• Sobre
  • Apoie
  • Política de Privacidade
  • Contato
Escotilha
Sem Resultados
Veja Todos Resultados
  • Reportagem
  • Política
  • Cinema
  • Televisão
  • Literatura
  • Música
  • Teatro
  • Artes Visuais
  • Reportagem
  • Política
  • Cinema
  • Televisão
  • Literatura
  • Música
  • Teatro
  • Artes Visuais
Escotilha
Home Literatura

Em ‘O Lobo Guará e outras histórias do povo Xavante’, Xavantes recontam histórias de seus mitos

Narrativas coletadas por Angela Pappiani em 'O Lobo Guará e outras histórias do povo Xavante' explicam origem de rituais.

porMarilia Kubota
14 de agosto de 2018
em Literatura
A A
Em ‘O Lobo Guará e outras histórias do povo Xavante’, Xavantes recontam histórias de seus mitos

Imagem: Reprodução.

Envie pelo WhatsAppCompartilhe no LinkedInCompartilhe no FacebookCompartilhe no Twitter

Aiho’ ubuni wasu’u – O Lobo Guará e outras histórias do povo Xavante, (Ikorê, 2014), traz narrativas do povo A´uwê uptabi da aldeia Etenhiritipã, organizado pelas pesquisadoras Angela Pappiani e Maíra Lacerda. As pesquisadoras ouviram e traduziram seis narrativas coletadas do povo A’uwe, conhecidos como índios Xavantes, que vivem no estado do Mato Grosso.

As histórias são contadas, traduzidas e ilustradas pelos próprios índios e integram o projeto “Histórias da Tradição”, que resgata a cultura dos povos de Mato Grosso e Tocantins. São dois livros, um do povo Karajá, que se autodenomina Iny, e dos Xavantes. Eles são o “povo verdadeiro”, como explica Angela Pappiani, os que mantém vivo o Espírito da Criação. Muitas histórias se referem ao “tempo do poder”, o tempo mítico da narração tradicional, o tempo de criação de todas as coisas.

Os povos indígenas no Brasil abrangem 900 mil pessoas, de acordo com o Censo de 2010. São 240 etnias, com mais de 200 línguas diferentes. O primeiro contato dos Xavantes com os brancos aconteceu no século 18, quando parte da população sofreu um massacre. Dispersos, migraram para o Mato Grosso e permaneceram praticamente isolados até meados do século 20, quando confrontaram as frentes de ocupação do Centro-Oeste, na década de 1940. Hoje, são mais de 20 mil pessoas em 8 terras indígenas demarcadas do nordeste ao sudeste do Mato Grosso.

O resgate da mitologia dos povos do Cerrado é uma forma de conhecer a diversidade cultural sobre a qual está formada a nação brasileira. Para os índios, recontar as histórias é evocar as forças naturais, “fazer os relâmpagos cortarem o céu, a chuva cair, os ventos soprarem”, segundo Ailton Krenak, compartilhar “a infância da humanidade”. A maior parte das histórias explica como surgiram seus rituais, costumes, ou como aprenderam a usar o fogo.

Na história do Lobo Guará, por exemplo, contada por Roberto Teweware Xavante, uma mulher é seduzida pelo Lobo Guará, um espírito maligno. Depois de viver com ele, foge e volta para sua aldeia. Mas ela ficou maculada e precisa passar por um ritual de purificação.

O resgate da mitologia dos povos do Cerrado é uma forma de conhecer a diversidade cultural sobre a qual está formada a nação brasileira.

“Quando o fogo estava bem forte, a mãe jogou a filha em cima da grande fogueira. Os pais haviam decidido jogar sua filha no fogo, porque não havia nenhuma forma de tirar o fedor do lobo impregnado em seu corpo. Nesse momento, o calor do fogo fez estourar o seio da moça, intumescido de leite. O leite que saiu jorrou longe e molhou o tronco da árvore réwede. O leite penetrou pelo tronco da árvore e formou sua seiva. Até hoje nós usamos a resina de réwede para curar as doenças e preparar adornos e objetos de poder para as cerimônias.” (página 32)

Eurico Upariwê Xavante explica sobre o ritual de iniciação dos adolescentes, picados por marimbondos para provarem força e coragem. Os î’ âma” ai”a’wa são os guardiães, que fiscalizam todas as normas das cerimônias:

“Os î’ âma” ai”a’wa agarraram o menino com força, cobriram-lhe o rosto, a cabeça, amarraram os braços, as pernas. Protegeram as partes sensíveis do corpo com folhas grossas de árvores. Deixaram o menino deitado no chão, bem embaixo da casa de marimbondos, e bateram para que ela caísse. A casa cheia de marimbondos caiu em cima do menino! Ele começou a gritar, gritar mesmo, com a dor de tantas picadas. Ele grita e chorava,chorava… E foi enfraquecendo de tanta dor. De tanto chorar, quase desmaiou.” (Páginas 47 e 48)

A dor e a provação fazem com que os iniciados obtenham poder. No caso da mulher, o poder é de se transformar em gavião e voar. No caso do menino, o de compreender os animais e curar doenças. Na narrativa do roubo do fogo, segredo guardado por uma Onça, Pracé Xavante explica a origem das pinturas cerimoniais e do ritual de carregar tora de buriti:

“Os meninos viram que o fogo ia cair na água e apagar. Buru’õtõre, a andorinha, voou rápido e pegou o fogo ainda no ar… e passou o fogo para Mã, a ema. Os meninos, que iam correndo atrás, pegavam os foguinhos e brasinhas que voavam. Começaram a passar pelo corpo para se enfeitar. E cada um foi se transformando em passarinho. Cada passarinho  diferente! Dependendo das cores e dos desenhos que se formavam em azul, amarelo, vermelho, preto, branco, cada passarinho ia surgindo… Transformaram-se em jacu, mutum, tucano…” (Páginas  66 e 67)

Angela Pappiani é diretora do Instituto Cultural Ikore, responsável pelo projeto Histórias da Tradição, apoiado pela Petrobrás Cultural, em sua primeira fase, em 2014, e pelo Rumos Itaú, na segunda fase. O projeto publicou os livros Ynyxiwè que trouxe o sol e outras histórias do povo Karajá, Aihö’ ubuni – O Lobo Guará e outras histórias do povo Xavante e Kuwamutü que criou o mundo e outras histórias do povo Mehinaku. Também é autora de Povo Verdadeiro – os povos indígenas do Brasil.

Tags: Aiho’ ubuni wasu’u - O Lobo Guará e outras histórias do povo XavanteAngela PappianiantropologiaBook ReviewCrítica LiteráriaetniasindígenasLiteraturaMaria P. Lacerdamemórianarrativas indígenasResenhaSerra do Roncadortradição oralxavantes

VEJA TAMBÉM

Gisèle Pelicot, autora de um dos livros de memória mais contundentes dos últimos tempos. Imagem: Christophe Simon / AFP / Reprodução.
Literatura

Em ‘Um hino à vida’, Gisèle Pelicot devolve a vergonha aos culpados

10 de março de 2026
Howard Zinn em Nova York, 2008. Imagem: Marc Dalio / Reprodução.
Literatura

‘A bomba’ revisita Hiroshima para expor a engrenagem moral da guerra moderna

4 de março de 2026

FIQUE POR DENTRO

'PLAY ME' é o terceiro trabalho solo de Kim Gordon. Imagem: Todd Cole / Reprodução.

Kim Gordon troca o atrito pela forma em ‘PLAY ME’

24 de março de 2026
Festival chega à sua 34ª edição este ano. Imagem: Divulgação.

ANÁLISE: Mostra Lúcia Camargo faz do palco um campo de disputa sobre memória, violência e pertencimento

19 de março de 2026
Cantora sinalizou que seu próximo disco fecha um ciclo. Imagem: Divulgação.

C6 Fest – Desvendando o lineup: Lykke Li

18 de março de 2026
A apresentadora Tyra Banks. Imagem: EverWonder Studio / Divulgação.

Série denuncia humilhações e abusos nas temporadas de ‘America’s Next Top Model’

16 de março de 2026
Instagram Twitter Facebook YouTube TikTok
Escotilha

  • Sobre
  • Apoie
  • Política de Privacidade
  • Contato
  • Agenda
  • Artes Visuais
  • Colunas
  • Cinema
  • Entrevistas
  • Literatura
  • Crônicas
  • Música
  • Teatro
  • Política
  • Reportagem
  • Televisão

© 2015-2023 Escotilha - Cultura, diálogo e informação.

Sem Resultados
Veja Todos Resultados
  • Reportagem
  • Política
  • Cinema
  • Televisão
  • Literatura
  • Música
  • Teatro
  • Artes Visuais
  • Sobre a Escotilha
  • Contato

© 2015-2023 Escotilha - Cultura, diálogo e informação.