Depois de sete temporadas sendo apresentado por Britto Júnior e duas por Roberto Justus, o reality show da Record, A Fazenda, que estreou no dia 18 do mês passado, trouxe à sua frente o apresentador Marcos Mion, o grande destaque da atual edição.
Com um estilo mais despojado, divertido e de maior interação com o público e com os participantes, Marcos Mion tem conseguido dar um novo toque ao programa e favorecer a essência que esse carrega desde a primeira temporada: a espetacularização.
Sempre com um elenco composto por celebridades de segundo escalão, o reality apela para o barraco e a confusão. Nesse ano, por exemplo, a ex-BBB Ana Paula Renault, Nadja Pessoa, que já participou de outro reality na emissora – o Power Couple Brasil -, e o polêmico Rafael Ilha foram alguns dos escolhidos visando, obviamente, os conflitos dentro da casa.
Com um ar divertido e, às vezes, de deboche, Marcos Mion dá o tom que A Fazenda pede.
Com um ar divertido e, às vezes, de deboche, Marcos Mion dá o tom que A Fazenda pede. O apresentador passa longe da forma robotizada e sem graça dos seus antecessores. O próprio Roberto Justus, que apresentou as duas últimas temporadas, disse que Mion combina mais com o programa do que ele: “Considero que eu fiz ele [o reality] direito, mas eu acho que caiu como uma luva para o Mion, ele nasceu para fazer esse programa”.
Já acostumado a analisar de forma cômica alguns momentos de A Fazenda no quadro “Vale a Pena Ver Direito”, do seu extinto programa, Legendários, Marcos Mion encontrou grande facilidade para explorar todos os aspectos do reality. Além disso, ele induz os telespectadores a encararem o programa como uma mera diversão. Na última quinta-feira, por exemplo, Mion convidou o público para acompanhar a sabatina pela qual passariam os participantes que estavam na Roça – o “paredão d’A Fazenda“, e que seria ouvida pelos demais peões, e garante uma espécie de espetáculo a ser assistido: “Aproveita e já estoura a pipoca, porque, daqui a pouco, eu vou fazer aquela rodada de perguntas espinhosas para os roceiros e a galera da sede vai ouvir tudo. É um momento bom de ouvir comendo uma pipoquinha, não é verdade?”.
O apresentador ainda levou alguns de seus bordões criados ao longo da carreira para o programa, como “dar um gratininho” e “tchuplack tchuplin no ratchofly”, para se referir a algum momento íntimo dos casais. E criou, para o próprio programa, a expressão “fogo no feno”, que faz uma analogia ao “fogo no parquinho”, do BBB.
Colocar Marcos Mion como o apresentador de A Fazenda foi o grande acerto da Record. A forma com a qual ele conduz o programa, apresenta a real proposta da atração (a espetacularização da vida dos ex-famosos e dos que nem são tão famosos assim – existem participantes que as pessoas nunca viram ou ouviram falar). Ao contrário dos seus antecessores e de apresentadores de outros realities shows, Mion não força a barra para uma possível seriedade que o programa nunca possuiu. Assim, o telespectador consome um programa que não se esconde atrás do que não é. O atual apresentador não só assume a futilidade de A Fazenda, como dialoga e interage com essa característica durante todo o programa.