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C6 Fest – Desvendando o lineup: Baxter Dury

Baxter Dury construiu discografia sólida nas últimas duas décadas, combinando spoken word, groove eletrônico e humor ácido. Escotilha te apresenta o artista que se apresenta no C6 Fest.

porAlejandro Mercado
25 de fevereiro de 2026
em Música
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Músico vem ao Brasil pela primeira vez mostrar sua personalidade e o legado que carrega. Imagem: Pål Hansen / Divulgação.

Músico vem ao Brasil pela primeira vez mostrar sua personalidade e o legado que carrega. Imagem: Pål Hansen / Divulgação.

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Sim é a resposta à pergunta “há relação entre Baxter Dury e Ian Dury?”. O líder do The Blockheads e criador do clássico “Sex & Drugs & Rock & Roll” durante muito tempo foi complemento inevitável ao artista britânico, que vem ao Brasil para tocar no C6 Fest. Todavia, se a associação é factual, também é insuficiente. Baxter, ao longo de mais de 20 anos de carreira, criou uma obra que não foge às suas origens, dialogando com o trabalho do pai, porém como um ponto de partida, não muleta.

Lançado pela icônica Rough Trade, Len Parrot’s Memorial Lift (2002) foi a estreia de Baxter, na qual fez questão de mostrar que seu objetivo era traçar um caminho próprio. Narrativas semi-faladas em uma atmosfera minimalista compunham um disco recebido pela crítica britânica como muito promissor, apontando ecos do humor cáustico de Ian, mas com personalidade muito própria. No próximo álbum, Floor Show (2005), Dury aprofundou sua estética spoken word e a alimentou com arranjos cinematográficos, moldando a personalidade de cronista urbano desencantado que o acompanha.

A virada mais consistente em sua carreira viria na década seguinte. Happy Soup (2011) apresentou canções mais estruturadas, com refrões memoráveis e produção mais robusta. A imprensa britânica, sempre de olho no filho prodígio de Ian, destacou o equilíbrio entre ironia e vulnerabilidade. Não por acaso, esses elementos viraram recorrentes em sua discografia. Em It’s a Pleasure (2014), por exemplo, Baxter Dury mergulhou em climas sensuais e grooves soturnos, enquanto em Prince of Tears (2017) ele elevou o caráter dramático de suas composições. Para chegar a esse resultado, escolheu trabalhar com o produtor Craig Silvey, conhecido por trabalhos com Arctic Monkeys e The National.

Sua posição como figura relevante da música alternativa britânica foi consolidada com The Night Chancers (2020). Já publicando pelo selo PIAS Le Label, alcançou o 73º lugar na UK Albums Chart, seu melhor desempenho comercial até então. Enquanto no The Guardian foi apontado como um “retratista dos perdedores”, foi chamado de “uma das figuras mais singulares do pop britânico contemporâneo” pela NME. Em I Thought I Was Better Than You (2023), manteve o pique, recebendo críticas elogiosas e um 41º lugar na UK Albums Chart, superando, assim, seu resultado anterior.

O trabalho mais recente de Baxter, Allbarone, foi lançado em setembro do ano passado. Após mais de 20 anos de estrada, Dury evocou mais uma vez sua habilidade singular como compositor, além de se mostrar realmente inventivo em termos musicais. Repleto de camadas que se desvelam a cada audição, o registro oferece observações sobre relações humanas e os absurdos do cotidiano. Novamente, ele demonstra as raízes paternas ao oferecer o humor ácido que compartilha com o pai.

Após mais de 20 anos de estrada, Dury evocou mais uma vez sua habilidade singular como compositor.

O público brasileiro que receberá o artista pela primeira vez deverá encontrar um cantor que transita entre o indie pop, um eletrônico minimalista e um toque de lounge. Provavelmente, Baxter oferecerá um dos momentos mais introspectivos da próxima edição do C6 Fest, com sua voz grave, muitas vezes declamado ao invés de cantada, no melhor estilo Jarvis Cocker e Serge Gainsbourg. Mas fiquem tranquilos: não há risco de caricatura retrô, já que ele aposta em beats contemporâneos, produção polida e uma estética bastante alinhada à música atual.

Fica a dica: em 2021, publicou Chaise Longue, livro de memória no qual revisitou sua infância em meio ao caos criativo do pai. Além de ajudar a entender sua visão de mundo (e de música), o material dá dimensão da tensão permanente entre manter o legado do pai e sua afirmação enquanto indivíduo e artista para além da herança biológica.

—

O C6 Fest de 2026 acontece entre os dias 21 e 24 de março, no Parque Ibirapuera. Edição deste ano conta com Robert Plant, The xx, Matt Berninger e nova geração indie e jazz nos palcos. Escotilha estará na cobertura e, nos próximos dias, apresentará os artistas, dando um panorama do que o público brasileiro deve esperar dos shows.

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Tags: Baxter DuryC6 FestMúsica

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