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‘O Estado das Coisas’ provoca reflexões sobre insatisfação eterna

Comparar com insistência a própria vida com a vida dos outros pode ser algo muito prejudicial, irritante e patético. É o que nos ensina ‘O Estado das Coisas’, filme de Mike White, com Ben Stiller como protagonista.

porTiago Bubniak
13 de abril de 2021
em Cinema
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O Estado das Coisas, de Mike White

Ben Stiller encarna Brad, um cinquentão insatisfeito com sua própria trajetória. Imagem: Reprodução.

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Brad está perto dos 50 anos e sofre daquilo que poderia ser considerado “síndrome da insatisfação crônica”. Ele alimenta uma sensação constante de fracasso, um comportamento persistente de comparar a própria trajetória com a vida alheia. Há muita, muita inveja de seus ex-colegas de faculdade que, segundo ele, tornaram-se pessoas altamente bem-sucedidas enquanto a sua vida entrou em um processo de estagnação.

Brad (Ben Stiller) é o protagonista de O Estado das Coisas (2017), filme dirigido e roteirizado por Mike White. Fundador de uma organização não governamental (ONG), Brad é obsessivamente perseguido por pensamentos do tipo “Não estou onde pensei que estaria. Não é a vida que eu imaginei”. Ou, então: “Para eles [os ricos], o mundo não é um campo de batalha; é um parque de diversões”.

Brad chega a culpar a esposa pela sua ausência de ambição. Melanie (Jenna Fischer) seria, sob a sua visão, uma pessoa que se contenta com pouco e, por isso, motivaria a falta de ascensão social. Todo esse oceano de insatisfação culmina no julgamento de que Brad é um ingrato. Afinal, ele tende a ser profundamente cego para reconhecer o que já conquistou.

Às vezes, o gatilho para grandes mudanças pode vir de coisas muito simples. Ou nem tão simples assim. A beleza de uma música, por exemplo.

Uma dessas conquistas que, de repente, Brad percebe em meio a mais uma de suas crises está bem diante dos seus olhos e já alcançou 17 anos: é o filho Troy (Austin Abrams), prestes a ingressar no ensino superior. Boa parte do roteiro, aliás, tem como base a viagem entre pai e filho para visitas a universidades. Troy busca vaga em uma instituição para estudar música. Mas o comportamento de Brad é tão doentio que ele chega a projetar no filho a realização de tudo aquilo que não conseguiu.

A construção do protagonista como alguém altamente contrariado com o caminho que construiu em comparação a outras pessoas chega a beirar o tédio, tamanha é a insistência do diretor roteirista em frisar esse comportamento. Isso torna-se ainda mais incômodo porque, cada vez que o protagonista mergulha no pessimismo, a escolha técnica de Mike White é inserir uma música irritante e melancólica na qual destaca-se os sons graves de um violino.

No entanto, pode-se considerar a construção exagerada do personagem como algo bastante proposital e estratégico. Seria uma forma de reforçar no espectador o sentimento de desaprovação do comportamento de Brad. Afinal, sempre há conquistas, pontos de vistas diferentes e, olhando bem de perto, nem todo mundo pode ser amplamente bem-sucedido em todas as esferas da vida. Dizer que todo mundo é muito bem-sucedido em tudo é relativo. O que é, enfim, ser “bem-sucedido”?

A discussão proposta pelo filme de Mike White não demora a fazer o espectador lembrar das redes sociais. Nelas, as pessoas costumam editar cuidadosamente suas próprias vidas, de modo que o que vem a público é um panorama eternamente feliz e maravilhoso. Ou algo perto disso, podendo despertar inveja e desconforto em outras pessoas (leia mais aqui).

Pois é. O Estado das Coisas abre margem para reflexões como essa e destaca: às vezes, o gatilho para grandes mudanças pode vir de coisas muito simples. Ou nem tão simples assim. A beleza de uma música, por exemplo. Essa, sim, nada melancólica ou irritante, mas transformadora.

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Tags: Ben StillerCinemaCríticaCrítica CinematográficaCrítica de CinemaMike WhiteMovie ReviewO Estado das CoisasResenhaReview

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