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François Ozon brinca com o suspense e o terror no erótico ‘O Amante Duplo’

No thriller psicológico 'O Amante Duplo', o cineasta francês François Ozon revisita o tema da psicanálise para discutir a subjetividade feminina.

porPaulo Camargo
12 de julho de 2018
em Cinema
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François Ozon brinca com o suspense e o terror no erótico 'O Amante Duplo'

Imagem: Reprodução.

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O francês François Ozon é um dos diretores mais profícuos hoje em atividade. Ao longo das últimas duas últimas décadas, ele vem lançando quase um longa-metragem por ano e mantendo um admirável nível de qualidade em sua obra, sempre provocativa, nunca burocrática, mesmo quando não acerta por completo. Em 2016, ele lançou o belíssimo Frantz, um misterioso drama que capta como poucos a tensão pós-Primeira Guerra Mundial entre franceses e alemães. Agora, volta ao cartaz com O Amante Duplo, que o reafirma como um dos autores mais instigantes do cinema contemporâneo.

Quem conhece mais de perto a filmografia de Ozon, cuja obra inclui títulos memoráveis como 8 Mulheres (2002) e Dentro de Casa (2012), vai reconhecer em O Amante Duplo alguns elementos recorrentes, como a sexualidade, a influência da psicanálise e a discussão sobre o amor, sempre envoltos por uma atmosfera de mistério, por mais que ele oscile entre gêneros cinematográficos.

Desta vez, o cineasta opta pelo thriller psicológico, com toque de terror, em uma espécie de homenagem ao Roman Polanski de ‘Repulsa ao Sexo’ (1965) e ‘O Bebê de Rosemary’ (1968).

Desta vez, o cineasta opta pelo thriller psicológico, com toque de terror, em uma espécie de homenagem ao Roman Polanski de Repulsa ao Sexo (1965) e O Bebê de Rosemary (1968). Também traz ecos de Alfred Hitchcock e Brian De Palma.

O filme conta a história da ex-modelo Chloé (Marine Vacth, estrela de Jovem e Bela, também de Ozon), uma mulher com recorrentes dores no ventre que, após não obter um diagnóstico médico conclusivo, recorre à psicanálise. Após algumas sessões, ela e seu terapeuta, Paul (o excelente ator belga Jérémie Renier, de Horas de Verão), se apaixonam e o relacionamento os impede de continuarem o tratamento. Como ela parece estar bem, eles decidem morar juntos.

Acontece que Chloé sofre um recaída ao descobrir que Paul tem um irmão gêmeo, Louis, também psicoterapeuta, com quem seu marido é brigado e cuja existência ele esconde. A jovem, então, toma uma atitude ousada: sem contar ao companheiro, ela procura o cunhado e com inicia um tratamento, muito mais agressivo, com toques sadomasoquistas, que desencadeará uma série de consequências imprevisíveis.

A narrativa de O Amante Duplo é construída a partir da subjetividade de Chloé e, lentamente, torna-se um thriller angustiante, erótico, que, em muitos momentos, flerta com o horror. Como a personagem trabalha como vigia em um museu de arte contemporânea, há um interessante diálogo entre seu estado emocional e as obras que a cercam, que funcionam, em certa medida, como metáforas para seu estado de alma da personagem.

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Tags: Alfred HitchcockCinemaCrítica CinematográficaFrancois OzonHorrorMovie ReviewO Amante DuploResenhaReviewRoman Polanskithriller psicológico

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