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Home Crônicas Paulo Camargo

Não fala alto, senão eu grito

porPaulo Camargo
27 de fevereiro de 2018
em Paulo Camargo
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"Não fala alto, senão eu grito", crônica de Paulo Camargo.

Imagem: Reprodução.

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Não me incomoda quem fala pouco. Tampouco os que têm a conversa solta, espontânea e gostosa. Estes me dão esperança e costumam me encher de alegria. Já os que elevam a voz, fazendo-se ouvir sem serem convidados, como se carregassem diante da boca um megafone invisível, me dão aflição. Quando o volume se eleva, tomando conta do ambiente, com relatos e comentários que não costumam interessar, chegando a causar desconforto, a vontade é de entrar em estado gasoso e flutuar. Fugir para outra dimensão.

Por alguma razão, as pessoas andam falando muito alto, abusando de uma expressividade vazia, algo contundente, enfática e agressiva. Tenho uma teoria, que pode ser completamente infundada, furada mesmo, mas que, pelo menos para mim, faz certo sentido.

Com o advento das redes sociais, as possibilidades de expressar opinião, de falar o que vem à cabeça, se ampliaram de tal forma, que muitos filtros sociais aos poucos se dissolveram de forma perigosa, constrangedora. Diz-se, conta-se e mostra-se tudo, a qualquer custo, mesmo sem muita fundamentação, ou cuidado com a dignidade ou a sensibilidade alheia. Grita-se, apontam-se dedos, e muitos se julgam donos da verdade, capazes de desconstruir, ridicularizar e neutralizar quem os contraria. Sem falar dos que se colocam em uma posição de protagonismo imaginário, ilusório.

Não me incomoda quem fala pouco. Tampouco os que têm a conversa solta, espontânea e gostosa. Estes me dão esperança e costumam me encher de alegria. Já os que elevam a voz, fazendo-se ouvir sem serem convidados, como se carregassem diante da boca um megafone invisível, me dão aflição.

Passado algum tempo, toda essa liberdade de tudo poder dizer em um imenso vale de anonimato, onde as vozes ecoam, mas ninguém é exatamente penalizado pelas barbaridades que expressa, parece ter ultrapassado os limites do mundo virtual, como numa história distópica de ficção científica à la Black Mirror.

Tenho ouvido ao vivo, reverberando em espaços públicos, desde histórias muito pessoais, íntimas mesmo, que caberiam melhor em uma troca à meia-voz, menos exibicionista, até declarações explícitas de intolerância política, misoginia, racismo e homofobia. De boa, como se fosse conversa de boteco, ou de banco de praça. Sem pudor.

Por essas e outras, ando gostando muito de quem fala baixo, querendo ouvir e não ser ouvido, de quem pensa duas vezes.

Tags: Black MirrorconversaCrônicafalar altohomofobiainterlocuçãointolerânciamisoginiaouvirRacismoRedes sociais

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