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Home Crônicas Henrique Fendrich

O homem que não dorme

porHenrique Fendrich
12 de agosto de 2015
em Henrique Fendrich
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Imagem: Reprodução.

Imagem: Reprodução.

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Mas então é assim? Trabalhar o dia inteiro, correr para cumprir todos os compromissos, mal ter tempo para uma pausa e, ao final de tudo, quando se espera pelo menos o consolo de uma boa noite de sono, não conseguir dormir? Recuso que seja assim, e por isso ainda me esforço mais uma vez, troco de posição, mudo o travesseiro de lugar, faço o diabo: e ainda não consigo dormir.

Já passou uma hora desde que me deitei e a minha noite já está comprometida. Ainda se fosse apenas a noite! O meu dia de amanhã já está comprometido. Porque se não conseguir dormir direito, eu também não vou conseguir trabalhar direito. Vou ficar bocejando o dia todo, com os olhos ardendo, a cabeça latejando, sabe Deus o que mais acontece no organismo de quem passa uma noite mal dormida. Tenho delírios, começo a pensar em pedir ao meu chefe uma manhã de folga para dormir, certamente ele vai entender, certamente é um motivo justo.

Súbito, tenho uma revelação: eu não vou conseguir dormir, nem nesta noite nem nunca mais. Será mesmo possível que algum dia eu volte a dormir? Se não consigo hoje, o que me garante que venha a conseguir depois? Pois se não basta nem estar cansado! Talvez eu seja um caso raríssimo na medicina, o homem que não dorme. Sim, já havia algum tempo que não dormia como antes, é bem possível que agora eu tenha desaprendido de vez. Será possível?

O tempo vai passando, eu ligo a televisão, assisto a algumas sessões de descarrego, abro o livro que me parece mais aborrecido, mas, que diabo, eu me interesso pela história. Ando para lá e para cá, me esforço para bocejar, como quem diz ao sono “venha, venha”, e quando acho que já estou em condições de tentar outra vez, torno a me deitar: tudo em vão, não consigo pregar o olho.

“Será mesmo possível que algum dia eu volte a dormir? Se não consigo hoje, o que me garante que venha a conseguir depois? Pois se não basta nem estar cansado! Talvez eu seja um caso raríssimo na medicina, o homem que não dorme.”

Tenho então um pensamento, o de que todos os suicidas tomaram essa decisão em uma noite que não conseguiram dormir. Porque nem todo mundo é Clarice Lispector, nem todo mundo acha que a insônia pode ser um dom.

Talvez se eu morasse em uma casa barulhenta, cheia de gente, eu valorizasse o momento de solidão que uma noite de insônia proporciona. Mas, bolas, eu moro sozinho, estou “por aqui” com a minha companhia, e tudo o que eu queria ao dormir era justamente escapar um pouco da minha presença.

Resolvo pegar um comprimido de melatonina, que não é um remédio, que não é aquilo que deixou o Michael Jackson branco, e que também nunca funcionou comigo. Mas eu tenho fé, tanto que vêm até a minha mente as palavras de Jesus: “E tudo quanto pedirdes em meu nome, eu o farei”, Ora, tudo é tudo, todas as coisas, então isso também deve incluir dormir.

Tenho então um rompante de humildade e digo a Deus que eu podia estar pedindo casa, carro, mulher para casar, Ele sabe mais o quê, mas estou pedindo apenas algumas horas de sono. Penso então que cairei desfalecido imediatamente, prostrado por um sono tão profundo que o Senhor poderia até mesmo tirar uma das minhas costelas que eu nada perceberia.

Como isso demora a acontecer, trato de facilitar as coisas e volto a me deitar. Prometo não ficar olhando para o relógio, tento relaxar, deixar o pensamento correr. E depois não sei o que aconteceu, só sei que às cinco da manhã o vizinho começou uma barulheira e me acordou.

Tags: Crônicainsôniaproblemas para dormirsono

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