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‘Uma história possível’: os anos de juventude de Frida Kahlo

Em ‘Uma história possível’, escritora mexicana María Baranda mistura fato e ficção para contar a infância e a adolescência da mais importante artista do século XX.

porJonatan Silva
12 de novembro de 2021
em Literatura
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‘Uma história possível’: os anos de juventude de Frida Kahlo

Frida Kahlo. Imagem: Reprodução.

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Frida Kahlo se tornou símbolo de um movimento que ela própria só experimentou em partes: a libertação feminina. Entre o mito e realidade, a artista mexicana viveu uma vida cheia de agruras: do acidente de bonde que marcou seu corpo e seu espírito ao casamento cheio de tempestades com Diego Rivera. De uma maneira ou de outra, a vida e a obra de Frida se misturam e ajudam a alavancar a aura especial que a ronda e a colocou na chancelaria contra o sexismo e a misoginia.

Em Uma história possível a escritora María Baranda – conterrânea de sua personagem – reconta a infância e a adolescência da pintora mexicana misturando fatos, invenções e suposições. Longe de se pretender uma biografia, o livro é um retrato vivo dos anos de formação de uma artista fundamental para o mundo no século XXI, explorando o lirismo das fissuras cotidianas e das relações humanas para vencer o pragmatismo e o algoritmo.

A edição caprichadíssima, com tradução de Heloísa Jahn e ilustrações de Rebeca Luciani, publicada pela Olho de Vidro coloca o leitor em ume jogo de possibilidades. É um percurso de mãos dadas entre ruínas e levezas, entre a mitologia e a intuição. A autora cria uma espécie de guia simbólico para o mundo íntimo de Frida, caminhando pelas suas sombras e cores, examinando as questões mais particulares e intrincadas de uma personalidade tão complexa e provocante.

A beleza do livro está, exatamente, na justaposição e no espelhamento que María Baranda consegue estabelecer – sem se preocupar em oferecer respostas óbvia, resoluções para os enigmas ou romper com a graça do silêncio.

Plano cartesiano

Uma história possível é também uma experiência única, uma construção narrativa singular e uma perspectiva interessantíssima sobre alguém cuja figura se tornou uma espécie de domínio público. Para dar corpo a esse mosaico, amplo e cheio reentrâncias, Baranda insere, além de Frida, o pai – o fotógrafo Guillermo Kahlo –, a mãe – Matilde – e as irmãs. É como se María Baranda nos contasse o livro ajoelhada aos nossos ouvidos, sussurrando. Se a olhos nu Um história possível é um livro para crianças, em uma leitura cuidadosa nota-se que se trata de uma fábula para quem tem o espírito aberto e a cabeça no lugar.

Por isso, a chave para entender a narrativa é se desprender da ideia cartesiana do real. Ainda assim, a escritora trabalha muitos dos leitmotifs – finitude e presença, consciência e alheamento, fisicalidade e movimento – que pontuaram a produção artística de Frida Kahlo e, claro, as suas percepções frente à vida. E a beleza do livro está, exatamente, na justaposição e no espelhamento que María Baranda consegue estabelecer – sem se preocupar em oferecer respostas óbvia, resoluções para os enigmas ou romper com a graça do silêncio.

UMA HISTÓRIA POSSÍVEL | María Baranda

Editora: Edições Olho de Vidro;
Tradução: Heloísa Jahn;
Tamanho: 120 págs.;
Lançamento: Outubro, 2021.

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Tags: Book ReviewCrítica LiteráriaCulturaEdições Olho de VidroFrida KahloLiteraturaLiteratura MexicanaMaría BarandaMéxicoOlho de Vidro EdiçõesResenhaUma história possível

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