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Home Literatura

‘Os Reis’: um Julio Cortázar diferente

Peça de 1949, 'Os Reis' mostra um Julio Cortázar mais formal, menos audacioso, porém, igualmente genial.

porJonatan Silva
11 de dezembro de 2015
em Literatura
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'Os Reis': um Julio Cortázar diferente

Imagem: Reprodução.

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Antes de publicar o clássico Bestiário (1951), Julio Cortázar (1914 – 1984) havia escrito o volume de poesias Presencia (1938) e a peça de teatro Os Reis (1949), que acaba de ser relançada pela Civilização Brasileira. O leitor habitual do escritor argentino pode estranhar a recriação do mito de Teseu e o Minotauro e o tratamento dado, mas sabe de antemão que dentro de um livro tão diferente existe um toque muito pessoal.

O Cortázar de Os Reis é muito mais contido que o homem que escreveu O Jogo da Amarelinha (1963), mas não menos brilhante. Ainda que não tenha renegado a peça, Cortázar poucas vezes falou sobre ela. Em uma das raras entrevista em que a mencionou, o escritor definiu seu Teseu como um “ser sem imaginação” e o Minotauro como um “poeta”, o “diferente”.

No mito, Teseu vai ao labirinto do Minotauro para matá-lo sob ordens do rei Minos, já que sua esposa, Pasífae, o trai com o monstro. Ariadne entrega a Teseu um novelo para que ele não se perca e, após executar o Minotauro, o guerreiro possa voltar para casa. No livro de Cortázar, o monstro se transforma em herói e, ao mesmo tempo, um anti-herói – como em uma alegoria borgeana, o Minotauro é o caminho que se bifurca e se transforma em dois, desnorteando o ingênuo Teseu.

Como em um espelho quebrado, Cortázar cria um texto existencialista, sartreano, complexo e diferente do original grego.

Enquanto isso, Minos se mostra um rei inseguro, bobo e amedrontado de perder o seu poder. Ariadne não é tão sábia quanto o papel lhe caberia, ao contrário, é uma mulher orgulhosa e ignorante. Como em um espelho quebrado, Cortázar cria um texto existencialista, sartreano, complexo e diferente do original grego, mas que carrega em si uma virtude semelhante e iluminada.

Várias variáveis

Enquanto para Borges o labirinto é dissimulado e confuso, no universo cortazartiano ele cria uma espécie de paz, pois converge ao centro e funciona como uma espécie de caminho-aprendizado. O Maestro recriaria o mesmo mito no conto “A Casa de Astérion”, de O Aleph, publicado – coincidentemente? – no mesmo ano que Os Reis, mas executaria um trabalho mais formal e próximo ao original.

Nesse sentido, Borges interioriza o labirinto e seus “habitantes”, ao passo que Cortázar faz de tudo isso aquilo que podemos chamar de “o mundo lá fora”, tecendo um duplo da sociedade, um microcosmo dentro de uma grande galáxia. Por isso, Os Reis é um jokerman, uma representação atemporal e precisa.

OS REIS | Julio Cortázar

Editora: Civilização Brasileira;
Tradução: Ari Roitman e Paulina Wacht;
Tamanho: 80 págs.;
Lançamento: Maio, 2001.

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Tags: Julio CortázarLiteraturaLiteratura ArgentinaOs ReisResenhaTeatro

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