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Home Música

Em ‘Gênero Livre’, Dois ou Um mergulha no Brasil

porAlejandro Mercado
9 de maio de 2018
em Música
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Utilizar termos como “novo” na música atual é um risco muito grande – e, por vezes, nada calculado. É possível, no entanto, soar minimamente original ou inventivo a partir da fusão ou aglutinação de diferentes sonoridades, gêneros e ritmos. Os modernistas provaram isso com sua tese antropofágica, que virou sinônimo do DNA da música feita em território tupiniquim. Isto tornou a sigla MPB dantesca, capaz de significar tudo e nada ao mesmo tempo.

Temos assistido, nos últimos anos, uma aproximação maior por parte de novos artistas de vertentes clássicas e regionais, dando novas dimensões a um gênero tão esgotado. Da lambada do Figueroas ao brega de Johnny Hooker, todos devidamente ancorados em elementos estéticos que perpassam simbologias pop e rock, há a busca de uma voz própria, capaz ainda de ser reverenciativa aos signos que emergem dessa proposta sonora. Essa parece ter sido a tentativa da Dois ou Um, um duo e uma banda, dependendo do momento, radicados em Curitiba.

Seu primeiro álbum completo, Gênero Livre, busca unir elementos díspares e outros intimamente interligados em uma obra que se esforça em querer ser “nova”, ainda que seja, sem sombra de dúvidas, espólio de trabalhos construídos nos últimos 15, 20 anos. A essência de projetos como Suvaca diPrata, Fred Jorge e os Maiorais e até Móveis Coloniais de Acaju (numa versão sem o naipe de metais) transitam pelo LP da Dois ou Um.

Se não podemos, então, chamar sua proposta de nova, é possível, ao menos, dizer que há muito esforço em criar um registro coeso e com uma voz minimamente autoral.

O grupo reivindica uma carga referencial em nomes consagrados na música nacional, inclusive os marcados pela antropofagia musical, como os tropicalistas Caetano e Gil, e pelo experimentalismo, como os Mutantes. Contudo, o produto de tudo que mesclam passa à margem de evocar elementos idiossincráticos de tais artistas, mas tais figuras podem ter sido elementos-chave na construção da personalidade que procuram imprimir nas faixas que compõem Gênero Livre. E, sob esta perspectiva, é possível entender onde surgem no trabalho do grupo curitibano.

Se não podemos, então, chamar sua proposta de nova, é possível, ao menos, dizer que há muito esforço em criar um registro coeso e com uma voz minimamente autoral. E há valor quando se tem em mente que os artistas envolvidos possuem na faixa dos vinte e poucos anos. Nota-se que estão buscando boas referências na sua construção de persona artística, mergulhando em ritmos que desenham um país muito mais complexo que a sigla pela qual trafegam – e muito mais plural que as influências apontadas pela dupla.

Se é a tua tribo que te faz universal, como prega o músico argentino Kevin Johansen no documentário A Linha Fria do Horizonte, fica como rescaldo de Gênero Livre seu interesse em descobrir uma das tantas formas de soar brasilidade na música. Ao fim e ao cabo, é este o maior préstimo do disco: seu olhar para outro Brasil – ou outros. Há esperança.

Ouça ‘Gênero Livre’ na íntegra no Spotify

link para a página do facebook do portal de jornalismo cultural a escotilha

Tags: Bandas CuritibanasBandas ParanaensesCrítica MusicalDois ou UmGênero LivreMusic ReviewMúsicaResenhaReview

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