e consciente.

“Light Tunnels”, a primeira faixa do disco, dá uma boa impressão sobre o que vamos ouvir aqui. Nela, Macklemore canta sobre o quão deslocado se sentiu no Grammy de 2014, quando a dupla venceu quatro prêmios. Após a premiação, o rapper pediu desculpas a Kendrick Lamar, pois acreditava que o prêmio de melhor disco de rap deveria ter ido para Good Kid, M.A.A.D City (2012) e não para The Heist. Na primeira música do disco novo, ele canta sobre o nervosismo desse Grammy, sobre não saber o que falar quando sobe no palco e sobre tomar cuidado para não fazer nenhum olhar engraçado e virar um meme. Macklemore não faz a mínima questão de parecer superior ou blasé, ele quer mesmo é ser da galera que tropeça no caminho para a premiação e assume isso.

Macklemore não faz a mínima questão de parecer superior ou blasé, ele quer mesmo é ser da galera que tropeça no caminho para a premiação e assume isso.

This Unruly Mess ainda tem uma canção dedicada à filha recém nascida de Macklemore (“Growing Up”), que conta com a participação de Ed Sheeran e é perfeita para virar frases motivacionais no Facebook (“Don’t try to change the world, find something that you love and do it every day / do that for the rest of your life and eventually, the world will change”). Outra faixa é sobre um amigo que morreu de overdose de remédios e o vício norte-americano por drogas farmacêuticas (“Kevin”), ou sobre consumismo e objetificação (“Need to Know”), e ainda há uma cheia de piadas sobre ter vontade de comer fast-food mas não poder por conta da saúde e do corpo. Entre elas, no entanto, há músicas como “Brad Pitt’s Cousin”, que tem piadas dignas de terceira série (“deez nuts!“) ou a engraçada “Dance Off”, que conta com Idris Elba nos desafiando para uma disputa de dança (?). É aquela metáfora que falei no começo do texto, são as piadas sobre peido no meio do texto importante.

Macklemore fecha o álbum com a sua enorme composição sobre o debate mais comum na música norte-americana atualmente: apropriação cultural. Em “White Privilege II” ele, um rapper branco, canta por oito minutos sobre seus privilégios por ter nascido branco e se pergunta se é justo ele também apoiar e participar de movimentos negros se ele está olhando pelo lado de fora. Ele diz que as batidas usadas pelos rappers foram roubadas e faz um mea culpa de ser um branco ciente da sua condição de privilégio mas que não faz nada a respeito. A letra é um tanto clichê e simples em alguns pontos, visto que o fator de comparação que temos é o incrível To Pimp a Butterfly (2015), de Kendrick Lamar, e seus golpes em direção à sociedade racista. Macklemore termina a canção falando que os mesmos brancos que gostam da sua música e apoiam o seu sucesso ao invés de outros rappers negros são os que apoiam o policial que matou o jovem Michael Brown em Ferguson, em 2014. Macklemore usa a política para depreciar sua própria música e, por incrível que pareça, soa sincero. A impressão é de que ele é um cara comum realmente perdido com a situação.

No fim das contas This Unruly Mess I’ve Made é um álbum confuso. Tanto em sua mensagem quanto em seu estilo. É uma mistura de referências e batidas – sempre altas, grandes, às vezes dançantes e exageradas – que podem novamente levar algumas faixas ao topo da Billboard e indicar a dupla a um Grammy. A mensagem, se comparada a outros trabalhos relevantes (e aqui falo novamente de Kendrick ), pode soar fraca, mas não deixa de ser um aviso para um público diferente. Há quem vote em Donald Trump nos Estados Unidos, e é grande a chance de que nesse grupo existam fãs de Macklemore & Ryan Lewis. Nesse caso a mensagem aqui é básica e vem do próprio rapper branco.

Ouça This Unruly Mess I’ve Made na íntegra no Spotify

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Tags: Crítica MusicalHip-HopMacklemoreMacklemore & Ryan LewisMúsicaMúsica InternacionalRapThis Unruly Mess I've Made

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