• Sobre
  • Apoie
  • Política de Privacidade
  • Contato
Escotilha
Sem Resultados
Veja Todos Resultados
  • Reportagem
  • Política
  • Cinema
  • Televisão
  • Literatura
  • Música
  • Teatro
  • Artes Visuais
  • Reportagem
  • Política
  • Cinema
  • Televisão
  • Literatura
  • Música
  • Teatro
  • Artes Visuais
Escotilha
Home Literatura

Jaguar abre a Flip com conversa bem-humorada sobre Millôr – Flip

Veterano cartunista Jaguar participou da Flip em um papo animado sobre o escritor e desenhista Millôr Fernandes.

porPaulo Camargo
12 de março de 2015
em Literatura
A A
Jaguar abre a Flip com conversa bem-humorada sobre Millôr

Imagem: Reprodução.

Envie pelo WhatsAppCompartilhe no LinkedInCompartilhe no FacebookCompartilhe no Twitter

Humor não é para Iniciantes. A mesa de abertura da Festa Literária Internacional de Paraty, realizada nesta quarta-feira à noite na Tenda dos Autores, deu ao veterano cartunista Jaguar, convidado para falar sobre o escritor e desenhista Millôr Fernandes, homenageado da festa neste ano, a chance de revelar ao público detalhes mais do que pitorescos tanto sobre o artista quanto sobre experiências compartilhadas por ambos durante os anos em que trabalharam juntos na redação do lendário jornal O Pasquim, no bairro carioca do Cantagalo.

Entre as hilariantes histórias contadas pelo artista gráfico, sob a provocação dos humoristas Hubert e Reinaldo (cujas intervenções deixaram a desejar), do grupo Casseta & Planeta, e também ex-integrantes da equipe de O Pasquim, uma das que mais provocou risos, e alguma surpresa, foi a de um entrevero até certo ponto inflamado entre Millôr e o compositor Chico Buarque.

Foi um período maravilhoso, nem fui torturado. E ainda saí de lá, direto para uma festa de Réveillon do Clube Silvestre, com pinta de herói.

Amigo do jornalista Tarso de Castro, outro fundador de O Pasquim, com quem Millôr tinha uma relação tensa, Chico um dia teria, em um encontro ocasional num bar do Leblon, colocado o escritor contra parede.

“O Chico queria saber o que ele tinha contra ele, e o Tarso, e acabou dando uma cusparada na cara do Millôr, que reagiu jogando nele tudo que tinha pela frente, mesa, copos, garrafas e até a moça que estava com ele, mas errou e acertou o garçom”, contou Jaguar, entre risos.

À época do ocorrido, ele havia escrito sobre o incidente, mas sem dar nomes aos bois: disse apenas que o maior compositor brasileiro e o maior cartunista do país haviam chegado às vias de fato. O casos gerou uma série de especulações e brincadeiras. “Millôr chegou a me dizer: “Não sabia que havia brigado com o Martinho da Vila’.”

Prisão

Mais risos e aplausos na plateia vieram quando Jaguar, muito irreverente, narrou sua prisão durante o regime militar, por conta do conteúdo subversivo de O Pasquim. “Foi o melhor período da minha vida, ficava o dia inteiro sem nada o que fazer, não tomava banho, parecia um farrapo humano. Levei Guerra e Paz [de Liev Tostói] para ler, e bebia cachaça todo o dia. Subornava os guardas para que comprassem para mim.”

“Foi um período maravilhoso, nem fui torturado. E ainda saí de lá, direto para uma festa de Réveillon do Clube Silvestre, com pinta de herói. As moças todas estavam encantadas com a gente. Quando eu conto essas histórias, o Ziraldo fica chateado. Acha que nos desmoraliiza.”

Brincadeiras à parte, Jaguar fez questão de declarar seu afeto incondicional por Millôr: “Foi o cara que mais admirei na vida”, lembrando que o amigo foi genial em tudo que fez, fosse como escritor, cartunista, tradutor ou intelectual. “Só não foi melhor poeta porque era inteligente demais para isso.”

Em meio a tanta irreverência, houve pelo menos um momento de forte emoção. Jaguar tirou do bolso um papel dobrado, com um perfil dele mesmo assinado por Millôr, no qual o amigo o descrevia de forma poética, mas sempre bem-humorada, com pitadas de fina ironia. Sem perder a ternura.

Jaguar leu trechos do texto, cujas últimas palavras diziam: “Costumo lhe dizer, Jaguar, que com seu talento eu não estaria aqui, estaria no corredor da morte nos Estados Unidos”.

Crítico

Antes da mesa com Jarguar, Hubert e Reinaldo, a abertura oficial da Flip foi uma conferência com o crítico de arte Agnaldo Farias. Exibindo slides com obras de Millôr, ele alinhavou uma fala ágil e contundente sobre aspectos de sua genialidade com artista, relegada por vezes a segundo plano.

Lembrando que boa parta da produção de Millôr foi para a imprensa, e não para galerias de arte, Farias lembrou que isso não a diminui de forma alguma. “Ele teve a sorte de ter sido muito difundido, visto, embora pouco valorizado pela crítica. E essa sua ausência de um estilo definido o tornava ainda mais genial e moderno, à frente de seu tempo.”

TEXTO PUBLICADO ORIGINALMENTE NO JORNAL GAZETA DO POVO EM 31/07/2014.

ESCOTILHA PRECISA DE AJUDA

Que tal apoiar a Escotilha? Assine nosso financiamento coletivo. Você pode contribuir a partir de R$ 15,00 mensais. Se preferir, pode enviar uma contribuição avulsa por PIX. A chave é pix@escotilha.com.br. Toda contribuição, grande ou pequena, potencializa e ajuda a manter nosso jornalismo.

CLIQUE AQUI E APOIE

Tags: Casseta & PlanetaChico Buarquefeira literáriaFlipJaguarLiev TostóiLiteraturaMillôr FernandesO PasquimParatyTarso de CastroZiraldo

VEJA TAMBÉM

Autora conversou com exclusividade com nossa reportagem. Imagem: Sebastián Freire / Divulgação.
Entrevistas

Mariana Enriquez: “Minha primeira impressão do mundo foi sob um regime autoritário muito feroz”

25 de março de 2026
Bellotto venceu o Jabuti de 2025 pela obra, lançada no ano anterior. Imagem: Chico Cerchiaro / Divulgação.
Literatura

‘Vento em Setembro’ transita entre o mistério e as feridas do Brasil

24 de março de 2026
Please login to join discussion

FIQUE POR DENTRO

Líder do The National, Matt Berninger vem ao C6 Fest com sua carreira solo. Imagem: Chantal Anderson / Divulgação.

C6 Fest – Desvendando o lineup: Matt Berninger

2 de abril de 2026
'(Um) Ensaio sobre a Cegueira' na montagem do Grupo Galpão. Imagem: Maringas Maciel.

Crítica: ‘(Um) Ensaio sobre a Cegueira’: Quando a cegueira atravessa a porta do teatro – Festival de Curitiba

2 de abril de 2026
Gioavana Soar e Fabíula Passini falam com exclusividade à Escotilha. Imagem: Annelize Tozetto / Divulgação.

Festival de Curitiba reforça papel para além do palco e aposta em memória, abertura e acessibilidade

1 de abril de 2026
Duo chega no auge para seu show no Brasil. Imagem: Lissyelle Laricchia / Divulgação.

C6 Fest – Desvendando o lineup: Magdalena Bay

31 de março de 2026
Instagram Twitter Facebook YouTube TikTok
Escotilha

  • Sobre
  • Apoie
  • Política de Privacidade
  • Contato
  • Agenda
  • Artes Visuais
  • Colunas
  • Cinema
  • Entrevistas
  • Literatura
  • Crônicas
  • Música
  • Teatro
  • Política
  • Reportagem
  • Televisão

© 2015-2023 Escotilha - Cultura, diálogo e informação.

Sem Resultados
Veja Todos Resultados
  • Reportagem
  • Política
  • Cinema
  • Televisão
  • Literatura
  • Música
  • Teatro
  • Artes Visuais
  • Sobre a Escotilha
  • Contato

© 2015-2023 Escotilha - Cultura, diálogo e informação.