• Sobre
  • Apoie
  • Política de Privacidade
  • Contato
Escotilha
Sem Resultados
Veja Todos Resultados
  • Reportagem
  • Política
  • Cinema
  • Televisão
  • Literatura
  • Música
  • Teatro
  • Artes Visuais
  • Reportagem
  • Política
  • Cinema
  • Televisão
  • Literatura
  • Música
  • Teatro
  • Artes Visuais
Escotilha
Home Literatura

A cidade da época de James Joyce e a nossa em ‘Dublinenses’

Análise de 'Dublinenses', o livro de contos de James Joyce, clássico da literatura mundial.

porWalter Bach
12 de novembro de 2015
em Literatura
A A
A cidade da época de James Joyce e a nossa em 'Dublinenses'

James Joyce. Imagem: Getty Images/Reprodução.

Envie pelo WhatsAppCompartilhe no LinkedInCompartilhe no FacebookCompartilhe no Twitter

O mundo evolui menos do que se pensa (quando se pensa). Nas manifestações que entendemos por cultura, a literatura inclusa, se tivermos um pouco de paciência, encontramos obras que tratam de assuntos miúdos, insignificantes e até mundanos mesmo, e é justo essa coleção de nadas que diz tanto sobre a nossa espécie. Há livros que tratam disso de forma direta, às vezes jogando na nossa cara; outros têm menos discursos e mais espaço para nossa interpretação, feito Dublinenses, publicado em 1914.

A estreia do irlandês James Joyce na literatura foi modesta sob a ótica formal, com “apenas” um livro de contos, antes do autor embarcar nas maluquices estéticas de Ulysses e Finnegans Wake – não é desmerecê-los, aquele um convite para se perder em Dublin e este um quebra-cabeça gigante com referências para tirar o sono de qualquer um; é porque Joyce soube, talvez sem perceber, retratar cenários amplos com pouco, enquanto nesses dois livros ele fez questão de dizer muito escrevendo demais, com direito a exageros e acertos, na ordem em que você achar melhor.

Dublinenses é direto. Não seco ou cru de propósito, apenas objetivo, foca nas ações e ideias dos personagens em uma Dublin cujos habitantes podem lembrar aqueles da cidade onde vivemos. Naturalmente, há menções diretas às leituras de jornais específicos, refeições (vai um prato de ervilha?), e demais costumes da época, mas ninguém precisa saber dessas coisas para entender os contos.

A estreia do irlandês James Joyce na literatura foi modesta sob a ótica formal.

“Araby” é sobre uma chance de um encontro, ainda que ingênuo e improvisado, mas sincero em sua ideia original. “Dois Galãs” é uma bela conversa fiada de um amigo aturando o outro a contar vantagens até ver o efeito delas. Em “Duplicatas”, o protagonista é um desastrado que bebe durante o trabalho e responde muito delicadamente ao chefe, para depois virar a pauta da fofoca diária. Eveline, protagonista da narrativa homônima, parece ter encontrado um par, embora seus olhos possam transmitir outro sentimento.

Curiosamente, o primeiro e o último conto lidam com a morte, e os personagens crianças das histórias iniciais logo dão espaço para outros com idade adulta. Um sujeito ficou na cidade e suporta a pompa de um velho amigo que voltou para um passeio, e se gaba de ter ido “lá fora”; uma relação que cresce aos poucos e se vê encerrada de um jeito tão próprio quanto seu começo; pequenas (ou grandes) divisões por opinião e posse material, às vezes apaziguadas em uma mesa de bar; o quanto grana e trato pesam em carreiras por começar, auto afirmações e desacordos em torno da política e da religião.

“Minha intenção foi escrever um capítulo da história moral de meu país e escolhi Dublin como cenário porque a cidade me parece o centro da paralisia. […] Cheguei à conclusão de que não consigo escrever sem ofender as pessoas”, afirmou James Joyce em uma venenosa carta em 1906, durante sua peregrinação para publicar o livro. A ofensa é a ótica dele, embora possa ser cômodo escrever isso com mais de um século de distância. Não há fantasias ou idealizações, apenas retratos ficcionais de como as pessoas podem agir. Talvez o próprio Joyce fosse um personagem, os retratos “cruéis” (palavras dele) só poderiam ter sido feitos por alguém que andou e apanhou pela cidade, e fez questão de retratá-la sem enfeites em uma obra na qual parte da nossa época também está presente.

DUBLINENSES | James Joyce

Editora: Penguin;
Tradução: Caetano W. Galindo;
Tamanho: 280 págs.;
Lançamento: Setembro, 2018 (atual edição).

COMPRE O LIVRO E AJUDE A ESCOTILHA

Tags: contosCrítica LiteráriaDublinensesJames JoyceLiteraturaResenha

VEJA TAMBÉM

Em 'O Adversário', Emmanuel Carrère reconta um dos crimes mais chocantes da história da França. Imagem: Andreu Dalmau / Reprodução.
Literatura

‘O Adversário’: a história real de um homem que matou para sustentar uma mentira

29 de maio de 2026
O escritor estadunidense de origem tailandesa Tony Tulathimutte. Imagem: Vincent Tullo / The Guardian / Reprodução.
Literatura

‘Rejeição’, de Tony Tulathimutte, é o livro do ano

22 de maio de 2026
Please login to join discussion

FIQUE POR DENTRO

Em 'O Adversário', Emmanuel Carrère reconta um dos crimes mais chocantes da história da França. Imagem: Andreu Dalmau / Reprodução.

‘O Adversário’: a história real de um homem que matou para sustentar uma mentira

29 de maio de 2026
Bárbara Lennie e Victoria Luengo dão vida a Elsa e Patricia no nome filme de Pedro Almodóvar. Imagem: El Deseo / Divulgação.

‘Natal Amargo’ transforma memória e luto em ficção melancólica

28 de maio de 2026
O escritor estadunidense de origem tailandesa Tony Tulathimutte. Imagem: Vincent Tullo / The Guardian / Reprodução.

‘Rejeição’, de Tony Tulathimutte, é o livro do ano

22 de maio de 2026
Zazie Beetz encara demônios em 'Eles Vão Te Matar'. Imagem: New Line Cinema / Divulgação.

‘Eles Vão Te Matar’ diverte como terrir, mas é mais do mesmo

19 de maio de 2026
Instagram Twitter Facebook YouTube TikTok
Escotilha

  • Sobre
  • Apoie
  • Política de Privacidade
  • Contato
  • Agenda
  • Artes Visuais
  • Colunas
  • Cinema
  • Entrevistas
  • Literatura
  • Crônicas
  • Música
  • Teatro
  • Política
  • Reportagem
  • Televisão

© 2015-2023 Escotilha - Cultura, diálogo e informação.

Sem Resultados
Veja Todos Resultados
  • Reportagem
  • Política
  • Cinema
  • Televisão
  • Literatura
  • Música
  • Teatro
  • Artes Visuais
  • Sobre a Escotilha
  • Contato

© 2015-2023 Escotilha - Cultura, diálogo e informação.