• Sobre
  • Apoie
  • Política de Privacidade
  • Contato
Escotilha
Sem Resultados
Veja Todos Resultados
  • Reportagem
  • Política
  • Cinema
  • Televisão
  • Literatura
  • Música
  • Teatro
  • Artes Visuais
  • Reportagem
  • Política
  • Cinema
  • Televisão
  • Literatura
  • Música
  • Teatro
  • Artes Visuais
Escotilha
Home Televisão

“Marielle, Presente”: quando a televisão explicou as fake news

Coluna segue analisando como a cobertura da morte da vereadora Marielle Franco fez com a TV se misturasse com as lógicas da internet.

porMaura Martins
26 de março de 2018
em Televisão
A A
"Marielle, Presente": quando a televisão explicou as fake news

Imagem: Reprodução.

Envie pelo WhatsAppCompartilhe no LinkedInCompartilhe no FacebookCompartilhe no Twitter

Na semana passada, comentei aqui sobre a abordagem feita pelas emissoras televisivas sobre o caso da execução da vereadora do PSOL Marielle Franco, tornando o acontecimento um dos grandes fenômenos político-digitais dos últimos tempos – os comentários sobre o fato no Twitter, aliás, chegaram a superar em quantidade os posts sobre o impeachment de Dilma Rousseff em 2016. Como resultado, a televisão teve que “correr atrás” de uma manifestação que tomou fôlego nas redes digitais e foi adentrar os grandes veículos, em uma lógica cuja inversão (as redes sociais pautando a TV e não o contrário) tem se tornado cada vez mais recorrente.

Passada uma semana de que tudo aconteceu, o caso ainda não foi silenciado e continua se desdobrando na televisão – obviamente, atingindo novas configurações e suscitando novas análises. A morte de Marielle Franco segue dando pano para manga e levantando outras questões interessantes acerca dos desafios enfrentados pelo jornalismo em tempos de convergência de mídias. Sua repercussão tem sido tão forte que o fato inclusive adentrou a programação de entretenimento: o Vídeo Show, um programa totalmente dedicado ao culto da própria televisão e das estrelas que ela mesma constrói, fez uma homenagem a Marielle. Além disso, o humorístico Tá no Ar, que também tematiza a televisão, encerrou sua edição com uma tela que reverenciava a hashtag “Marielle, Presente”. Já o Encontro com Fátima Bernardes enfrentou uma espécie de saia justa ao tratar do assunto, logo após a sua morte.

É interessante notar, portanto, que a pauta do assassinato de Marielle Franco se impôs em praticamente toda a programação televisiva, fazendo com um tema de interesse político se misturasse com atrações de outra ordem. A televisão, nesse caso, parece enfrentar uma espécie de dilema, pois se vê diante de uma rota sem saída: se não trata do assunto, é acusada de alienada, de fechar os olhos à realidade; se toma posse do tema em programas que nada teriam a acrescentar ao caso, causa estranhamento e gera uma certa impressão de oportunismo.

O mais impressionante, ao que me parece, foi que o caso forçou uma “pauta” que se repetiu em todos os telejornais da Globo: uma reportagem que funcionasse como uma explicação bastante didática e acessível sobre o que é fake news, as notícias falsas que (ninguém sabe explicar direito como) circulam e geram repercussão a partir das redes sociais, tomando mentiras como verdades. Em suma, é sintomático notar que veículos de peso como o Jornal Nacional tiveram que dedicar um momento de sua programação para explicar a lógica da desinformação promovida, em parte, pela propagação de notícias mentirosas via internet.

Há uma mudança bastante profunda no universo das mídias quando o principal telejornal do país acredita que deve explicar à população sobre como as informações falsas circulam entre os usuários da internet.

Dizendo em outras palavras: há uma mudança bastante profunda no universo das mídias quando o principal telejornal do país acredita que deve explicar à audiência televisiva sobre como as informações falsas circulam entre os usuários da internet. A reportagem do Jornal Nacional, inclusive, chega a reproduzir prints das mensagens postadas pela desembargadora Marília Castro Neves, que se tornou uma espécie de inimiga nacional por causa das mensagens irresponsáveis e mentirosas que divulgou em sua página (pessoal) do Facebook (o caso ganha repercussão, é claro, pois se trata de alguém que desempenha uma função pública, ou seja, paga por todos os brasileiros, e não um mero “civil” qualquer). Em suma, deu-se palco (e tela) para expor um blá-blá-blá da infame desembargadora – um “vômito” online, certamente criminoso, mas ainda assim um blá-blá-blá que, em outros tempos, ficaria restrito ao submundo da internet (e que, antes disso, ficava restrito às conversas de bar).

Ou seja, em alguma medida, o caso da cobertura de Marielle Franco – obviamente, não apenas ele, mas encaro-o aqui como uma espécie de gota d’água que transbordou o copo – acaba configurando uma situação que força, inclusive, o jornalismo (especialmente de televisão) a colocar os limites sobre a sua atuação e esclarecê-los à audiência. É como se os telejornais dissessem: querendo ou não, seguimos sendo os arautos da verdade, as fontes mais confiáveis que a população deve consultar quando precisar ter certeza sobre o que de fato acontece no mundo lá fora.

Se outrora imaginávamos, na imagem eternizada de forma infeliz pelo apresentador William Bonner, que a televisão precisava se comunicar com o Homer Simpson (ou seja, com o mais estúpido dos espectadores), hoje já assumimos que as coisas se complexificaram. A audiência migrou para a internet e de lá precisa ser, em alguma medida, “resgatada” por veículos mais confiáveis.

No entanto, é preciso notar que a mensagem que desenha por trás dessa intenção, possivelmente imprevista, é o reconhecimento e a validação da potência das redes sociais enquanto disseminadoras de informação – mesmo que seja da pior qualidade possível. Não deixa de ser um jeito de revelar que, de uma forma ou outra, a TV tem falhado em seu papel.

Tags: análise de mídiaCrítica de MmídiaEncontro com Fátima Bernardesfake newsJornal NacionalMarielle FrancoMarielle PresenteTá no arTelejornalismoTelevisãoWilliam Bonner

VEJA TAMBÉM

Rhea Seehorn encarna Carol Sturka diante de um mundo em uma violenta transformação. Imagem: High Bridge Productions / Divulgação.
Televisão

‘Pluribus’ faz da felicidade obrigatória uma forma de violência

3 de fevereiro de 2026
Adam Scott e Britt Lower mergulham mais nas entranhas da Lumen durante a segunda temporada de 'Ruptura'. Imagem: Fifth Season / Divulgação.
Televisão

‘Ruptura’ cresce sem se explicar e se torna mais perturbadora

30 de janeiro de 2026
Please login to join discussion

FIQUE POR DENTRO

Timothée Chalamet está indicado ao Oscar de melhor ator por sua interpretação de Marty Mauser. Imagem: A24 / Divulgação.

‘Marty Supreme’ expõe o mito da autoconfiança americana

5 de fevereiro de 2026
'Guerreiras do K-Pop' desponta como favorito na categoria de melhor canção original no Oscar 2026. Imagem: Sony Pictures Animation / Divulgação.

O fenômeno ‘Guerreiras do K-Pop’

4 de fevereiro de 2026
Rhea Seehorn encarna Carol Sturka diante de um mundo em uma violenta transformação. Imagem: High Bridge Productions / Divulgação.

‘Pluribus’ faz da felicidade obrigatória uma forma de violência

3 de fevereiro de 2026
A escritora argentina Samanta Schweblin. Imagem: Alejandra Lopez / Divulgação.

Em ‘O Bom Mal’, Samanta Schweblin mostra que o horror mora ao lado

30 de janeiro de 2026
Instagram Twitter Facebook YouTube TikTok
Escotilha

  • Sobre
  • Apoie
  • Política de Privacidade
  • Contato
  • Agenda
  • Artes Visuais
  • Colunas
  • Cinema
  • Entrevistas
  • Literatura
  • Crônicas
  • Música
  • Teatro
  • Política
  • Reportagem
  • Televisão

© 2015-2023 Escotilha - Cultura, diálogo e informação.

Sem Resultados
Veja Todos Resultados
  • Reportagem
  • Política
  • Cinema
  • Televisão
  • Literatura
  • Música
  • Teatro
  • Artes Visuais
  • Sobre a Escotilha
  • Contato

© 2015-2023 Escotilha - Cultura, diálogo e informação.