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Home Crônicas Yuri Al'Hanati

Sempre alerta

porYuri Al'Hanati
29 de fevereiro de 2016
em Yuri Al'Hanati
A A
"Sempre alerta", crônica de Yuri Al'Hanati.

Imagem: Reprodução.

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Certa vez, estava em uma casa de shows com um amigo meu, e enquanto estávamos na fila para pegar alguma bebida, ele me disse algo como: “Não é horrível que a gente não consiga relaxar como essas pessoas?”. Ele se referia à nossa desconfiança com estranhos em espaços públicos. Vivemos na iminência de um ataque sorrateiro, ou de alguma movimentação escusa debaixo dos nossos narizes, e somos incapazes de nos abandonar ao movimento das massas, curtir a vida de punhos abertos.

Com o que ele, um grandalhão careca e tatuado, intimidador como poucos, poderia se preocupar em um ambiente como aquele em que estávamos, repleto de pessoas inofensivas, mirradinhas, de camisas floridas, coques nos cabelos, óculos grandes e tatuagens horríveis? Aliás, com o que eu poderia me preocupar? Com esses homens adultos, pacíficos, de bem com a vida, subnutridos e vestidos como palhaços? A paranoia irracional e perene das nossas vidas poderia ser explicada por traumas de infância ou experiências recentes, mas ele preferiu atribuir isso a uma certa natureza masculina do ser, zeloso e hermético. Octávio Paz concordaria com palavras melhores, já que atribuiu à desconfiança do mexicano (em O Labirinto da Solidão) um automatismo ontológico. “Nossa integridade masculina corre tanto perigo diante da benevolência quanto da hostilidade. Toda abertura de nosso ser implica renúncia a nossa hombridade”, escreveu o poeta, que diz que para o homem, a vida é uma luta.

Por que nos sentimos assim e contra quem, exatamente, estamos lutando, são questões que ressoam tão profundamente na alma que é capaz que nenhum argumento que possa vir a ser satisfaça verdadeiramente. Mas, mais do que isso: o que me separa desses homens de coque e flamingos na camisa que falam alto e de forma desinibida, tão alheios do que os cerca?

O que me separa desses homens de coque e flamingos na camisa que falam alto e de forma desinibida, tão alheios do que os cerca?

Penso que parte da resposta seja explicada com o grande mal do século 21: o patriarcado. Nasci e cresci no Rio de Janeiro, uma das sociedades mais machistas que já presenciei. Ser homem no Rio não é um direito nato, é um dever a ser cumprido e conquistado. Defender a masculinidade contra atributos não-tão-masculinos (como, digamos, balé e literatura) é imprescindível para a formação de um homem “de bem”, indubitavelmente heterossexual e potencialmente perigoso em casos extremos. Não preciso descrever o choque que é Curitiba e sua cena alternativa para quem cresce sob esses signos. Foi porque vim morar nesta cidade que pude me soltar um pouco, rir mais de mim mesmo e dialogar com o meu lado feminino. Nunca completamente, entretanto. Nunca abaixar totalmente a guarda, nunca se abdicar, nunca abrir os punhos. Esse estrago já está feito. O sentimento de solidão é enorme.

Tags: Crônicadesconfiançamasculinidadeoctavio pazsolidão

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