• Sobre
  • Apoie
  • Política de Privacidade
  • Contato
Escotilha
Sem Resultados
Veja Todos Resultados
  • Reportagem
  • Política
  • Cinema
  • Televisão
  • Literatura
  • Música
  • Teatro
  • Artes Visuais
  • Reportagem
  • Política
  • Cinema
  • Televisão
  • Literatura
  • Música
  • Teatro
  • Artes Visuais
Escotilha
Home Literatura

‘Era o vento’: a literatura nos tempos da barbárie

porJonatan Silva
9 de outubro de 2019
em Literatura
A A
Era o vento, nova obra de Carlos Machado

O escritor Carlos Machado. Imagem: Divulgação.

Envie pelo WhatsAppCompartilhe no LinkedInCompartilhe no FacebookCompartilhe no Twitter

Não pode haver literatura feita de fronteiras. É o lugar que, por não existir, realmente existe e está aqui e acolá. Os contos de Era o vento, sexto livro do londrinense-curitibano Carlos Machado, transcendem a ideia de pertencimento geográfico e sentimental. São narrativas que se debruçam sobre o intangível. Seus personagens orbitam ao redor de vidas comuns e que “desejam estar onde não estão”. São sujeitos abstratos vivendo em um mundo concreto e rachando, partido pelas distâncias que constroem todos os dias – mesmo sem saber.

O autor cria seus relatos no limiar da complexidade das relações. Os contos se debruçam sobre questões espinhosos como a imigração, a flutuação dos corpos no emaranhado de possibilidades diante dos abismos cotidianos, a dificuldade do brasileiro se perceber como latino – como fica evidente em “Latinoamérica”. Era o vento é o resultado de um universo próprio, uma ruptura frente à literatura cada vez mais voltada para si. É o contraponto da “Inércia”, texto que abre o volume, e cujo registro é desconcertante de tão real.

Era o vento é o resultado de um universo próprio, uma ruptura frente à literatura cada vez mais voltada para si.

Em “Renúncia”, conto vencedor do Prêmio Off Flip 2019, Machado rompe com a ideia de fim e recomeço. Homens e mulheres apenas caminham pelas avenidas, se afastam e se aproximam como em um zoom orgânico e instintivo. Sobrevivem uns aos outros. “Em nome do pai, amém” é um oposto da multidão que povoa a literatura de Carlos Machado e é, ao mesmo tempo, um relato de guerra – algo que, à primeira vista, pode parecer improvável, mas que se revela uma narrativa ardilosa e inteligente.

“Janela”, “A Visita” e “A Mesma moeda” formam uma tríade íntima sobre tradições familiares, alheamento e o lugar no mundo. O conto que dá nome ao livro é como uma aquarela e que, não por acaso, se revela como um espelho. É narciso sobre o leito do rio ou preso nas engrenagens que movem a sociedade. “Criar raízes” e “Apenas uma perspectivas” são retratos irônicos daquilo que  maioria das pessoas tenta evitar.

Pedra no sapato

A literatura de Machado é uma pedra no sapato. É pelo incômodo que irrompe as dores e estabelece os vínculos. É na insegurança de seus personagens que costura uma teia simbólica, uma metáfora contra a imprecisão dos tempos líquidos.

Os doze contos de Era o vento formam um evangelho contra a barbárie. É na sutileza das composições líricas dos textos – algo presente em Poeira fria, Passeios e Esquina da minha rua – que Carlos Machado se consolida como uma das vozes mais interessantes e importantes da literatura brasileira.

ERA O VENTO | Carlos Machado

Editora: Patuá;
Tamanho: 140 págs.;
Lançamento: Maio, 2019.

[button color=”red” size=”small” link=”https://amzn.to/2IBAw9c” icon=”” target=”true” nofollow=”false”]Compre com desconto![/button]

link para a página do facebook do portal de jornalismo cultural a escotilha

Tags: Book ReviewCarlos MachadocontosCrítica LiteráriaEditora PatuáEra o ventoEsquina da minha ruaLiteraturaLiteratura Curitibananão lugarPasseiosPoeira friaResenha

VEJA TAMBÉM

Novas obras da autora neozelandesa começam a ganhar corpo no Brasil. Imagem: Alexander Turnbull Library / Divulgação / Montagem: Escotilha.
Entrevistas

Katherine Mansfield no Brasil; agora, por inteiro

9 de abril de 2026
Autora conversou com exclusividade com nossa reportagem. Imagem: Sebastián Freire / Divulgação.
Entrevistas

Mariana Enriquez: “Minha primeira impressão do mundo foi sob um regime autoritário muito feroz”

25 de março de 2026

FIQUE POR DENTRO

'Apopcalipse Segundo Baby' foi produzido ao longo de dezoito anos. Imagem: Dilúvio Produções / Divulgação.

‘Apopcalipse Segundo Baby’ ilumina a jornada musical e espiritual de Baby do Brasil – É Tudo Verdade

17 de abril de 2026
Documentário sobre David Bowie abriu a edição 2026 do É Tudo Verdade. Imagem: ARTE / Divulgação.

‘Bowie: O Ato Final’ aponta para a genialidade do artista em seus momentos finais – É Tudo Verdade

15 de abril de 2026
Registro de 'Piracema', do Grupo Corpo. Imagem: Humberto Araújo / Divulgação.

Crítica: ‘Piracema’ e o Corpo que insiste no movimento – Festival de Curitiba

14 de abril de 2026
Malu Galli em 'Mulher em Fuga'. Imagem: Annelize Tozetto / Divulgação.

Crítica: ‘Mulher em Fuga’ é encontro de Malu Galli e Édouard Louis em cena – Festival de Curitiba

13 de abril de 2026
Instagram Twitter Facebook YouTube TikTok
Escotilha

  • Sobre
  • Apoie
  • Política de Privacidade
  • Contato
  • Agenda
  • Artes Visuais
  • Colunas
  • Cinema
  • Entrevistas
  • Literatura
  • Crônicas
  • Música
  • Teatro
  • Política
  • Reportagem
  • Televisão

© 2015-2023 Escotilha - Cultura, diálogo e informação.

Sem Resultados
Veja Todos Resultados
  • Reportagem
  • Política
  • Cinema
  • Televisão
  • Literatura
  • Música
  • Teatro
  • Artes Visuais
  • Sobre a Escotilha
  • Contato

© 2015-2023 Escotilha - Cultura, diálogo e informação.