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‘Neon Genesis Evangelion’ prova que é possível misturar robôs gigantes com misticismo e filosofia

Anime criado por Hideaki Anno, 'Neon Genesis Evangelion' cria uma trama de ação e ficção científica recheada de referências psicológicas e religiosas.

porDavid Ehrlich
17 de setembro de 2018
em Televisão
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'Neon Genesis Evangelion' prova que é possível misturar robôs gigantes com misticismo e filosofia

Imagem: Reprodução.

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Bem, eis uma história interessante: quando assisti a Neon Genesis Evangelion pela primeira vez, ainda não sabia muita coisa sobre animes, mas estava começando a perceber que me tornava um fã do estilo. Resolvi experimentar esta série em questão porque já tinha visto algumas críticas boas – e li que era um anime mais “filosófico”, que era algo que eu estava procurando -, então mergulhei de cabeça com expectativas um tanto altas.

Resultado: demorei em voltar a gostar de animes – pelo simples fato de que todos acabavam me decepcionando diante da qualidade de Evangelion (dica: se você está se iniciando no mundo dos animes, tente criar uma base de séries mais “boazinhas” antes de passar por esta).

Dito isso, o que mais posso dizer sobre uma das experiências animadas mais alucinantes já feitas, além do fato de que, ao final de seus 26 episódios e (talvez) alguns filmes, você se sente como se sua cabeça tivesse explodido? O programa começa de uma forma razoavelmente leve, dando a impressão de que será mais uma história infanto-juvenil de ficção científica e ação: somos introduzidos ao nosso protagonista – o jovem Shinji Ikari -, ao cenário principal da série – a pós-apocalíptica Tóquio-3, que através de um recurso narrativo um tanto criativo consegue escapar do típico visual de metrópole futurista, já visto em clássicos como Akira. Logo no primeiro episódio, temos a primeira das várias lutas de “mechas gigantes salvando o mundo de monstros” que a série oferece (na verdade são bio-máquinas e alienígenas feitos de propriedades sólidas e de luz ao mesmo tempo, mas isso seria complicado demais de explicar).

Mas não se engane: após alguns episódios assim, a série logo começa a mostrar sua verdadeira face como um drama psicológico cheio de conspirações, conforme os personagens, inicialmente adoráveis, têm suas deprimentes histórias de fundo reveladas e tornam-se cada vez mais disfuncionais. Sem falar nas cenas de luta, cada uma mais chocante e perturbadora que a anterior, até o ponto do total colapso emocional de Shinji e daqueles que o cercam.

O resultado é uma das grandes obras-primas dos animes, artística sem deixar de ser divertida, psicológica sem deixar isso entrar no caminho do enredo.

Eu adoraria poder explicar melhor toda a história de Evangelion, mas seria necessário um tratado inteiro para isso (sem falar que não quero explicar muito para não estragar sua experiência pessoal). O enredo por si só já é complexo, com muitos detalhes nunca sendo ao todo revelados. Eu mesmo já a assisti mais de uma vez – uma delas com a minha mãe, longa história (pronto, mãe, te citei em um texto meu, posso voltar a fingir que sou um adulto independente que sabe o que fala?!), e há detalhes que tenho que correr de explicação na internet. Não ajuda o fato do criador de Evangelion, Hideaki Anno, tratar Evangelion como um projeto tão pessoal que ele constantemente se dedica a reescrevê-la, seja apenas o final (com o filme O Fim de Evangelion) ou com uma série de filmes que reelabora a história desde o começo.

E para complicar tudo ainda mais, há metáforas religiosas (principalmente bíblicas, tanto do Novo quanto do Velho Testamento, e até de alguns textos apócrifos, isso sem falar em referências ao xintoísmo); simbolismos provindos do misticismo e folclore judaicos (como Lilith, os Manuscritos do Mar Morto e a Árvore da Vida); referências às teorias e conceitos de Sigmund Freud e Jacques Lacan (desde o Complexo de Édipo e o estágio oral, até alguns menos conhecidos tais como a pulsão de morte e a introjeção)… Individualidade, consciência, liberdade de escolha, Neon Genesis Evangelion parece lidar com todas as grandes questões da filosofia moderna.

E como é que a série consegue evitar que isso se torne imensamente chato? Simples: tendo também tudo que faz com que uma série te prenda à tela! O design dos mechas é bastante original, assim como a mistura que a série faz de tecnologia com elementos fantásticos. Falando em mistura, o equilíbrio de Evangelion entre humor e drama é perfeitamente balanceado. A trilha sonora é sensacional.

Os personagens são complexos e maravilhosamente desenvolvidos ao longo dos episódios, de forma que você acaba se importando com praticamente todos eles. E a ação é de prender o fôlego, graças a uma das melhores animações de seu tempo… Tão boa, aliás, que seu orçamento e os prazos para sua conclusão aparentemente acabaram antes que a série estivesse completa, e os últimos dois episódios foram feitos na base da gambiarra, mergulhando na psique instável de Shinji através de uma das animações mais abstratas já vistas na televisão – mas não pense que por isso você não irá chorar ou pensar sobre a vida.

O resultado é uma das grandes obras-primas dos animes, artística sem deixar de ser divertida, psicológica sem deixar isso entrar no caminho do enredo, não necessariamente perfeita, mas acima de tudo, única como série, como animação e como experiência.

https://www.youtube.com/watch?v=nU21rCWkuJw

Tags: CabalaHideaki AnnoJacques LacanNeon Genesis EvangelionResenhaReviewSeriadosSérieSériesShinji IkariSigmund FreudTV Review

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