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Home Literatura

‘Cosmogonias’: sobre como os mundos são criados

porLuiz Henrique Budant
15 de abril de 2019
em Literatura
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Otto Leopoldo WInck, autor de Cosmogonias

Otto Leopoldo WInck, autor de 'Cosmogonias', publicado pela Kotter Editorial. Imagem: Reprodução.

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Escrito por Otto Leopoldo Winck, Cosmogonias (2018, Kotter Editorial) não é um livro fácil. Nem de palavras fáceis… a começar pelo título.

“Cosmogonia” é um discurso sobre a origem do mundo, do tudo, do universo. Quando temos cosmogonias (no plural), teríamos uma multiplicidade de discursos? Do mundo? Da poesia? Dos deuses – aqueles que, segundo Winck, nascem da angústia?

Os deuses, os poemas nascem da angústia e “a fé é irmã da angústia”, escreverá o poeta. Há uma profusão de temas e citações (algumas ocultas, outras nem tanto). A oficina poética de Otto Winck exige do leitor familiaridade com Borges, com Drummond, com Dante, com Rimbaud, com Fernando Pessoa e com tantos outros, com toda uma miríade (para que nos mantenhamos na metáfora cósmica) de grandes autores:

“volta e meia esta luta:
corpo insone
mente insana
e esta lua…”

‘Cosmogonia’ é um discurso sobre a origem do mundo, do tudo, do universo.

Para além da menção ao poema drummondiano, temos a evocação ao velho poeta romano Juvenal, que nos ensinava que, primeiro, devemos desejar “mens sana in corpore sano” (mente sã em um corpo são). O mesmo poema (“Ocidente”) terminará com uma operação complexa, que poderá remeter o leitor a Fernando Pessoa:

“(No entanto, do outro lado da rua,
o guardador de carros
não tem dúvida: se não descolar vinte pratas,
dorme na rua.)”

Há algo, parece-me, de “Esteves sem metafísica” nesse guardador de carros, também algo de “guardador de rebanhos”. O que não deixa de ser curioso, pois pode-se dizer que Alberto Caeiro é o mais metafísico dos heterônimos pessoanos.

Porém, nem só de operações complexas são feitas essas Cosmogonias. É o caso do poema “Microcosmos”:

“Se fez uma tempestade
num copo dágua,
é porque havia dentro
um oceano inteiro.”

Se o homem é um pequeno universo (anthropos mikros kosmos), então um copo d’água pode ser um oceano inteiro… especialmente se comportar uma tempestade inteira.

Talvez uma pista sobre a poética de Winck se encontre no poema “Aleph”:

“Mas em minha voz
– já sem fôlego –
repercutem as vozes todas
desde Adão.”

A primeira letra do alfabeto hebraico, letra rebelde, também é o nome do famoso conto borgiano sobre um estranho objeto que, dos subúrbios de Buenos Aires, permite ver o universo inteiro. Parece se tratar disso: um fazer poético que se permita mostrar toda a literatura. Ou, talvez dissesse o próprio poeta: um salto no abismo – uma imagem recorrente ao longo da obra.

Sem dúvida, uma grande tarefa.

Em tempo: o trabalho editorial mereceria um texto à parte.

COSMOGONIAS | Otto Leopoldo Winck

Editora: Kotter Editorial;
Tamanho: 120 págs.;
Lançamento: 2018.

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Tags: bookBook ReviewCosmogoniasCrítica LiteráriaKotter EditorialLiteraturaOtto Leopoldo WinckPoesiapoesia brasileiraResenha

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