• Sobre
  • Apoie
  • Política de Privacidade
  • Contato
Escotilha
Sem Resultados
Veja Todos Resultados
  • Reportagem
  • Política
  • Cinema
  • Televisão
  • Literatura
  • Música
  • Teatro
  • Artes Visuais
  • Reportagem
  • Política
  • Cinema
  • Televisão
  • Literatura
  • Música
  • Teatro
  • Artes Visuais
Escotilha
Home Literatura

Eduardo Halfon e o olhar sobre a dor universal

Em 'Luto', escritor guatemalteco Eduardo Halfon investiga o mundo a partir de história da própria família.

porJonatan Silva
27 de fevereiro de 2019
em Literatura
A A
Eduardo Halfon e o olhar sobre a dor universal

Imagem: Reprodução.

Envie pelo WhatsAppCompartilhe no LinkedInCompartilhe no FacebookCompartilhe no Twitter

Na psicologia, o luto é o momento de ressignificação do outro e da própria vida, representando uma ruptura e também a quebra de expectativas. A perda e a memória familiar da ausência são a força-motriz de Luto (editora Mundaréu, 2018; tradução de Lui Fagundes), novela do escritor guatemalteco Eduardo Halfon, que investiga a morte de Salomón, tio paterno que faleceu afogado ainda criança. Enquanto busca conhecer quem foi o irmão do pai, o autor vai traçando uma linha entre a realidade e o imaginário que paira sobre a história, estabelecendo um jogo de espelhos memorialístico.

O escritor constrói a sua narrativa com firmeza e sem se perder nos tentadores labirintos do inconsciente. A morte trágica de Salomón está para Halfon como a relação com o pai está para Kafka. O afogamento é o evento que move toda a família, guia as lembranças e dá o tom das relações.

À medida em que as nuances ficam tênues, Luto vai ganhando corpo e se configurando como um desejo catártico de se libertar do passado. “Eu não planejei o livro”, disse em entrevista, “eu simplesmente escrevi a primeira frase e não consegui parar.” Por isso, pouco a pouco o protagonista vai caminhado para fora do círculo familiar, buscando as relações secundárias que talvez possam relevar um olhar menos viciado e enviesado.

Eduardo Halfon consegue criar uma perspectiva sobre uma questão extremamente universal sem cair nos apelos piegas e manjados.

Halfon não prepara o leitor para revelações ou constatações: elas aparecem como uma assombração à porta, uma espécie de mal necessário. E qualquer coisa diferente disso soaria estranho ou contraproducente.

Diáspora

É interessante pensar que Luto finca os pés do escritor em terra firme. Halfon é um sujeito nômade – nasceu na Cidade da Guatemala, morou na Europa, em Nova York, agora vive em Nebraska – e mistura a origem judia à confluência de caminhos tomados pela família no curso dos anos. “A crítica e os leitores normalmente dizem que meu grande tema é a identidade, e não é que o tenha proposto. No fundo, é um tema bastante judio o cosmopolitismo e a permanente diáspora que herdei e na qual fui educado”, disse.

Luto não explora um terreno inédito na literatura. Julian Barnes explorou as memórias da esposa falecida em Altos voos e quedas livres, Boris Fausto escrutinou a morte da mulher em O Brilho do Bronze e André Gorz fez de Carta a D. o mais belo dos libelos sobre a perda. Ainda assim, Eduardo Halfon consegue criar uma perspectiva sobre uma questão extremamente universal sem cair nos apelos piegas e manjados. Luto, em certa medida, expande a lição deixada por Cazuza em seu “Blues da piedade”: somos todos iguais em desgraça. O que nos diferencia é justamente o que fazemos dela. E Eduardo Halfon a transforma em Arte.

LUTO | Eduardo Halfon

Editora: Mundaréu;
Tradução: Lui Fagundes;
Tamanho: 96 págs.;
Lançamento: Março, 2018.

COMPRE O LIVRO E AJUDE A ESCOTILHA

Tags: Book ReviewCrítica LiteráriaEditora MundaréuEduardo HalfonLiteraturalutoResenhaResenha de LivrosReview

VEJA TAMBÉM

Jornalista é repórter na revista piauí. Imagem: Diego Bresani / Divulgação.
Literatura

‘Filho’ faz da memória materna uma denúncia social

28 de setembro de 2026
O escritor Alexandre Vidal Porto. Imagem: Alexia Fidalgo / Divulgação.
Literatura

Alexandre Vidal Porto investiga os vestígios do amor em ‘Só Depois Entenderei’

10 de setembro de 2026

FIQUE POR DENTRO

Nova adaptação do romance de John Steinbeck foi conduzida por neta de Elia Kazan. Imagem: Netflix Studios / Divulgação.

‘A Leste do Éden’ renova Steinbeck em adaptação excepcional

19 de outubro de 2026
Imagem: Unsplash.

Editorial: veículos de jornalismo se unem pela democracia

14 de outubro de 2026
As participantes de 'Sua Mãe Te Conhece?'. Imagem: Nat Odenbreit / Netflix.

‘Sua Mãe Te Conhece?’ diverte ao explorar as neuroses da maternidade

7 de outubro de 2026
Jornalista é repórter na revista piauí. Imagem: Diego Bresani / Divulgação.

‘Filho’ faz da memória materna uma denúncia social

28 de setembro de 2026
Instagram Twitter Facebook YouTube TikTok
Escotilha

  • Sobre
  • Apoie
  • Política de Privacidade
  • Contato
  • Agenda
  • Artes Visuais
  • Colunas
  • Cinema
  • Entrevistas
  • Literatura
  • Crônicas
  • Música
  • Teatro
  • Política
  • Reportagem
  • Televisão

© 2015-2023 Escotilha - Cultura, diálogo e informação.

Sem Resultados
Veja Todos Resultados
  • Reportagem
  • Política
  • Cinema
  • Televisão
  • Literatura
  • Música
  • Teatro
  • Artes Visuais
  • Sobre a Escotilha
  • Contato

© 2015-2023 Escotilha - Cultura, diálogo e informação.