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C6 Fest – Desvendando o lineup: Beirut

Liderado por Zach Condon, Beirut funde fanfarra balcânica, chanson francesa e pop barroco em trajetória marcada por deslocamento e reinvenção. Escotilha te apresenta a banda que se apresenta no C6 Fest.

porAlejandro Mercado
27 de fevereiro de 2026
em Música
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Zach Condon retorna com o Beirut após quase 12 anos. Imagem: Lina Gaisser / Divulgação.

Zach Condon retorna com o Beirut após quase 12 anos. Imagem: Lina Gaisser / Divulgação.

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Houve um tempo, lá pela primeira década dos anos 2000, que a estranheza se tornou uma marca exaltada no indie. Foi por essa época que Zach Condon, no alto dos seus 20 e poucos anos, lançou Gulag Orkestar (2006), obra que daria início à trajetória de seu projeto Beirut, grupo que retorna ao Brasil para a próxima edição do C6 Fest. São quase 12 anos desde sua última passagem, um intervalo curioso para um artista cuja identificação com o Brasil (e com a música brasileira) se tornou aspecto indelével.

A banda, forma curiosamente inusitada de chamar o projeto, posto que apenas Zach Condon é membro constante nesses 20 anos de estrada, soava como se houvesse atravessado o Atlântico inúmeras vezes antes de chegar às caixas de som do público alternativo. As músicas do Beirut são preenchidas por trompetes em primeiro plano, arranjos que recordam fanfarras do Leste Europeu e uma melancolia pouco característica do Novo México, de onde verdadeiramente são. De acordo com o próprio Condon, a sonoridade do grupo tem origens em uma viagem que realizou para a região dos Bálcãs durante a adolescência.

Gulag Orkestar era um disco de composições bastante maduras, mas também um retrato daquele momento no universo indie. A seu favor, Zach nunca tentou fazer as músicas soarem exóticas, pelo contrário. As referências balcânicas estavam assimiladas nas faixas, entrelaçadas com a própria identidade do Beirut, resultando numa inusitada fusão entre o indie estadunidense com a tradição musical do Leste Europeu. Gostando ou não, foi uma das estreias mais singulares da primeira década do novo século.

A sequência veio logo no ano seguinte, 2007, com The Flying Club Cup. No entanto, Condon decidiu se deslocar dos Bálcãs para a França dos anos 1950. Cada faixa do novo disco evocava alguma ligação com cidades francesas e os arranjos ampliavam o estilo orquestral e cinematográfico do projeto. Texturas mais elaboradas procuravam evocar a música pop francesa da metade do século 20, mas mantendo a identidade do indie contemporâneo. Havia crescimento ali, ainda que, ao fim e ao cabo, houvesse certo excesso ornamental.

O Beirut já não era uma banda iniciante, o sucesso já havia chegado, mas não é exagero afirmar que a consolidação aconteceu mesmo com The Rip Tide (2011). É o álbum mais conciso e emocionalmente direto, deixando como legado a canção “Santa Fe”, uma das mais conhecidas de seu repertório. Condon preferiu arranjos mais sóbrios e sutilmente melancólicos, usando instrumentos básicos como piano, ukulele, trompete e cordas, deixando de lado a grandiosidade dos trabalhos anteriores.

A carreira de Zach também foi marcada por exaustão. Pouco antes de No No No (2015), questões relacionadas à sua saúde fizeram com que se afastasse temporariamente. Até por isso a obra foi mais enxuta e luminosa, refletindo a tentativa do músico em recomeçar. Porém, a música indie já parecia ter ido para outros caminhos, o que explica em partes a diminuição do êxito comercial do Beirut.

As músicas do Beirut são preenchidas por trompetes em primeiro plano, arranjos que recordam fanfarras do Leste Europeu e uma melancolia pouco característica do Novo México.

Em 2019, lançaram Gallipoli, um álbum no qual Condon e seus comandados viajar por diferentes cidades europeias para registrá-lo. Há nesse trabalho o equilíbrio da grandiloquência sonora dos primeiros LPs aliado à produção mais refinada. A vibe europeia seguiu em Hadsel (2023), todo realizado em uma igreja na remota ilha da Noruega que batiza o disco. Ele mergulha em uma atmosfera mais austera e contemplativa, quase espiritual. Zach amplia o uso de sintetizadores e drum machines, mas ainda ancora o som em melancólicas linhas de metais e no seu tom barítono característico.

Como outros do lineup do C6 Fest 2026, o Beirut chega ao Brasil com mais álbum fresquinho. A Study of Losses, sétimo trabalho de estúdio do projeto de Zach Condon é seu melhor em anos. Gravado entre Berlim (Alemanha) e Stokmarknes (Noruega), é baseado em um livro da alemã Judith Schalansky (inédito no Brasil) e foi composto para a trupe circense sueca Kompani Giraff, que adaptou a obra da autora para os palcos. Além da estética sonora já conhecida do Beirut, trouxe texturas eletrônicas que criam uma sonoridade que relembra o início do projeto e, ao mesmo tempo, mostra novos caminhos criativos.

De imaginar que o público de seu shows, além das próprias músicas, deve estar curioso para saber se Zach gastará seu macarrônico português para cantar alguma de Caetano Veloso. Pode parecer bobagem, mas é o que reforça a marca de deslocamento – geográfico, estético e emocional – que estabeleceu a assinatura própria do grupo.

—

O C6 Fest de 2026 acontece entre os dias 21 e 24 de março, no Parque Ibirapuera. Edição deste ano conta com Robert Plant, The xx, Matt Berninger e nova geração indie e jazz nos palcos. Escotilha estará na cobertura e, nos próximos dias, apresentará os artistas, dando um panorama do que o público brasileiro deve esperar dos shows.

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Tags: BeirutC6 FestMúsica

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