• Sobre
  • Apoie
  • Política de Privacidade
  • Contato
Escotilha
Sem Resultados
Veja Todos Resultados
  • Reportagem
  • Política
  • Cinema
  • Televisão
  • Literatura
  • Música
  • Teatro
  • Artes Visuais
  • Reportagem
  • Política
  • Cinema
  • Televisão
  • Literatura
  • Música
  • Teatro
  • Artes Visuais
Escotilha
Home Literatura

‘O estranho caso do cachorro morto’: Mark Haddon e o romance de empatia

Com algumas limitações, 'O estranho caso do cachorro morto', de Mark Haddon, é um mergulho no universo de um adolescente autista.

porJonatan Silva
4 de junho de 2021
em Literatura
A A
Mark Haddon, autor de 'O estranho caso do cachorro morto'

Mark Haddon usa a empatia como fio condutor de seu romance mais famoso. Imagem: Reprodução.

Envie pelo WhatsAppCompartilhe no LinkedInCompartilhe no FacebookCompartilhe no Twitter

A doença mental, e seus desdobramentos, é, antes de tudo, uma produção social, uma divergência daquilo que se entende por padrão. Dessa ruptura, explica Foucault, nasce a alienação e a incomunicabilidade. A partir dessa perspectiva, é possível traçar um perfil das formas que a sociedade se compõe e se dilata – para o bem e para o mal. Qualquer elemento que fuja à normalidade é disposto em um grupo em separado.

O estranho caso do cachorro morto, best-seller de Mark Haddon, consegue se enredar com clareza no universo de um menino autista, Christopher, que, ao modo de Holden Caulfield, precisa tentar ler o mundo e descobrir o que está à sua frente. Como Salinger, Haddon não investiga apenas a mente do seu personagem, mas as suas interpretações do que está ao redor. Ambos se fundem na ideia de não pertencer a lugar algum, de se perceberem, desde muito cedo, como estrangeiros.

Escrito como espécie de livro-diário, O estranho caso do cachorro morto surge como uma tentativa de resolver o assassinato de um cachorro na vizinhança. À medida em que Christopher avança no seu jogo de detetive se depara também com o desconhecido dentro da sua própria casa. O romance – na verdade, um grande elogio à empatia – é uma jornada de amadurecimento, uma representação radical do final da inocência.

Como Salinger, Haddon não investiga apenas a mente do seu personagem, mas as suas interpretações do que está ao redor.

Labirinto

A mente é um grande labirinto. Oliver Sacks sabia disso e acreditava que estar doente ou ser saudável é uma questão de ponto de vista. Em O homem que confundiu sua mulher com um chapéu, o neurologista investiga as alucinações e a criação da moral partindo da ideia de moral.

Haddon segue o mesmo caminho, mas trata a doença como alguém de fora. Enquanto as neuroses e confusões são a pedra-fundamental da literatura de Kafka ou Robert Walser, em O estranho caso do cachorro morto é o contrário.

Nem o checo e nem o suíço teriam elaborado seus universos literários não fossem seus estados mentais. Haddon, por isso, constrói um retrato limitado, focado na identificação sentimental do leitor. A sensação de desconforto que atravessa O Processo ou Jakob von Gunten passa ao largo da vida de Christopher. Isso, obviamente, é intencional.

Viver é raro

Quando Cristovão Tezza publicou em 2007 O Filho Eterno, seu livro mais conhecido, o escritor curitibano inaugurava a década da autoficção, movimento literário que perdurou até 2016, quando Julián Fuks lançou A Resistência, talvez, a última grande obra a encarar os fatos pela olhar da ficcionalização do real. Mais importante, porém, foi pensar na literatura segundo a perspectiva da relação de um pai com seu filho com síndrome de Down.

Ainda que The curious case of the dog in the night-time esteja mais para David Copperfield ou As Aventuras de Huckleberry Finn que para o romance de Tezza, existe uma certa combinação de elementos – como os conflitos familiares e a incompreensão do todo – que os aproxima.

Em Haddon, há uma dose interessante de humor, sobretudo, na forma como Christopher lê o que está à sua volta. Mais inteligente e sensível que os garotos da sua idade, o pequeno narrador explora as obviedades dos discursos da vida adulta e as contradições entre direitos e deveres. É a ressiginificação da tradição de Pelos olhos de Maise e O sol é para todos, mas representa também a consciência de que, como diria Oscar Wilde, a maioria das pessoas não vive, apenas existe.

O estranho caso do cachorro morto é um retrato limitado, mas interessante, que consegue criar uma narrativa que oscila entre o humor elegante e a reflexão superficial.

O ESTRANHO CASO DO CACHORRO MORTO | Mark Haddon

Editora: Record;
Tradução: Luiz Antonio Aguiar;
Tamanho: 288 págs.;
Lançamento: Abril, 2004.

Tags: As Aventuras de Huckleberry FinnBook ReviewCristovão TezzaCrítica LiteráriaDavid CooperfieldFranz KafkaJ. D. SalingerLiteraturaMichel FoucaultO Apanhador no Campo de CenteioO estranho caso do cachorro mortoOliver SacksResenhaRobert Walser

VEJA TAMBÉM

Gisèle Pelicot, autora de um dos livros de memória mais contundentes dos últimos tempos. Imagem: Christophe Simon / AFP / Reprodução.
Literatura

Em ‘Um hino à vida’, Gisèle Pelicot devolve a vergonha aos culpados

10 de março de 2026
Howard Zinn em Nova York, 2008. Imagem: Marc Dalio / Reprodução.
Literatura

‘A bomba’ revisita Hiroshima para expor a engrenagem moral da guerra moderna

4 de março de 2026
Please login to join discussion

FIQUE POR DENTRO

Gisèle Pelicot, autora de um dos livros de memória mais contundentes dos últimos tempos. Imagem: Christophe Simon / AFP / Reprodução.

Em ‘Um hino à vida’, Gisèle Pelicot devolve a vergonha aos culpados

10 de março de 2026
Um dos registros de 'One to One: John & Yoko'. Imagem: Mercury Studios / Divulgação.

‘One To One’ revela detalhes do engajamento político de John Lennon e Yoko Ono

9 de março de 2026
Criada por Jacob Tierney, série canadense já foi renovada para uma segunda temporada, a ser lançada em 2027. Imagem: Bell Media / Divulgação.

‘Rivalidade Ardente’ transforma o hóquei no gelo em arena para o amor proibido

9 de março de 2026
Músico é muito aguardado no Brasil. Imagem: Akatre Creative Studio / Divulgação.

C6 Fest – Desvendando o lineup: Benjamin Clementine

5 de março de 2026
Instagram Twitter Facebook YouTube TikTok
Escotilha

  • Sobre
  • Apoie
  • Política de Privacidade
  • Contato
  • Agenda
  • Artes Visuais
  • Colunas
  • Cinema
  • Entrevistas
  • Literatura
  • Crônicas
  • Música
  • Teatro
  • Política
  • Reportagem
  • Televisão

© 2015-2023 Escotilha - Cultura, diálogo e informação.

Sem Resultados
Veja Todos Resultados
  • Reportagem
  • Política
  • Cinema
  • Televisão
  • Literatura
  • Música
  • Teatro
  • Artes Visuais
  • Sobre a Escotilha
  • Contato

© 2015-2023 Escotilha - Cultura, diálogo e informação.