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Home Literatura

‘O coração é um caçador solitário’: o som das súplicas

porEder Alex
24 de janeiro de 2018
em Literatura
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Carson McCullers - O coração é um caçador solitário

Carson McCullers. Foto: Divulgação.

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Publicado em 1940, O coração é um caçador solitário foi imediatamente reconhecido pela crítica literária e Carson McCullers logo passou a ocupar o seu espaço ao lado dos grandes nomes da literatura norte-americana. Um feito e tanto para uma jovem de vinte e poucos anos, principalmente porque, ao ler o romance de mais de 400 páginas, não se identificam muitos traços de uma escritora iniciante, mas sim de uma autora muito experiente, tratando de um tema pesado de forma profunda, com personagens desenvolvidos de maneira muito precisa e com uma linguagem madura.

A história se passa numa cidadezinha de interior no sul dos EUA, em 1939, pós-Grande Depressão e na borda de uma nova Grande Guerra. John Singer é um funcionário da relojoaria, ele é surdo-mudo e morava num quartinho com seu grande amigo, o grego Antonapoulos, que também tinha a mesma deficiência e que acabou sendo internado num hospital psiquiátrico. Sozinho, Singer começa a receber visitas de algumas pessoas da região, como a jovem Mick, filha do dono da casa em que Singer aluga o quarto; Biff Brannon dono do único restaurante da cidade; Benedict Copeland, um médico negro que atende sua comunidade de graça e tenta conscientizá-los a respeito da importância de se levantar contra a desigualdade racial; e Jake Blount, um instável forasteiro apaixonado pelos ideais marxistas.

Cada um desses personagens enxergam em John Singer, uma espécie de Deus que está ali para ouvir as suas súplicas (ele consegue ler os lábios das pessoas). Eles vão até o quarto dele e desatam a falar sobre suas vidas solitárias, suas angústias e seus sonhos. Tal como a divindade, Singer não responde, mas eles se sentem de aliviados por comunicarem o que existe em seu mundo interior de alguma forma.

Cada capítulo do livro acompanha o dia a dia comum de um dos personagens, sempre num ritmo lento, quase de contemplação, como se autora investigasse a alma daquelas personagens através do silêncio que os rodeia.

Mais triste que isso só o fato de que John, embora seja uma pessoa serena e fascinante, não tem com quem se comunicar, já que seu amigo não está mais ali e, no fim das contas, por não conseguir se expressar a não ser por pequenos bilhetes (eles não entenderiam a linguagem de sinais), ele se sente extremamente sozinho mesmo na presença daquelas pessoas.

Cada capítulo do livro acompanha o dia a dia comum de um dos personagens, sempre num ritmo lento, quase de contemplação, como se autora investigasse a alma daquelas personagens através do silêncio que os rodeia e também por meio da angústia que escapa por entre os discursos, muitas vezes intensos, às vezes quase histéricos e desesperados.

O livro apresenta um amplo painel, tanto social quanto psicológico, daquela região e daqueles moradores, através de personagens de diferentes gêneros e classes sociais, tudo isso de forma contida e bastante equilibrada, sem que pareça que a autora está atirando para todos os lados. Através dos dramas daquela gente (alcoolismo, amadurecimento, racismo, militância, fé, descrença no futuro etc) podemos captar as nuances e as contradições do espírito humano, o que também torna a história universal.

Minha personagem favorita é Mick. Fascinada por música, ela encontra ali naquela sequência de notas uma possibilidade de escapar daquela realidade, daquela vida tão banal e sem perspectivas. Num dos momentos mais bonitos do livro, possivelmente um dos mais bonitos que já li na vida, Mick sai de casa à noite para caminhar, sentir a brisa fresca e encontrar casas que estejam com o rádio ligado para ouvir um pouco de música, ela faz isso quase todas as noites. Numa dessas, ela encosta no muro de uma casa e ouve Beethoven pela primeira vez na vida. Ela simplesmente não consegue controlar o choro, o aperto no peito, pois se sente muito pequena diante de algo tão grandioso.

Carson McCullers tem um olhar muito atento com relação ao ser humano, suas fragilidades e suas virtudes, pois se percebe claramente o carinho com que ela trata cada um deles. É algo bem intenso, que acaba atravessando o livro e impactando o leitor, pois é difícil terminar a leitura desse livro sem levar alguns desses personagens pra sempre no coração.

[box type=”info” align=”” class=”” width=””]O CORAÇÃO É UM CAÇADOR SOLITÁRIO | Carson McCullers

Editora: Companhia das Letras;
Tradução: Sonia Moreira;
Tamanho: 456 págs.;
Lançamento: Outubro, 2007.

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Tags: Carson McCullersCompanhia das LetrasCríticaCrítica LiteráriaGrande DepressãoLiteraturaLiteratura AmericanaO coração é um caçador solitárioResenhaReviewRomance

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