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‘Crisis in Six Scenes’, primeira série de Woody Allen, é um desrespeito ao público

porRodrigo Lorenzi
31 de janeiro de 2017
em Televisão
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'Crisis in Six Scenes' é a primeira série de Woody Allen. Foto: Divulgação.

'Crisis in Six Scenes' é a primeira série de Woody Allen. Foto: Divulgação.

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Diferentemente de David Fincher (House of Cards) Martin Scorsese (Boardwalk Empire) e David Lynch (Twin Peaks) – apenas para citar alguns consagrados diretores do cinema que foram experimentar uma liberdade criativa maior na televisão -, Woody Allen parece ter sido obrigado a criar uma espécie de série para o serviço de streaming da Amazon. Ressalto a palavra espécie porque Crisis in Six Scenes mais parece um filme dividido em seis pequenas partes. É perfeitamente possível juntar todos os episódios e assisti-los como um longa-metragem de três horas, já que nada remete ao básico do que se espera de uma narrativa seriada. A falha poderia ser perdoada se a história fosse boa, o que não é. Tampouco é um desastre. É apenas chata, esquecível e que ressalta a imensa preguiça de Woody Allen em dialogar com algo que ele considera um produto inferior. Além de confessar que dirigir e produzir a série foi um erro catastrófico, Allen ainda justificou sua dificuldade dizendo não assistir a nenhuma “dessas séries de TV.” Percebemos.

Pelo menos Allen admite sua imensa falta de vontade na tela. A primeira cena de Crisis in Six Scenes mostra o diretor – que protagoniza todos os episódios – falando para seu cabeleireiro sobre a frustração por estar trabalhando na produção de um roteiro para a televisão. A provocação se repete em outros episódios, chegando ao ponto de o personagem ridicularizar sua própria ideia e deixar claro o grande fracasso que é a televisão para o mundo das artes. Essa meta-narrativa é bastante interessante, mas ironicamente o pensamento do diretor conta pontos a menos para seu projeto. O relaxo foi tanto que Allen não se preocupou nem em respeitar o público.

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Interação entre personagens é o que salva Crisis in Six Scenes. Foto: Divulgação.

Mas vamos à história: Sidney J. Munsinger (Woody Allen) é um autor de livros de sucesso que vive numa boa casa em um subúrbio de classe média de Nova York com sua esposa, Kay Munsinger (Elaine May). A série se passa nos anos 60, um período político bastante complicado. Enquanto o resto do mundo se preocupa com a guerra e as desigualdades sociais, o problema de Sidney é entregar o roteiro de sua sitcom para uma emissora de TV. Sidney também se mostra orgulhoso por ter apresentado um amigo de sua família, Alan (John Magaro), a uma jovem interessante e rica, Ellie (Rachel Brosnahan). Todos vivem em perfeita harmonia e com opiniões falsamente liberais (no Brasil, conhecidos como esquerda caviar), até que Lennie (Miley Cyrus), uma jovem revolucionária comunista, chega para abalar o mundinho de todos.

Em tempos em que a TV desafia o cinema diariamente, Allen foi derrotado por seu próprio desdém.

Como disse anteriormente, a série não é um completo desastre. Há uma sátira interessante sobre a situação política atual, os diálogos são inteligentes (embora enfadonhos na maior parte do tempo) e há um relance do talento de Allen, que mostra sua opinião sobre tudo por meio de seu alter ego Sidney. Mas é surpreendente e triste como Allen ainda vive em um tempo em que a televisão era considerada um produto menor, um lixo descartado pelo cinema. Não há ironia nas afirmações. É a certeza do diretor. Se por algum motivo Allen considerou que as frases poderiam parecer engraçadas, o efeito foi contrário, já que tudo soa extremamente desrespeitoso, tanto para a audiência quanto para a própria Amazon, que investiu tempo e dinheiro num projeto extremamente preguiçoso. A impressão é que Allen ficava pensando constantemente: “o que meus amigos vão achar de mim trabalhando neste meio tão indigno?” e, então, inseria diálogos depreciativos para amenizar o pecado de trabalhar para uma nefasta emissora de TV.

Há, entretanto, pequenas boas ideias, mas todas elas estão relacionadas ao histórico de Allen com o cinema e sua escalação de atores. É uma delícia ver Elaine May e Woody Allen atuando lado a lado, numa dinâmica que faz a série fluir, mesmo com diálogos não muito inspirados. Há toda uma prazerosa dinâmica entre a personagem Kay e seu grupo de amigas, que se juntam para um clube do livro cheio de e situações engraçadas. O último episódio também traz todo o talento de Allen quando o diretor junta grandes atores que há tempos não mostravam a cara, como Christine Ebersole e Michael Rapaport. Talvez ansioso para terminar o projeto, Allen apresentou seu potencial no final, mas aí a “série” já terminou.

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Woody Allen dirigindo Miley Cyrus. Foto: Divulgação.

E se as ótimas atuações fazem da história algo suportável, todas as vezes em que Miley Cyrus abre a boca, a vontade é de desistir de vez. Com uma atuação pior do que Hannah Montana, Cyrus se mostra a única escalação errada. Não há nenhuma verdade em sua boca, o texto, que deveria ser sarcástico, soa apenas ruim e as reações da personagem beiram o amadorismo É bastante incômodo.

Por ser um grande nome do cinema, Woody Allen garante as expectativas. Infelizmente, sua primeira série – e provavelmente a última – não funcionou. Arrisco a dizer que não teria funcionado em nenhuma época, nem mesmo quando a televisão era considerada o patinho feio. Em tempos em que a TV desafia o cinema diariamente, Allen foi derrotado por seu próprio desdém.

Assista ao trailer de ‘Crisis in Six Scenes’

https://www.youtube.com/watch?v=oetWNZLsVEU

Tags: AmazonAmazon PrimeCrisis in Six ScenesElaine MayJohn Magaromiley cyrusRachel BrosnahanSeriadosSérieWoody Allen

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