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Os leitores de Alberto Manguel

Em ‘O leitor como metáfora: o viajante, a torre e a traça’, Alberto Manguel esmiúça três metáforas que já retrataram o leitor.

porArthur Marchetto
21 de junho de 2018
em Literatura
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Os leitores de Alberto Manguel

Imagem: Reprodução.

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Ao longo de toda sua trajetória intelectual, Alberto Manguel sempre destacou a importância do ofício do leitor. Atual diretor da Biblioteca Nacional argentina, ele foi responsável por diversos prefácios, posfácios e organizações de antologias, além de diversas pesquisas que têm a leitura como seu objeto de reflexão. O livro Uma história da leitura, publicado em 1997, é um exemplo disso e retreta como diversas experiências de leitores, como o descobrimento, encantamento e prazer com a leitura, se configuraram ao longo do tempo.

O leitor como metáfora: o viajante, a torre e a traça é um aprofundamento desse estudo, como explica Manguel na introdução: “Num de meus primeiros livros, Uma história da leitura, dediquei várias páginas ao exame de metáforas relacionadas ao nosso ofício. Tentei rastrear algumas das mais comuns, mas senti que o assunto merecia uma exploração em maior profundidade; o resultado daquela insatisfação é este livro”.

A construção do livro parte da incapacidade da linguagem de retratar a realidade concreta, apesar de ser a única forma de trocarmos experiências. A metáfora aparece nesse contexto como constatação da ineficácia, mas também tentativa de diminuição da diferença. Por isso que Manguel se interessa em ver como a experiência de leitura foi representada ao longo do tempo: de que maneira traduzimos a sensação da leitura?

No livro, Alberto aprofunda a tradução de três experiências que acredita organizar o imaginário ocidental: o viajante, o isolado em sua torre e o devorador de livros. Esses estudos se organizam em um núcleo interno, onde desenvolve o que há de bom e de ruim em cada visão, e em um núcleo externo, onde traz suas modificações ao longo do tempo.

O viajante

O que primeiro marca a configuração das metáforas é a existência de suportes físicos para o texto oral, como o pergaminho. Eles tinham capacidade não só repetir uma mesma experiência para todos, mas também eram algo novo. Essa concretude da oralidade equiparou a criação narrativa à criação divina. Como Manguel diz, “quando São João declarou em seu evangelho que ‘no princípio era o Verbo’ estava definindo tanto sua tarefa de escriba como a do Autor em Si”.

Nesse contexto, tanto o livro quanto a vida apareciam como fontes do conhecimento (incluindo a iluminação sagrada). A metáfora da viagem assumiu o espaço de exemplificação dessa possibilidade pela sua facilidade de compreensão e visualização do sentido. A ideia é: você parte de um determinado ponto do passado, seja o começo do livro ou seu nascimento, percorre um caminho mais ou menos predeterminado para chegar em um fim desconhecido.

Em seu sentido religioso, “o Livro é o veículo que permite que a palavra de Deus viaje pelo mundo, e os leitores que o seguirem tornam-se peregrinos no sentido mais profundo e verdadeiro”. Mas a viagem, quando não seguia o intuito de se purificar e buscas as palavras de Deus, poderia te levar à perdição.

Dante Alighieri é o exemplo escolhido para retratar esse dilema. “A Comédia pode ser entendida como o processo pelo qual a passagem de uma coisa para a outra [de um tipo de leitura para o outro] foi aprendida: da percepção intelectual e afetiva (…) ao drama da própria vida de Dante sob a inspiração de Deus”.

A construção do livro parte da incapacidade da linguagem de retratar a realidade concreta, apesar de ser a única forma de trocarmos experiências.

A torre

Partindo da peregrinação no mundo real, o santuário para a leitura se modifica e passa a se realizar nos espaços reclusos. Nessa nova configuração, um embate acontece: de um lado, a tradição cristã de reflexão e isolamento; do outro, a ideia da preguiça, da ganância e da melancolia, despertadas pela reflexão em perguntas que não devem ser respondidas.

Essa postura trazia consigo a ideia ambígua de um espaço ideal para a reflexão, ainda que a melancolia e a depressão aparecessem como obstáculos, e um esconderijo para os que fogem da ação social. Ainda que só nomeada quando começaram as discussões sobre uma sociedade de massas, a ideia do intelectual na torre de marfim é vista em Hamlet.

É possível sentir essa ambiguidade no personagem de Shakespeare. O personagem se vê como um intelectual fascinado e desnorteado, incapaz de responder ao mundo, enquanto isso, os outros o enxergam como apático, desnorteado, louco.

Como fica claro ao longo da peça, Shakespeare não simpatiza com a figura do leitor isolado e coloca seu personagem em uma situação limite. “Não é que Hamlet decida não agir; é que, empanturrado de ensinamentos acadêmicos, ele não se permite desaprender seu catecismo universitário e aprender de novo a partir da experiência factual daquilo que irrompeu subitamente da consciência”, diz Manguel.

A traça

Por fim, o intelectual apático gerou a figura conhecida como o Louco dos Livros, a traça. Muito discutido hoje nas redes, é a figura que confunde a posse de livros com a aquisição do seu conhecimento. Alberto Manguel descreve esse leitor voraz como alguém que engole as palavras, mas não se beneficia do seu significado. “A traça de livro, a despeito de todos os livros devorados, permanece estúpida”.

Para a discussão, o escritor usa como exemplo personagens que confundem a realidade dos livros com a do mundo em que vivem. Em primeiro lugar, cita Emma Bovary, que devora os livros e imagina ser uma heroína de Balzac. Junto dela, cita Dom Quixote e sua absorção e emulação dos costumes das novelas de cavalaria.

Como conclusão, estabelece um ideal em Anna Karenina. Ela não idealiza a ficção, mas visualiza “vidas imaginárias que zombam dela e a atormentam com a vida que ela própria não está vivendo”.

Apesar dos casos estudados e suas conexões serem bastante simbólicas, o livro é enxuto em suas referências. Pouco espaço é dedicado para discutir a atualização dessas metáforas, principalmente pelo tempo que demoram para se configurar, mas aparecem ao longo do texto. Manguel reflete a conceituação da viagem num momento em que vivemos no eterno presente e perdemos a noção de viagem enquanto trajetória; a ideia da torre de marfim, enquanto vivemos em um ambiente de atenção dispersa e com poucos incentivos para a leitura aprofundada. Por fim, ainda que não diga, é inevitável repensar o Louco dos Livros ao ver grandes espetáculos literários e tão poucas discussões sobre literatura.

Apesar disso, é um bom ponto de partida para pensar a figura do leitor. É preciso refletir sobre a literatura, sobre como consumimos, afinal, como afirma Manguel no fim do livro, “somos criaturas leitoras, ingerimos palavras, somos feitos de palavras, sabemos que palavras são nosso meio de estar no mundo, e é através das palavras que identificamos nossa realidade e por meio de palavras somos, nós mesmos, identificados”.

O LEITOR COMO METÁFORA: O VIAJANTE, A TORRE E A TRAÇA | Alberto Manguel

Editora: Edições Sesc;
Tradução: José Geraldo Couto;
Tamanho: 148 págs.;
Lançamento: Dezembro, 2017.

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Tags: alberto manguelBook ReviewCrítica LiteráriaLiteraturaLiteratura Argentinao leitor como metáforaResenhaResenha de LivrosReviewSesc Edições

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