• Sobre
  • Apoie
  • Política de Privacidade
  • Contato
Escotilha
Sem Resultados
Veja Todos Resultados
  • Reportagem
  • Política
  • Cinema
  • Televisão
  • Literatura
  • Música
  • Teatro
  • Artes Visuais
  • Reportagem
  • Política
  • Cinema
  • Televisão
  • Literatura
  • Música
  • Teatro
  • Artes Visuais
Escotilha
Home Literatura

‘Syngué sabour – Pedra-de-paciência’: um mergulho na alma de uma afegã

Lançado pela Estação Liberdade, 'Syngué Sabour – Pedra-de-paciência', de Atiq Rahimi, traz o desespero sem nome em meio à guerra no Afeganistão.

porPetê Rissatti
11 de maio de 2017
em Literatura
A A
'Syngué sabour – Pedra-de-paciência': um mergulho na alma de uma afegã

Imagem: Reprodução.

Envie pelo WhatsAppCompartilhe no LinkedInCompartilhe no FacebookCompartilhe no Twitter

No Afeganistão, em meio à guerra sem data, sem início e sem fim, uma mulher num casebre meio desmoronado cuida do marido, que está em coma causado por ferimento à bala. Entre os tiros que rasgam a noite e visitas de milícias fortemente armadas, a afegã cruza o limite da sanidade que a situação extrema lhe traz, sem ajuda de ninguém, sem perspectiva de melhora, apenas Alá e o marido comatoso servindo de âncoras para a cruel realidade.

Este é o ponto de partida de um livro sensível e violento, divertido e angustiante, dolorido e raivoso.

Syngué sabour – Pedra-de-paciência, de Atiq Rahimi, traduzido por Flávia Nascimento, conta a história de uma afegã à beira da loucura: filhos gritando e pedindo comida, um marido quase morto, mas ainda respirando, a solidão que se abate cruel, pois o bairro onde vive é ruína e cheiro de pólvora. Os dilemas tão crus e reais jogam o leitor numa espiral de agonia, mergulham quem acompanha essa história numa experiência que poderíamos chamar de “anticatártica” e, ao mesmo tempo, enriquecedora.

A mulher providencia um colchão vermelho surrado para o marido, um cateter e uma bolsa de soro de onde escorre um líquido incolor até o comatoso. Cada gota significa mais um segundo de vida, mas também aumenta a ansiedade da mulher, que tem nesse marido ao mesmo tempo um dono e um algoz, alguém que não lhe fez tanto bem a ponto de querer salvá-lo. No entanto, também vê como sua obrigação mantê-lo vivo.

O tempo é medido pelos disparos, pelas gotas do soro, pelas páginas folheadas do Alcorão.

Acompanhamos as palavras dessa mulher sem nome, suas aventuras e tristeza, entre risos e lágrimas contidas, com um sofrimento tão profundo que é difícil prosseguir.

E assim ela mantém uma rotina de cuidados com os filhos, com o marido e com a própria vida, o tempo todo à beira de um colapso, entre leituras do Alcorão e choros desesperados. E um desabafo. Uma longa confissão. Para tanto, ela precisa de uma syngué sabour, a proverbial pedra-de-paciência, “para todos os infelizes desse mundo. (…) Conte a ela seus segredos até que a pedra estoure… até que você seja libertada de todos os tormentos”. Acompanhamos as palavras dessa mulher, suas aventuras e tristezas, entre risos e lágrimas contidas, com um sofrimento tão profundo que é difícil prosseguir.

Mas aí está a magia da literatura: não conseguimos largar o livro, queremos saber qual será o próximo passo, se o marido vai acordar de seu coma, qual será a próxima insanidade da mulher, o que o destino reserva a essa família.

***

O autor afegão explicou ao Le Monde porque escrever em francês lhe deu uma liberdade para contar as histórias de seu povo com mais liberdade: “para mim, minha língua materna, o persa, é a língua com a qual conheci o mundo, conheci meus tabus, minhas proibições, meus limites. (…) Ao passo que com relação a minha língua de adoção (…) não há essa autocensura”.

Vencedor do prêmio Goncourt de 2008, o livro deu origem a um dos filmes mais fiéis à obra literária a que já assisti, mas tem um motivo: o próprio Rahimi é roteirista e diretor. O filme homônimo passou rapidamente pelas salas de cinema brasileiras em seu lançamento, em 2013. Vale a pena conferir os dois, pois são quase obras complementares: o escrito dá corpo às imagens, e as imagens dão outras cores à história.

SYNGUÉ SABOUR – PEDRA-DE-PACIÊNCIA | Atiq Rahimi

Editora: Estação Liberdade;
Tradução: Flávia Nascimento;
Tamanho: 152 págs.;
Lançamento: Junho, 2009.

COMPRE O LIVRO E AJUDE A ESCOTILHA

Assista ao trailer de ‘A Pedra da Paciência’

Tags: AfeganistãoAtiq RahimiCrítica LiteráriaDramaEstação LiberdadeFilme EstrangeiroGoncourtLiteraturaPedra-de-paciênciaResenhaReviewSyngué sabourSyngué sabour – Pedra-de-paciência

VEJA TAMBÉM

Autora conversou com exclusividade com nossa reportagem. Imagem: Sebastián Freire / Divulgação.
Entrevistas

Mariana Enriquez: “Minha primeira impressão do mundo foi sob um regime autoritário muito feroz”

25 de março de 2026
Bellotto venceu o Jabuti de 2025 pela obra, lançada no ano anterior. Imagem: Chico Cerchiaro / Divulgação.
Literatura

‘Vento em Setembro’ transita entre o mistério e as feridas do Brasil

24 de março de 2026
Please login to join discussion

FIQUE POR DENTRO

Líder do The National, Matt Berninger vem ao C6 Fest com sua carreira solo. Imagem: Chantal Anderson / Divulgação.

C6 Fest – Desvendando o lineup: Matt Berninger

2 de abril de 2026
'(Um) Ensaio sobre a Cegueira' na montagem do Grupo Galpão. Imagem: Maringas Maciel.

Crítica: ‘(Um) Ensaio sobre a Cegueira’: Quando a cegueira atravessa a porta do teatro – Festival de Curitiba

2 de abril de 2026
Gioavana Soar e Fabíula Passini falam com exclusividade à Escotilha. Imagem: Annelize Tozetto / Divulgação.

Festival de Curitiba reforça papel para além do palco e aposta em memória, abertura e acessibilidade

1 de abril de 2026
Duo chega no auge para seu show no Brasil. Imagem: Lissyelle Laricchia / Divulgação.

C6 Fest – Desvendando o lineup: Magdalena Bay

31 de março de 2026
Instagram Twitter Facebook YouTube TikTok
Escotilha

  • Sobre
  • Apoie
  • Política de Privacidade
  • Contato
  • Agenda
  • Artes Visuais
  • Colunas
  • Cinema
  • Entrevistas
  • Literatura
  • Crônicas
  • Música
  • Teatro
  • Política
  • Reportagem
  • Televisão

© 2015-2023 Escotilha - Cultura, diálogo e informação.

Sem Resultados
Veja Todos Resultados
  • Reportagem
  • Política
  • Cinema
  • Televisão
  • Literatura
  • Música
  • Teatro
  • Artes Visuais
  • Sobre a Escotilha
  • Contato

© 2015-2023 Escotilha - Cultura, diálogo e informação.