• Sobre
  • Apoie
  • Política de Privacidade
  • Contato
Escotilha
Sem Resultados
Veja Todos Resultados
  • Reportagem
  • Política
  • Cinema
  • Televisão
  • Literatura
  • Música
  • Teatro
  • Artes Visuais
  • Reportagem
  • Política
  • Cinema
  • Televisão
  • Literatura
  • Música
  • Teatro
  • Artes Visuais
Escotilha
Home Literatura

O Quarto de Jack (O Livro)

porEder Alex
9 de março de 2016
em Literatura
A A
Emma Donoghue

Emma Donoghue. Foto: Punch Photographic.

Envie pelo WhatsAppCompartilhe no LinkedInCompartilhe no FacebookCompartilhe no Twitter

Ok, não vou enrolar você, vamos direto para a informação que provavelmente te fez abrir o link desse texto: sim, o livro escrito por Emma Donoghue é melhor que o filme indicado ao Oscar desse ano. “Ah, mas cinema e literatura são linguagens diferentes, não tem comparação, etc”. Meu amigo, trata-se de um livro que foi adaptado para o cinema com roteiro da própria autora. Fora isso, a famosa premiação conta com uma categoria chamada “melhor roteiro adaptado”, então, sim, dá para comparar.

Pois bem, agora que botamos o elefante branco ali no cantinho, vamos lá tentar entender o porquê do óbvio ululante.

Emma Donoghue é uma escritora irlandesa, autora de vários romances, coletâneas de contos e peças de teatro. Quarto, lançado pela Verus Editora, com tradução de Vera Ribeiro, é o seu único trabalho lançado aqui no Brasil até o momento. O livro é de 2010 e fez certo barulho na época do lançamento, pois foi finalista Booker Prize. Mas só acabou ganhando o mundo mesmo agora com o lançamento do filme estrelado pela ganhadora do Oscar de melhor atriz, Brie Larson, e pelo surpreendente&fofo Jacob Tremblay.

A história chama a atenção pelo enredo sinistro: um psicopata sequestra uma jovem e a mantém em cativeiro num quarto minúsculos durante vários anos. Durante este período ele a estupra diariamente e ela acaba engravidando. O livro é sobre essa mulher se tornando mãe e criando uma criança nessas condições insanas.

A história chama a atenção pelo enredo sinistro: um psicopata sequestra uma jovem e a mantém em cativeiro num quarto minúsculos durante vários anos.

Embora haja muitas semelhanças no enredo, o livro se diferencia do filme por ser mais pesado em sua primeira metade e por um fator determinante: a história toda é narrada através do ponto de vista de Jack, uma criança de 5 anos. O que temos, portanto, é um horror inimaginável sendo filtrado pelos olhos inocentes de alguém cujo mundo se resume a poucos metros quadrados.

A autora tem o mérito de conseguir dar dinamismo a uma narrativa que se passa num espaço ridículo de tão pequeno. O clima claustrofóbico é absolutamente angustiante e só é parcialmente compensado graças à imaginação e à inteligência de Jack. O que ficou de fora da versão cinematográfica foi todo o processo de educação do menino, os detalhes das visitas perturbadoras do algoz, além das soluções que a mãe encontra para tentar fazer com que suas vidas tenham o mínimo de normalidade.

Como acessamos aquele inferno pelos olhos de Jack, o livro é todo narrado num linguagem infantil. Ele é muito inteligente para a sua idade, mas mesmo assim podemos perceber as limitações de vocabulário e as dificuldades com os tempos verbais. Esse é o grande trunfo de Donoghue, pois caso a história fosse contada de outra forma, por um narrador em terceira pessoa, por exemplo, provavelmente o livro não teria tanto impacto.

É por causa da perspectiva inocente do garoto que nos deparamos como momentos tão poéticos quanto filosóficos, como quando ele descobre que algumas coisas da tv são reais e se questiona se ele e sua mãe de fato existem, pois estão num lugar ondem ninguém os vê. As noções de liberdade são amplamente questionadas, pois como Jack não conhece o mundo “real”, não vê necessidade ou nem teria capacidade de desejar algo para além daquelas paredes. Ele tem a sua mãe e isso é o suficiente, então o lado de fora (seja lá o que “fora” represente, pois sempre dependerá de uma perspectiva subjetiva) parece todo feito de uma imensidão vazia e assustadora.

Embora a segunda metade do livro seja surpreendente, pois o clímax ocorre muito antes do final e aí você fica se perguntando o que mais há para contar sobre aquilo tudo, o livro cai um pouco de rendimento e se arrasta até o fim. É quase como se tivéssemos duas obras distintas: uma sobre o horror do cativeiro e outra com uma pegada meio Tarzan. As duas se complementam, é claro, já que abrem a possibilidade de mostrar o menino enxergando a vida com diferentes perspectivas, mas me parece que a força da narrativa se perde muito nesse processo.

De todo modo, Quarto é uma experiência literária interessante do ponto de vista técnico e dilacerante do ponto de vista emocional. Vale a leitura.

fb-post-cta

Tags: CríticaCrítica LiteráriaEmma DonoghueLiteraturaLiteratura ContemporâneaO Quarto de JackOscar 2016quartoResenhaReviewRoomVerus Editora

VEJA TAMBÉM

Autora conversou com exclusividade com nossa reportagem. Imagem: Sebastián Freire / Divulgação.
Entrevistas

Mariana Enriquez: “Minha primeira impressão do mundo foi sob um regime autoritário muito feroz”

25 de março de 2026
Bellotto venceu o Jabuti de 2025 pela obra, lançada no ano anterior. Imagem: Chico Cerchiaro / Divulgação.
Literatura

‘Vento em Setembro’ transita entre o mistério e as feridas do Brasil

24 de março de 2026
Please login to join discussion

FIQUE POR DENTRO

Líder do The National, Matt Berninger vem ao C6 Fest com sua carreira solo. Imagem: Chantal Anderson / Divulgação.

C6 Fest – Desvendando o lineup: Matt Berninger

2 de abril de 2026
'(Um) Ensaio sobre a Cegueira' na montagem do Grupo Galpão. Imagem: Maringas Maciel.

Crítica: ‘(Um) Ensaio sobre a Cegueira’: Quando a cegueira atravessa a porta do teatro – Festival de Curitiba

2 de abril de 2026
Gioavana Soar e Fabíula Passini falam com exclusividade à Escotilha. Imagem: Annelize Tozetto / Divulgação.

Festival de Curitiba reforça papel para além do palco e aposta em memória, abertura e acessibilidade

1 de abril de 2026
Duo chega no auge para seu show no Brasil. Imagem: Lissyelle Laricchia / Divulgação.

C6 Fest – Desvendando o lineup: Magdalena Bay

31 de março de 2026
Instagram Twitter Facebook YouTube TikTok
Escotilha

  • Sobre
  • Apoie
  • Política de Privacidade
  • Contato
  • Agenda
  • Artes Visuais
  • Colunas
  • Cinema
  • Entrevistas
  • Literatura
  • Crônicas
  • Música
  • Teatro
  • Política
  • Reportagem
  • Televisão

© 2015-2023 Escotilha - Cultura, diálogo e informação.

Sem Resultados
Veja Todos Resultados
  • Reportagem
  • Política
  • Cinema
  • Televisão
  • Literatura
  • Música
  • Teatro
  • Artes Visuais
  • Sobre a Escotilha
  • Contato

© 2015-2023 Escotilha - Cultura, diálogo e informação.