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O diabo tem memória e ‘Fausto’ finge que não sabe

Os versos de 'Fausto', de Goethe, selam um pacto tão delicado quanto o assinado pelo protagonista desta prosa rimada.

porWalter Bach
15 de outubro de 2015
em Literatura
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O diabo tem memória e 'Fausto' finge que não sabe

Imagem: Reprodução.

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Eis que somos apresentados ao honroso Doutor. Homem estudado, professor mestre de muitas matérias, sempre orientando seus estudantes. Talvez não seja rico, mas tem o bastante, é o que podemos supor. Mesmo que este austero senhor não se entregue em público, suas confissões não escapam dos nossos olhos em Fausto, obra-prima do alemão Johann Wolfgang von Goethe (1749-1832).

Após um breve prólogo em campos celestes, com direito a uma aposta onde uma vida é quase uma moeda de troca, a narrativa vai à Terra, precisamente ao espaço de Fausto. Ele desabafa para si mesmo, sente como se não tivesse realizado coisa alguma, encontrou um refúgio justo no estudo da magia – talvez o estudo do mero humano não satisfaça mais o nobre doutor.

Até o momento em que nosso protagonista percebe ter companhia em seu quarto, onde estava sozinho. Nada estranho, era só um cão negro que passou a andar atrás dele, o mesmo animal que tinha se aproximado enquanto Fausto caminhava com um de seus estudantes mais cedo. Mas não demorou para o cão se revelar um ser fantasmagórico, o suficiente para Fausto o querer afastar com suas mágicas.

“Oh medonho Ser!
Poder compreender,
Um Ente Incriado?
Jamais expressado?
Pelos céus derramado
Vilmente trespassado?”

Não tarda para a figura se transformar humanoide, a semelhança de um andarilho. É Mephisto, um dos capangas do anjo caído, que, além de pousar na casa de Fausto, ainda diz que este o fez suar muito apenas para chegar lá. Estrofes poéticas depois de sua não apresentação – Fausto teima em acreditar que Mephisto está na sua frente e o diabólico conviva parece nem se importar com o reles mortal – finalmente eles selam um acordo.

O sábio doutor desconhece o mundo e suas emoções, mas Mephisto o ajuda e diz que o leva para um grande passeio.

“Com as ideias que tem é possível arriscar-te!
Une-te a mim e verás, com toda a minha arte,
Nos dias que hão de vir posso logo mostrar-te
O que homem nenhum pôde ver.”

Cabem muitas entrelinhas nos versos que Goethe nos deixou, onde o encontro de sentimentos contraditórios sela um pacto no qual se vê a alma humana.

Só um detalhe – Mephisto pede uma gota de sangue como prova de que o doutor aceita suas “artes”. O doutor topa, receoso. Mas apenas para que o receio dê lugar às sensações que o (capanga do) diabo lhe oferece: Fausto viaja para lugares que livro algum o contou, até bebe, escapa de uma pequena confusão em um bar, duvida do que vê, mundos novos se abrem para ele.

Fausto até se apaixona por Margarida, moradora de uma vila que ele conheceu nas viagens com Mephisto. E o doutor resolve conquistá-la, mas se fosse só isso e sem tantas intervenções de seu malévolo amigo, ele poderia abraçar apenas a Margarida, se ele não tivesse esquecido de alguns detalhes no acordo com Mephisto. O diabo tem memória e o doutor sabe, embora também custe a acreditar nisso.

O livro publicado em 1808 tornou-se referência pela forma como é narrado, quase todo em versos rimados, além do cuidado extremo com a linguagem rebuscada que Goethe teve ao escrever. A obra compartilha o tom dramático de Os Sofrimentos do Jovem Werther, embora em um tom menos romântico se comparada a ela – o que aquela tem de excessivamente romântica Fausto tem de sinistra. Cabem muitas entrelinhas nos versos que Goethe nos deixou, onde o encontro de sentimentos contraditórios sela um pacto no qual se vê a alma humana.

FAUSTO | Goethe

Editora: Martin Claret;
Tradução: Agostinho Ornellas;
Tamanho: 642 págs.;
Lançamento: Maio, 2016 (atual edição).

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Tags: Crítica LiteráriaFaustoGoetheLiteraturaResenhaRomance

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