• Sobre
  • Apoie
  • Política de Privacidade
  • Contato
Escotilha
Sem Resultados
Veja Todos Resultados
  • Reportagem
  • Política
  • Cinema
  • Televisão
  • Literatura
  • Música
  • Teatro
  • Artes Visuais
  • Reportagem
  • Política
  • Cinema
  • Televisão
  • Literatura
  • Música
  • Teatro
  • Artes Visuais
Escotilha
Home Literatura

Maylis de Kerangal: quando a alma importa

Primeiro livro de Maylis de Kerangal publicado no Brasil, 'Coração e Alma' é um relato comovente e sensível sobre as inquietudes e a fragilidade da vida.

porJonatan Silva
25 de agosto de 2017
em Literatura
A A
Maylis de Kerangal: quando a alma importa

Imagem: Reprodução.

Envie pelo WhatsAppCompartilhe no LinkedInCompartilhe no FacebookCompartilhe no Twitter

Em O Estranho que Nós Amamos, longa mais recente de Sofia Coppola, a morte vem como um alívio para os tormentos. Para Bentinho, o choro de Capitu no enterro de Escobar é a primeira prova do adultério. N’O Processo, Kafka faz do suspiro final de Joseph K. uma mistura de expurgo e resignação. Em Coração e Alma (Rádio Londres, 2017), primeiro romance da escritora francesa Maylis Kerangal publicado no Brasil, a morte é também a salvação.

Quando Simon, um surfista de vinte e poucos anos, é levado às pressas para a UTI após um grave acidente de carro, seus pais – Sean e Marianne – sabem que ele não vai voltar. Como em Acossado, de Godard, Maylis constrói o fim por um herói que tem seu destino já escrito. No caso de livro, o coração de Simon deverá bater no peito Claire, uma mulher de meia-idade.

Com uma habilidade monstruosa, a autora – que é considerada um dos nomes mais importantes da literatura contemporânea na França – faz uma verdadeira jornada heroica e simbólica de 24 horas. Seu texto é pungente sem que precise cair no tom piegas e melodramático, ao contrário, a narrativa se edifica pelo caráter humano e sensível, capaz de arrebatar o leitor pelas reflexões que propõe.

Os personagens, um a um, surgem no romance como pingos de chuva em um dia de sol e, repentinamente, inundam o cenário e também quem lê.

Coração e Alma atravessa a França, mas percorre também as “etapas” para que o coração chegue à Claire. Do acidente, ao hospital, às vidas dos médicos, de pessoas comuns e, claro, de Claire – que é a maior interessada em tudo isso. Os personagens, um a um, surgem no romance como pingos de chuva em um dia de sol e, repentinamente, inundam o cenário e também quem lê.

Kerangal consegue fazer do livro uma narrativa leve e sublime sobre o sagrado da vida deixando de lado qualquer caráter religioso ou panfletário. Ao mesmo tempo, Coração e Alma é um debate sobre os conflitos geracionais entre pais e filhos – filhos que “ficam trancados no banheiro e exigem, fora de si, que parem de bater na porta”. São extremos que se cruzam e se completam como um retrato fiel do que é existência humana – apenas um jogo.

Ferro e concreto

A reviravolta de todo o romance começa com a singela e significativa frase “ele é doador”, dita por Sean. A partir desse momento, Simon irá deixar seu corpo para se instalar em Claire, para bater e continuar batendo neste mundo. Nesse sentido, o livro caminha como se tivesse suas próprias pernas, buscando sempre o acalento impossível.

Muito mais que o relato de um transplante de coração, Coração e Alma é um manifesto de sobrevivência da alma explorando a cidade e seu labirinto repleto de não-lugares, sempre prontos a apartar homens e mulheres na vastidão de vazio preenchido por ferro e concreto.

CORAÇÃO E ALMA | Maylis de Kerangal

Editora: Rádio Londres;
Tradução: Maria de Fatima Oliva do Coutto;
Tamanho:240 págs.;
Lançamento: Julho, 2017.

COMPRE O LIVRO E AJUDE A ESCOTILHA

Tags: CríticaCrítica LiteráriaFranz KafkaJean-Luc GodardLiteraturaLiteratura FrancesaMaylis de KerangalRádio LondresSofia Coppola

VEJA TAMBÉM

A escritora argentina Samanta Schweblin. Imagem: Alejandra Lopez / Divulgação.
Literatura

Em ‘O Bom Mal’, Samanta Schweblin mostra que o horror mora ao lado

30 de janeiro de 2026
Juliana Belo Diniz desafia o biologicismo e recoloca o sofrimento mental em seu contexto humano. Imagem: Juliana Veronese / Divulgação.
Literatura

‘O que os psiquiatras não te contam’ e a urgência de devolver complexidade à saúde mental

19 de dezembro de 2025
Please login to join discussion

FIQUE POR DENTRO

Timothée Chalamet está indicado ao Oscar de melhor ator por sua interpretação de Marty Mauser. Imagem: A24 / Divulgação.

‘Marty Supreme’ expõe o mito da autoconfiança americana

5 de fevereiro de 2026
'Guerreiras do K-Pop' desponta como favorito na categoria de melhor canção original no Oscar 2026. Imagem: Sony Pictures Animation / Divulgação.

O fenômeno ‘Guerreiras do K-Pop’

4 de fevereiro de 2026
Rhea Seehorn encarna Carol Sturka diante de um mundo em uma violenta transformação. Imagem: High Bridge Productions / Divulgação.

‘Pluribus’ faz da felicidade obrigatória uma forma de violência

3 de fevereiro de 2026
A escritora argentina Samanta Schweblin. Imagem: Alejandra Lopez / Divulgação.

Em ‘O Bom Mal’, Samanta Schweblin mostra que o horror mora ao lado

30 de janeiro de 2026
Instagram Twitter Facebook YouTube TikTok
Escotilha

  • Sobre
  • Apoie
  • Política de Privacidade
  • Contato
  • Agenda
  • Artes Visuais
  • Colunas
  • Cinema
  • Entrevistas
  • Literatura
  • Crônicas
  • Música
  • Teatro
  • Política
  • Reportagem
  • Televisão

© 2015-2023 Escotilha - Cultura, diálogo e informação.

Sem Resultados
Veja Todos Resultados
  • Reportagem
  • Política
  • Cinema
  • Televisão
  • Literatura
  • Música
  • Teatro
  • Artes Visuais
  • Sobre a Escotilha
  • Contato

© 2015-2023 Escotilha - Cultura, diálogo e informação.