
As três histórias que integram Violência, longa-metragem de estreia do cineasta colombiano Jorge Forero, não estão conectadas por elementos narrativos evidentes, mas há um fio único que as costura, que vai além do fato de as tramas revelarem diferentes facetas do país natal do diretor.
Todas as narrativas do filme, que participa da mostra competitiva do Olhar de Cinema 2015, começam com o nascer do sol. Na primeira, um homem (Rodrigo Velez), que aparenta ser um prisioneiro das FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), caminha pela selva. Na seguinte, um adolescente (Nelson Camayo) faz amor com sua namorada, para depois escapar pela janela da casa da garota.
Na terceira, um homem aparentemente comum (David Aldana) toma banho. Mais tarde, à medida em que ele se coloca em movimento, descobriremos que é um dos comandantes de um grupo paramilitar, que o conecta de forma mais evidente ao episódio de abertura e também tem algo a ver com o segundo.
A força está em acompanhar detalhes cotidianos e prosaicos em um dia na vida dos três personagens, que não parece lhes reservar nada de muito surpreendente.
Forero, mais do que construir um discurso sobre violência, como o título do longa sugere, ou forçar conexões dramáticas entre as tramas, estabelece um paralelo de outra ordem, na construção de seu longa.
A força está em acompanhar detalhes cotidianos e prosaicos em um dia na vida dos três personagens, que não parece lhes reservar nada de muito surpreendente. No desenlace de cada narrativa, entretanto, há algo que irrompe, como se estivesse latente, se desenhando fora do alcance do olhar do espectador, como uma besta à espreita.
As histórias são editadas uma após a outra, sem conectores evidentes, como se fossem três médias-metragens autônomos, o que os tornam ainda mais potentes. Cabe ao espectador, sem qualquer coação do roteiro ou da montagem, estabelecer, ou não, os vínculos entre elas. Essa associação pode ser de ordem política, já que todas parecem tangenciar a questão da guerrilha armada no país. Mas Forero foge dessa tentação simplista e não dá muitas explicações.
É certo que se trata de um elemento importante, mas o diretor está mais interessado na jornada dos seus personagens, atropelados pela violência, e também por ela colocados em movimento. E essa escolha fascina, por fugir da obviedade, contrariando expectativas melodramáticas, tão caras às ficções de nosso continente.
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