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‘O Seminarista’: assassinos não se aposentam

Em 'O Seminarista', Rubem Fonseca faz o que sabe de melhor: contar uma história extremamente violenta sobre crimes e traições.

porEder Alex
23 de novembro de 2016
em Literatura
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'O Seminarista': assassinos não se aposentam

Imagem: Reprodução.

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Se o leitor eventualmente não souber quem é Rubem Fonseca, é bem capaz de achar que O Seminarista, lançado pela editora Agir, é algum livro do século XIX que fala sobre os conflitos de fé de algum jovem que talvez não tenha entendido muito bem o chamado divino.

Porém, o livro escrito por um dos maiores escritores brasileiros da contemporaneidade não tem nada de Bento Santiago e Escobar aprontando altas confusões enquanto se preparam para virar padres ou coisa que o valha. O Seminarista é um romance policial que traz a boa velha estética da violência urbana a qual Fonseca nos acostumou em contos como Feliz Ano Velho e Passeio Noturno.

O Especialista, um ex-seminarista, é um matador de aluguel que resolve entregar os betes, pois está um pouco cansado dessa vida cheia de pólvora e sangue. Como sabemos, largar a vida de assassino não é uma coisa muito simples, pois volta e meia o passado resolve bater à porta segurando uma pistola automática.

Rubem Fonseca não reinventa a roda da literatura policial, mas é provavelmente o autor brasileiro mais hábil em manejar suas engrenagens. A história do criminoso que quer largar essa vida, mas acaba se enfiando numa confusão não soa nada original (pelo menos não para quem está acostumado com o gênero tanto na literatura, quanto em séries e filmes), mas mesmo assim o autor consegue criar uma trama envolvente do tipo que te faz querer ler tudo numa sentada.

Rubem Fonseca não reinventa a roda da literatura policial, mas é provavelmente o autor brasileiro mais hábil em manejar suas engrenagens.

José, o verdadeiro nome do Especialista, não é exatamente um assassino convencional (o que nos faz pensar em como diabos seria um assassino convencional?), pois o seu passado religioso e libidinoso o impregnaram de erudição. Então ele e o tipo de cara que mete um tiro na testa de Fulano, enquanto solta uma citação em latim para Sicrano.

O autor vai liberando aos poucos as informações sobre o passado do protagonista, ao passo em que vai inserindo uma série de personagens com comportamentos suspeitos para que a gente fique desconfiando de todo mundo e criando múltiplas teorias furadas. Se bem que não chega a ser necessário chutar muito para antecipar o plot twist que se aproxima no terceiro ato.

A prosa de Rubem Fonseca é muito fluída, graças à agilidade com que ele conduz o enredo e à oralidade utilizada na linguagem, provavelmente inspirada naquilo que ele viu e ouviu nos tempos em que frequentou delegacias de polícia no Rio de Janeiro. Seu estilo seco, com frases curtas, dá o tom da violência abrupta que surge em meio a um diálogo que parecia convencional ou numa cena estapafúrdia, como um Papai Noel abrindo uma porta.

Este banho de sangue que surge de forma inesperada, seguido de reações frias e às vezes até bem humorada me fazem lembrar um pouco de Tarantino. É aquela coisa de rir de uma situação em que talvez fosse mais aceitável se sentir horrorizado.

Não li tanta coisa assim de Rubem Fonseca, mas até o momento o que mais me agrada são os seus contos, pois creio que ali ele consegue concentrar com mais eficiência toda a sua capacidade de fazer a brutalidade transbordar do papel. Mesmo assim, não deixa de ser divertido acompanhar as insanidades do autor em narrativas mais longas e sanguinárias.

O SEMINARISTA | Rubem Fonseca

Editora: Nova Fronteira;
Tamanho: 184 págs.;
Lançamento: Maio, 2016 (2ª edição).

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Tags: CríticaCrítica LiteráriaEditora AgirEditora Nova FronteiraLiteraturaLiteratura BrasileiraLiteratura ContemporâneaO SeminaristaResenhaReviewRubem Fonseca

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