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‘Os Donos do Inverno’: Altair Martins e os irmãos coragem

'Os Donos do Inverno', de Altair Martins, é uma road trip pampeira e um acerto de contas entre personagens em descompasso.

porJonatan Silva
21 de fevereiro de 2020
em Literatura
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'Os Donos do Inverno': Altair Martins e os irmãos coragem

Imagem: Reprodução.

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“Viver é melhor que sonhar”, dizia Belchior, mas talvez escapasse ao rapaz latino-americano que, para alguns, o sonho é o único refúgio possível. Em Os Donos do Inverno, o escritor gaúcho Altair Martins borra o limite entre a realidade e o onírico para criar um inigualável tour de force pampeiro. Os irmãos de criação Elias e Fernando são o arquétipo de um Brasil de descompasso e ruína. Se um veste a metáfora da coerência, o outro carrega as tintas de um homem deslocado e autoexilado. No meio dessa equação sem solução, Carlito, o irmão jóquei falecido e cuja morte ainda pesa sobre o ombro dos dois.

Após quase 25 anos em um silêncio profundo, e constrangedor, os irmãos embarcam em uma road trip para levar os ossos do fantasma até a Argentina – onde disputaria o mais importante turfe da sua vida. Cada um, em seu pequeno feudo, carrega os sintomas dos anos dessa presença invisível que Altair constrói como uma voz oculta, porém, completamente inserida na narrativa. Entre os quilômetros rodados, Fernando e Elias, taxista e professor, se decompõem e tentam acertas os pontos, vasculhando a memória como quem coloca o dedo na ferida.

Ambos transpiram suas ruminações, as perdas e as pequenas conquistas. O autor entrelaça o presente com uma realidade passada, que beira a invenção e o delírio – como fez Patti Smith em O ano do macaco. Ao longo de todo o livro são inseridos esses momentos de devaneio – ora desabafo, ora a expectativa do que poderia ter sido e não foi. É na complexidade das relações, e na fugacidade da construção de um legado íntimo, que Os Donos do Inverno se faz uma peça única na literatura brasileira. Longe de surfar na onda do bom-mocismo – em que tudo é colocado no lugar certo – e dos lugares comuns dos “livros urgentes”, Altair Martins faz do caos de seus personagens uma estrutura sincopada como um fusion do Miles.

Há uma experiência estética que percorre toda a leitura, que transforma a história em um acerto de contas com o leitor.

A casa tomada

Há uma experiência estética que percorre toda a leitura, que transforma a história em um acerto de contas com o leitor. Como os irmãos coragem, Elias, Fernando e Carlitos – sim, porque o falecido é o ponto de contato entre os dois – precisam resgatar seu maior patrimônio: a herança simbólica de duas famílias que se uniram quando estavam na pior.

Ao escolher essa composição, Martins fala em voz alta sobre a impessoalidade que dá o tom à vida adulta e desconexão que cria as relações. Os três são como os irmãos do conto “Casa tomada”, de Cortázar, que são consumidos por algo que não conseguem entender, mas sabem que dia após dia perdem um pouco mais e acabam por esvaziarem-se totalmente.

Os Donos do Inverno é um livro que se faz relevante porque se afasta dos clichês que parecem brotar na literatura contemporânea, deixando de lado as táticas frágeis que transformam o livro em uma coqueluche nas redes sociais e um desastre na mão do leitor.

OS DONOS DO INVERNO | Altair Martins

Editora: Não Editora;
Tamanho: 256 págs.;
Lançamento: Outubro, 2019.

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Tags: Altair MartinsCasa TomadaCríticaCrítica LiteráriaDublinenseJulio CortázarLiteraturaNão EditoraO Ano do macacoos donos do invernoPatti SmithResenhaRio Grande do Sul

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