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‘UnReal’ está chocante – e surreal

Em sua segunda temporada, 'UnReal' demonstra interesse por temas profundos, mas a execução chega a ser surreal.

porAlejandro Mercado
17 de novembro de 2016
em Televisão
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‘UnReal’ está chocante – e surreal

Imagem: Reprodução.

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Depois de uma primeira temporada tensa e repleta de personagens interessantes, a segunda temporada de UnReal pode ser resumida como um passeio de montanha-russa: intensa, às vezes chocante, e cheia de altos e baixos.

Acontece que UnReal parece ter saído um pouco dos trilhos, exagerando em cliffhangers e em situações que extrapolam os limites do real. A temporada inicia em um novo momento. Rachel e Quinn estão tal qual melhores amigas e querem dar um novo e impactante rumo a Everlasting. Para isso, Rachel tem a ideia de levar à tevê o primeiro protagonista negro da história de um reality show. O escolhido é o famoso s Darius Beck (BJ Britt), um homem envolto em problemas de autocontrole e que luta, em segredo, com fortes dores nas costas, um empecilho para qualquer atleta profissional.

Rachel e Quinn o convencem a participar de Everlasting dizendo que o programa será fundamental no papel de auxiliá-lo com sua imagem perante à opinião pública. Aos acostumados com o show, não é de se espantar que ter o primeiro protagonista negro não fosse o suficiente para a dupla. Por isso, a produção do reality monta uma equipe de participantes controversa, contando com uma garota de origem sulista que utiliza biquíni com a bandeira confederada, uma mulher que perdeu o noivo recentemente em um acidente e uma ativista dos direitos da população negra.

Se na primeira temporada UnReal conseguiu levantar o debate sobre a validade destes shows e sobre o poder da TV, na segunda a escolha é por aprofundar problemas que estão no seio da democracia norte-americana.

Se na primeira temporada UnReal conseguiu levantar o debate sobre a validade destes shows e sobre o poder da TV, na segunda a escolha é por aprofundar problemas que estão no seio da democracia norte-americana, como os inúmeros assassinatos de negros cometidos pela polícia. O problema do show é que ao fazer isso acabam criando uma abordagem excessivamente sensacionalista e maniqueísta sobre os temas, trilhando rumos obscuros que mais chocam do que propõem o debate. Ainda por cima, desperdiça uma ótima oportunidade de debater temas importantes relacionados aos direitos humanos ao inseri-los em personagens caricatos e rasos.

Constance Zimmer, a Quinn, e Shiri Appleby, a Rachel, não tem muita responsabilidade nos problemas de UnReal, sendo inclusive responsáveis por ótimas sequências dentro do programa, sem contar que esse laço afetivo ultra perturbador entre elas acaba sendo a razão para que encaremos o seriado.

Não há uma definição sobre o que esperar da próxima temporada da série, mas é certo que é necessário equalizar todas estas ideias e temas que foram jogados na segunda temporada, aplicar um filtro e definir sobre o que o show pretende tratar. E indo mais fundo, seria muito interessante que para o futuro a relação Rachel-Quinn não estivesse no centro do roteiro apenas como a guerra de duas mulheres por poder. Com tanto esforço do programa em dar voz às mulheres, reduzi-las à disputa por fiapos de poder é ir contra a própria natureza de UnReal.

Tags: BJ BrittConstance ZimmerCrítica de SériesSeriadoSeriadosSérieShiri ApplebyShowtimeUnReal

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